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No pós-Djokovic, 'Medium Three' dá bela resposta inicial com título na mira

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

09/09/2020 04h00

Quando Novak Djokovic foi desclassificado do US Open por dar uma bolada acidental e deixar sem ar uma juíza de linha, criou uma rara oportunidade aos tenistas mais jovens. O torneio americano vai coroar um novo campeão de slam e isso vai acontecer pela primeira vez desde 2014, quando Marin Cilic triunfou - coincidência ou não - justamente em Nova York.

Sem o lesionado Roger Federer nem Rafael Nadal, que preferiu não viajar aos Estados Unidos, os holofotes saíram do único integrante do Big Three e passaram imediatamente a três nomes que tomo a liberdade de chamar de Medium Three: Dominic Thiem, Daniil Medvedev e Alexander Zverev. Os dois primeiros já foram finalistas em torneios do grand slam. O último já foi número 3 do mundo e tem no currículo três títulos de Masters 1000 e um no ATP Finals.

O grupo sabe bem que é uma rara chance de vencer um slam sem enfrentar nenhum integrante do Big Three, por isso seria interessante vê-los em ação depois da exclusão de Djokovic. Como lidariam com a expectativa e a pressão? O novo cenário seria intimidador? A boa notícia é que a primeira impressão foi a melhor possível para os três.

Thiem, atual número 3 do mundo, vice-campeão de Roland Garros em 2018 e 2019 e vice também no Australian Open deste ano, foi o primeiro a entrar em quadra no "novo mundo". Encarou o perigoso Félix Auger-Aliassime, que vinha de vitórias imponentes sobre Andy Murray e Corentin Moutet, e atropelou: 7/6(4), 6/4 e 6/1, garantindo uma vaga nas quartas e não mostrando sinal algum de nervosismo. Será favorito novamente contra Alex de Minaur nesta quarta-feira, valendo vaga na semi.

Medvedev, atual #5 do ranking e vice-campeão do US Open no ano passado, jogou no mesmo dia de Thiem, na sessão noturna, levado nas costas o rótulo de favoritíssimo contra o americano Frances Tiafoe. O russo não decepcionou. Fez 6/4, 6/1 e 6/0. Implacável. Inabalável. Passou às quartas e ainda não perdeu sets. Não perdeu, ressalte-se, mais do que quatro games em nenhum set! Terá um teste mais duro contra o compatriota Andrey Rublev nesta quarta, é verdade, mas até agora vem lidando lindamente com a expectativa.

O último do Medium Three, que já estava classificado para as quartas (mas jogou as oitavas antes da exclusão de Djokovic), foi Zverev, atual número 7 do mundo, que buscava sua segunda semifinal de slam. Pois Sascha encarou o perigoso Borna Coric e fez um péssimo primeiro set, mas se recuperou, venceu dois tie-breaks e avançou por 1/6, 7/6(5), 7/6(1) e 6/3. Não jogou um tênis espetacular, mas elevou seu nível durante o duelo e encontrou uma maneira de vencer. Tem muito mérito nisso.

Desde 2006, o Big Four venceu 52 dos 57 slams disputados. O grupo, que virou Big Three quando Andy Murray sofreu uma séria lesão no quadril, também conquisto todos slams desde 2017. Se este US Open será o início do fim para a era dos três maiores campeões da história do tênis masculino, ainda é cedo para dizer. Dá para afirmar, contudo, que os postulantes a herdeiros deram uma bela primeira impressão sob os holofotes. Até domingo, contudo, muita água ainda vai rolar à beira do East River.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.