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'Novo' ranking da ATP deve agradar a muitos, mas estimula ausências

Divulgação/ATP
Imagem: Divulgação/ATP
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

07/07/2020 08h42

A volta do tênis profissional está próxima, e as entidades precisavam decidir o que fazer com os rankings que foram congelados em março. Enquanto a WTA ainda aguarda - há incerteza sobre a realização do torneio de Palermo, marcado para a primeira semana de agosto - a ATP já fez seu anúncio: quando o circuito retornar, o ranking passará a computar os melhores resultados de cada tenista em 22 meses (de março de 2019 a dezembro de 2020).

A partir de janeiro de 2021, o ranking volta a funcionar como antes, descontando os pontos do período anterior. No fim do ano que vem, terá voltado ao normal, computando apenas as últimas 52 semanas. Foi a maneira encontrada para não tirar pontos de ninguém e não causar nenhum desequilíbrio na lista - pelo menos por enquanto. Vejamos algumas das mudanças para esse período pandêmico:

- O ranking de cada tenista será formado por seus melhores 18 resultados de março de 2019 a dezembro de 2020.

- Um tenista não pode somar o mesmo torneio duas vezes em seus "melhores 18". Ou seja, quem jogar o Masters de Roma em 2019 e 2020 vai contar em seu ranking apenas o melhor resultado. Se o campeão de 2019 voltar a triunfar em 2020, ele apenas mantém os mil pontos de 2019.

- Os pontos somados em 2020 ficarão no ranking do tenista durante 52 semanas ou até que o mesmo torneio seja realizado em 2021, o que acontecer primeiro. Logo, os pontos de Roland Garros, que será em setembro deste ano, serão descontados em junho do ano que vem (considerando que o torneio será realizado em sua data tradicional).

- O ranking da ATP será usado para determinar os classificados para o Finals. Não haverá "corrida", e a ATP descontará, obviamente, os pontos somados no Finals de 2019. Nas duplas, vale o Doubles Team Rankings (aliás, a ATP meio que esconde esta informação, mas o US Open deste ano valerá apenas mil pontos para a dupla campeã).

O novo ranking beneficia tenistas diferentes de diversas maneiras. Roger Federer, por exemplo, vai manter seus pontos mesmo em uma temporada em que não entraria em quadra. Novak Djokovic, por sua vez, dificilmente terá sua liderança ameaçada, já que não precisou defender os pontos de Wimbledon, e Rafael Nadal, o vice-líder, não somará nada mesmo se conquistar Roland Garros e o US Open. Daniil Medvedev, então, deve ter respirado aliviado ao saber que não precisará defender as seis finais seguidas que fez em 2019 (Washington, Canadá, Cincinnati, US Open, São Petersburgo e Xangai).

Ao mesmo tempo em que teoricamente protege os tenistas que estão no topo, este ranking provisório dá chances aos outros de alcançá-los. Os pontos de 2020 estarão em jogo normalmente, e é até possível que fique tudo embolado ao fim da temporada. Depende, é claro, de quem ganhar o quê.

O único porém - e trata-se de um porém para os fãs, não para os atletas - é que a contagem de pontos, aliada a um calendário pesadíssimo, que inclui Washington, Cincinnati, US Open, Madri, Roma e Roland Garros em semanas consecutivas, também servirá de estímulo a desfalques. Será que Rafa Nadal, atual campeão e consequentemente sem nada a somar em Nova York, terá disposição para encarar risco de covid, uma possível quarentena e o desgaste de duas semanas (no mínimo) em quadra dura para disputar o título sem o bônus de melhorar/manter seu ranking? Tenho cá minhas dúvidas. Tudo leva a crer que a ATP facilitou a decisão de Nadal.

O mesmo pode valer para outros europeus, já imaginando o quão exaustiva será a sequência de Washington até Paris. Para muitos deles, particularmente para os "especialistas" de saibro, pode fazer muito mais sentido evitar cruzar o Atlântico e apostar nos torneios de terra batida.

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