PUBLICIDADE
Topo

Epic fail: torneio virtual de Madri reúne astros, mas esbarra na tecnologia

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

28/04/2020 04h00

Seguidos problemas técnicos e desconexões, narradores falando por cima dos tenistas e partidas ruins - ainda que curtas. O Mutua Madrid Open Virtual Pro, torneio de videogame criado pelos organizadores do Masters/Premier de Madri para compensar a ausência do evento de verdade por conta do novo coronavírus, foi um fracasso retumbante e só serviu para mostrar o quanto o tênis está atrasado em relação a outras modalidades no campo dos esports.

A aposta dos organizadores era arriscada desde sempre. Afinal, são poucos os games produzidos para a geração atual de consoles, e Madri escolheu justamente o pior deles: Tennis World Tour, produzido pelo estúdio Breakpoint, que contou com alguns funcionários que haviam trabalhado na franquia Top Spin (que, vale ressaltar, nunca foi tão boa assim).

Ainda assim, o torneio conseguiu juntar um elenco bem interessante de nomes do tênis de verdade. As chaves tinham, entre outros, Nadal, Murray, Thiem, Tsitsipas, Pliskova, Azarenka, Svitolina e Bouchard. Até os aposentados Ferrer e Wozniacki apareceram. Podia, de verdade, ser bacana. Contudo, esbarrou em problemas tecnológicos (tenistas sendo desconectados e longas interrupções), além do velho dilema que qualquer gamer que se preze conhece há muito tempo: há tempos, não há um game realmente grande de tênis.

AO Tennis 2, game oficial do Australian Open que avaliei há poucos dias, é um jogo respeitável e divertido - embora com suas falhas - que veio para preencher uma grande lacuna na geração atual de consoles. Talvez o torneio de Madri tivesse tido maior sorte ao usar o game aussie, mas não posso garantir que ele seria mais estável no quesito online porque nunca testei.

De qualquer modo, Tennis World Tour é um fracasso, e o evento de Madri mal serve para que matemos as saudades dos atletas - exibidos em caixinhas minúsculas na parte de baixo da tela e cujo áudio acabava abafado pelos comentaristas vez por outra. Para piorar, o game proporcionava cenas toscas como o voleio "fantasma" de Nadal no vídeo acima. No fim das contas, o primeiro dia do torneio foi uma prova recorrente de quão atrasado o tênis está no mundo crescente e lucrativo dos esports.

Enquanto a FIFA organiza uma Copa do Mundo virtual há anos e os torneios de PES e FIFA proliferam por aí (outro dia a Inter de Milão duelou com o Corinthians), a Fórmula 1 faz corridas virtuais mais emocionantes do que muitas provas de verdade. O tênis, entretanto, segue ainda sem um game convincente.

Talvez seja a hora de os dirigentes adotarem uma visão mais contemporânea e enxergarem que a falta de um grande game não é um problema "externo" de estúdios, produtoras e distribuidoras. Hoje em dia, o game é mais uma maneira de levar a modalidade ao fã, de criar engajamento, de expor patrocinadores e, consequentemente, valorizar a marca. Já passou da hora de o tênis entender a importância estratégica desse mercado. Que o fiasco de Madri seja o alarme para os cartolas acordarem.

Torne-se um apoiador do blog e tenha acesso a conteúdo exclusivo (posts, podcasts e newsletters semanais) e promoções imperdíveis.

Acompanhe o Saque e Voleio no Twitter, no Facebook e no Instagram.

Saque e Voleio