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Laver Cup cancelada: Federer e sua empresa perdem o cabo-de-guerra

RvS.Media/Robert Hradil/Getty Images
Imagem: RvS.Media/Robert Hradil/Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

17/04/2020 11h59

A organização da Laver Cup anunciou, nesta sexta-feira, que a edição 2020 da competição não será mais realizada. O evento volta em 2021 e será realizado de 24 a 26 de setembro, mantendo Boston como sede. O importante a notar no anúncio, contudo, é que não há menção ao novo coronavírus nos parágrafos iniciais. A organização culpa conflitos de calendário. Leiam:

"Os organizadores do evento anunciaram hoje que a Laver Cup não será realizada em 2020, mas voltará a Boston em 2021, uma medida provocada por mudanças feitas no calendário do tênis internacional que criaram um conflito de calendário com outros grandes eventos internacionais de tênis."

Por "outros grandes eventos internacionais", leia-se "Roland Garros". No dia 17 de março, a Federação Francesa de Tênis (FFT) decidiu - sem consultar os outros slams nem as entidades internacionais (ITF, WTA e ATP) - mudar sua data por cota da pandemia. O slam francês, que seria de 24 de maio a 7 de junho, determinou que vai começar no dia 20 de setembro (uma semana depois do US Open) e terminar em 4 de outubro. Isso significou um conflito com a Laver Cup.

A Team8, promotora do evento e empresa em que Roger Federer é sócio de seu empresário, Tony Godsick, avisou inicialmente que a Laver Cup aconteceria nas datas previstas. O anúncio de hoje, porém, crava que Federer e cia. perderam o cabo-de-guerra. O resto do comunicado, publicado no site da LC, deixa isso claro:

"Desde o anúncio da mudança de data do Aberto da França, em 17 de março, os organizadores da Laver Cup vinham monitorando de perto a situação com seus parceiros - Tennis Australia e USTA - assim como com a ATP. No fim das contas, porém, o calendário internacional do tênis inviabilizou a capacidade dos organizadores de realizar o evento e, portanto, não havia razão para retardar a decisão inevitável."

Ainda há um vasto terreno de incertezas no que diz respeito ao tênis mundial em 2020. Recentemente, o torneio de Montreal foi cancelado pelas autoridades canadenses. O US Open segue programado, mas a USTA já considera vários cenários (inclusive o cancelamento) e, a julgar pelos números da França (morreram 753 pessoas nesta quinta-feira), não há garantia alguma de que Roland Garros será realizado em sua nova data. Ainda assim, a FFT pode comemorar esta pequena vitória sobre a Laver Cup.

Coisas que eu acho que acho:

- Caso levasse adiante a ideia de fazer a Laver Cup durante Roland Garros, Federer e a Team8 teriam de encarar a dura tarefa de "recrutar" astros dispostos a abrir mão de um slam em uma temporada já desfalcada de Wimbledon. Talvez fosse fácil atrair Nick Kyrgios e Jack Sock, mas é quase inimaginável Roland Garros sem Rafa Nadal, Novak Djokovic e Dominic Thiem. Sem pelo menos um deles, a Laver Cup perderia muito. Por isso, parece sábia a decisão de cancelar a LC de 2020.

- Também havia um ar de incerteza sobre as intenções do próprio Federer. Ele pularia um slam para tentar salvar seu evento? Agora o suíço fica livre de novo para competir em Roland Garros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.