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AO Tennis 2: um novo campeão nos consoles caseiros

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Imagem: Reprodução
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

09/04/2020 04h00

Desde o finado Top Spin 4, lançado em 2011 para a geração anterior de consoles (PS3, Xbox 360 e Wii), o tênis não tinha um game decente para satisfazer o público fã da modalidade. O rei incontestável dos games da modalidade continua sendo Tennis Elbow, criado para PCs e Macs (recentemente, vale ressaltar, foi lançada a versão alfa de TE4).

Em 2018, houve uma tentativa dupla de ressuscitar o tênis no mundo dos consoles, com o lançamento quase simultâneo de AO Tennis, criado pela australiana Big Ant, e Tennis World Tour, da desenvolvedora Breakpoint, que era para ser uma espécie de Top Spin 5, já que alguns dos projetistas haviam trabalhado anteriormente na franquia TS. Dupla tentativa, dupla falta. Os dois games foram recebidos com péssimos reviews e todo tipo de problemas.

A Big Ant não desistiu e, no começo deste ano, lançou AO Tennis 2, uma versão melhorada do game oficial do Australian Open e que foi recebida com reviews um tanto medianos pela imprensa especializada em games (não em tênis). A jogabilidade, um punhado de bugs e gráficos aquém da capacidade dos consoles atuais provocaram as principais críticas. Tudo isso, somado ao salgado preço de R$ 250 no lançamento, me fez desistir de experimentar o game - e não havia demo para PS4, meu console.

Veio, então, a promoção desta semana, e AO Tennis 2 agora custa R$ 149. Tennis World Tour, coitado, está abandonado a míseros R$ 49. Arrisquei no game do Australian Open e olha… fiquei bastante feliz com o resultado. O game está longe de ser perfeito, mas é, com folgas, a melhor opção (entre poucas, é verdade) para consoles e, mais do que isso, é um pacote com tantas opções que pode render horas e horas de diversão para qualquer gamer que goste realmente de tênis.

E aí vale ressaltar e repetir: "que goste realmente de tênis". Os controles de AO Tennis não são simples, o que pode afugentar gamers de primeira viagem. Para quem conhece tênis, é fácil entender por que os controles são do jeito que são. Assim como na vida real, o sucesso para golpes bem executados está numa combinação de timing, mecânica e posicionamento.

AO Tennis não funciona naquela mecânica primitiva do "quem aperta o botão mais cedo bate mais forte". Longe disso. O importante é saber quando apertar o botão para começar o swing e quando soltá-lo para terminar. Além disso, é preciso ter o jogador posicionado no lugar certo para fazer o golpe. Tudo sincronizadinho, como na vida real. O game não é tão rigoroso nos níveis iniciais (são oito níveis de dificuldade), mas dependendo de quão errado é o timing, a bola pode ir bem longe de onde você pensou em mandá-la.

A movimentação do jogador é outra coisa que frustra quem não conhece tênis (leia-se: reviewers de sites de games que nunca entraram numa quadra). Se Federer disparou uma cruzada violenta e você deu um toque de leve no controle para cobrir a paralela, esqueça. É como na vida real. Não dá tempo de voltar. Em AO Tennis 2, o split step é essencial. Um décimo de atraso, e você vai ficar olhando aquela bola passar pelas suas costas enquanto seu jogador tenta mudar de direção. Há quem veja isso como uma falha do game. Eu considero uma qualidade. Uma irritante qualidade.

DLC compensa falta de nomes oficiais

Além dos bons controles e de uma jogabilidade que flui bem melhor do que alguns antecessores (Top Spin 4, por exemplo, falha feio no ritmo do jogo e no movimento da bola ao sair da raquete), AO Tennis traz um caminhão de opções para agradar a todo tipo de gamer. A começar pelo vasto conteúdo baixável (downloadable content, o DLC). Para contornar o problema das licenças (tênis não é uma liga, então toda desenvolvedora tem que adquirir direitos de imagem individualmente), a Big Ant disponibilizou um criador de tenistas e um criador de arenas, que é uma versão simplificada de Sim City com ferramentas para você erguer quadras e vegetação no meio de uma cidade. Então qualquer gamer não só pode criar seus próprios tenistas e incluí-los no game como pode também baixar atletas e quadras ou arenas criadas por outros gamers. Isso, na prática, permite a qualquer um ter o circuito inteiro no game. Eu mesmo baixei uma lista com os 128 mais bem ranqueados da ATP e inseri também o britânico Andy Murray e o gaúcho Marcos Daniel - este eu mesmo criei, inclusive iniciando uma carreira em um Future em Bogotá (e haveria lugar melhor?).

Os modos de jogo também dão várias alternativas. É possível disputar só o Australian Open, jogar uma exibição em qualquer lugar do mundo ou competir online (não testei). Há também o modo carreira, em que você pode criar um tenista e começar do zero ou escolher qualquer outro tenista e já iniciar pelos torneios grandes do pré-Australian Open. Um modo diferente é o "Scenarios", em que você cria (ou recria) uma situação de jogo. É possível, por exemplo, entrar em quadra como Djokovic precisando vencer após estar perdendo por 8/7 e 40/15 de Federer no quinto set da final de Wimbledon. E mais: além de criar esses cenários, o gamer pode baixar cenários criados por outros.

Vale reclamar com árbitro, pedir replay e receber tempo médico

Se é verdade que os gráficos poderiam ser melhores, também é fato que eles não comprometem o nível do entretenimento. As partidas também têm boa dose de realismo. As arenas do Australian Open são recriadas com todos seus detalhes (era o mínimo!); os efeitos sonoros, do quique da bola ao barulho do calçado na quadra dura, são impecáveis; as músicas dos menus são boas o bastante (logo, logo você vai se pegar cantarolando Pick Up The Pieces, do Josh Auer); e os jogos têm elementos essenciais que faltaram a outros games de tênis: em AO Tennis 2, é possível atirar a raquete no chão, gesticular com o árbitro, desafiar chamadas duvidosas (o replay entra até com patrocínio da Rolex, igualzinho ao da TV) e pedir tempo médico (não sei que efeito prático isso tem na partida porque só usei uma vez e não notei diferença no meu tenista).

E se você, assim como certas autoridades do tênis, está preocupado com a duração das partidas, tranquilize-se: AO Tennis 2 é todo personalizável. Antes de cada jogo, é possível mudar o nível de dificuldade, o método de decisão de um set (tie-break ou dois games de diferença), a duração do tie-break (sete ou dez pontos), o número de games por set e o número de sets por jogo. Na prática, você pode até disputar partidas de apenas três games e um set, o que deve durar mais ou menos o mesmo que uma partida de FIFA.

O veredito: uma simulação nota 8

A franquia AO Tennis já deu um salto considerável desde o lançamento do primeiro game - incluindo o patch tardio que tentou salvar o jogo e serviu de base para AO Tennis 2 - mas ainda tem o que melhorar. No entanto, mesmo sem ameaçar o posto de Tennis Elbow no alto do pódio, o produto da Big Ant é, com folgas, o que há de melhor para consoles caseiros.

A jogabilidade e os controles são bons - dadas as ressalvas do início do texto, as opções são muitas e há potencial para o gamer passar horas e horas diante da TV, fazendo valer cada centavo dos R$ 149 que AO Tennis 2 custa atualmente. No meu bloquinho, ganha uma respeitável nota 8. Prefiro assim.

Coisas que eu acho que acho:

- Sem medo de soar repetitivo, ressalto: AO Tennis 2 é ótimo, mas não é para qualquer fã casual de tênis. Os controles não são simples e, para o gamer não habituado à modalidade, leva certo tempo até acostumar com os golpes e, principalmente, a movimentação do jogador. Eu, com negrito e itálico na primeira pessoa, estou me divertindo um bocado. Vale a pena comprar? Depende do perfil de quem está interessado e, claro, do bolso do comprador.

- Outra questão de gosto pessoal: o modo carreira de AO Tennis 2, que te permite montar calendário e escolher quando e onde jogar, treinar ou descansar, já começa em torneios de verdade, com árbitro e arquibancada. Aqui a coisa é séria. Não tem torneio com gente passeando de patins atrás da grade ou cachoeira no fundo de quadra (beijos, Top Spin).

- Ainda explorei pouco o modo carreira. Quem sabe eu volte a postar daqui a um mês, com mais detalhes do jogo…

- Para não esquecer: AO Tennis 2 está disponível para PS4, Xbox One, Nintendo Switch e Windows. O preço citado, de R$ 149, foi quanto paguei na Playstation Store no dia 7 de abril, durante a promoção de Páscoa.

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