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Após desabafo de Meligeni, 5 jogos de brasileiros que gostaríamos de rever

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

07/04/2020 14h41

Depois de ver aqui no blog a programação de reprises do SporTV, com partidas clássicas de Gustavo Kuerten, Fernando Meligeni questionou o canal, argumentando que a história do tênis brasileiro tem outros atletas e que é preciso mostrar que o esporte teve (e continua tendo) representantes de respeito no cenário mundial.

A postagem repercutiu e, no embalo, deixo aqui uma listinha com cinco jogos que alguns colegas jornalistas e eu vimos no SporTV e gostaríamos de rever para recordar momentos importantes do tênis brasileiro. Importante: sem entrar no mérito de criticar o canal por não retransmiti-los. São apenas lembranças de partidas já exibidas e que seriam muito bem-vindas se mostradas novamente.

1. Djokovic d. Bellucci - 4/6, 6/4 e 6/1 (Madri/2011 - SF)

Era a melhor campanha da vida de Thomaz Bellucci em um Masters 1000. O paulista chegou à semi após vitórias sobre Andy Murray, número 4 do mundo (6/4 e 6/2), e Tomas Berdych, sétimo na ATP (7/6(2) e 6/3). Por outro lado, Novak Djokovic somava 32 triunfos consecutivos. Venceu o Australian Open, o ATP 500 de Dubai, os Masters 1.000 de Indian Wells e Miami e o ATP 250 de Belgrado. Também conquistou a Copa Davis no fim de 2010. Era favoritíssimo para alcançar a final.

O que se viu naquele dia foi um Bellucci, então com 23 anos, magnífico. Paciente, consistente e preciso nos ataques. O paulista também teve uma quebra de frente no começo do segundo set, e Djokovic só reagiu depois de estar atrás por 6/4 e 3/1. Foi aí que o brasileiro, ainda jogando bem, testemunhou toda força do grande tenista daquela temporada. Nole reagiu furiosamente, virou aquele set e dominou a parcial decisiva. Um jogaço sugerido para este post pelos colegas João Victor Araripe (Break Point) e Rubens Lisboa (UOL).

2. Meligeni d. Kucera - 5/7, 7/6(6), 6/2 e 6/4 (Copa Davis 2001 - QF)

Pela segunda vez na história, o Brasil alcançou as semifinais do Grupo Mundial da Copa Davis, e muito disso se deve ao triunfo de Fernando Meligeni sobre Karol Kucera, então número 41 do mundo, em um duelo dramático no saibro do clube Marapendi, no Rio de Janeiro.

Depois de triunfos de Guga, na sexta-feira, e da dupla, no sábado, o Brasil vencia o duelo com a Eslováquia por 2 a 1 e só precisava de mais uma vitória do catarinense para fechar o confronto. No entanto, Dominik Hrbaty abriu o domingo fazendo 3 sets a 0 sobre Kuerten. O baque foi enorme, e boa parte do público abandonou o Marapendi depois disso.

Mais um punhado de gente deixou o local quando Kucera fez 7/5 no primeiro set contra Meligeni. Fininho, no entanto, reagiu ferozmente e arrancou uma das vitórias mais memoráveis da história do tênis brasileiro. Foi o triunfo que levou o time do capitão Ricardo Acioly às semifinais. Por isso, o colega Fábio Balassiano (Bala na Cesta) e eu selecionamos para esta lista.

3. Melo/Kubot d. Marach/Pavic - 5/7, 7/5, 7/6(2), 3/6 e 13/11 (Wimbledon/17 - F)

Não foi "só" o jogo que deu a Marcelo Melo seu segundo título de slam. Não foi "só" uma decisão de Wimbledon. Foi uma partidaça do começo ao fim, com margens mínimas para oscilações, e que durou 4h41min (fica a dica: ótimo para preencher a grade, SporTV).

E mais: coroou uma temporada de grama espetacular de Marcelo Melo e Lukasz Kubot, que também foram campeões do ATP 250 de 's-Hertogenbosch, na Holanda, e do ATP 500 de Halle, na Alemanha. Não por acaso, Marcelo chegou a Wimbledon como número 3 do mundo e saiu como número 1. A final contra Marach e Pavic foi escolha da colega Aliny Calejon (Match Tie-Break).

4. Djokovic d. Bellucci - 0/6, 6/3, 6/2 (Roma/2016 - R16)

A temporada 2016 começou espetacular para Novak Djokovic. O sérvio foi campeão do Australian Open e dos Masters de Indian Wells, Miami e Madri. Desta vez, Nole não carregava uma série de vitórias impressionante quanto a de 2011, mas era o número 1 do mundo e favorito ao título em Roma.

Bellucci, então número 37 do planeta, teve outro dia "daqueles". Aplicou um pneu (6/0) no primeiro set e chocou o público do Foro Itálico. O segundo set também foi parelho até a metade. Djokovic, exigido ao máximo, tentou de tudo para quebrar o ritmo do brasileiro - até um par de "balões" em um momento. No fim, Nole conseguiu a virada na segunda parcial e, assim como em 2011, foi dominante no terceiro set. O jogo foi lembrado pela jornalista Sheila Vieira (Quadra 18).

5. Meligeni d. Ríos - 5/7, 7/6(5), 7/6(6) (Santo Domingo/2003 - F)

O SporTV já reprisou esta partida e não seria nada ruim se mostrasse novamente por tudo que o duelo envolvia. Era a última competição oficial de Fernando Meligeni, e o jogo que valia a medalha de ouro era contra o ex-número 1 do mundo Marcelo Ríos, do Chile.

Ambos já estavam longe de seu melhor momento. Meligeni era o #121 do mundo e não jogava desde maio, quando perdeu no qualifying de Roland Garros. Ríos, #43, estava acima do peso e vinha de duas derrotas contra os venezuelanos Kepler Orallana (#475) e José de Armas (#324) na Copa Davis. Com o calor daquele dia de agosto, o nível do tênis mostrado não foi alto.

Espetacular, sim, foi a luta de Meligeni diante de um rival mais talentoso e que teve cinco match points antes de jogar um backhand na rede e ver o brasileiro comemorar a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. Uma apresentação que, de muitas maneiras diferentes, resumiu a carreira de Fininho.

Coisas que eu acho que acho:

- Não custa repetir: a lista acima é feita de jogos exibidos pelo SporTV. Logo, não entram partidas de Roland Garros (eu adoraria ver Meligeni x Medvedev de 1999) nem do Australian Open.

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