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Pai queria Federer aposentado no fim de 2016

Clive Brunskill/Getty Images
Imagem: Clive Brunskill/Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

27/03/2020 12h21

Praticamente sem sair de casa há duas semanas (fiz dois mercados no período e só), aproveitei a quarentena para organizar arquivos antigos, fazer backups e, por que não, ler e ouvir entrevistas antigas. Entre estas, uma que eu não cheguei a publicar na época: um papo com Robert Federer, pai de Roger, em São Paulo, durante a Gillette Federer Tour, no fim de 2012.

Foi uma desses entrevistas que acontecem quase por acaso e que vêm com uma pitada de sorte. Roger tinha uma coletiva e várias mini-exclusivas marcadas durante a tarde em um shopping da cidade, e eu cobria o evento junto com um companheiro de redação. Ele ficou observando o suíço, enquanto eu fui para um salão ao lado organizar as ideias e digitar uma coisa ou outra que tinha pendentes.

Nesse momento, apareceu o Sr. Robert Federer. Sozinho, sem assessor, sem família, sem ninguém. Sem nada a perder, peguei meu gravadorzinho, fui até ele e perguntei se ele se incomodava de bater um papo por cinco minutos. Desacompanhado e recém-chegado num país em que não conhecia ninguém e não falava o idioma, o pai do homem deve ter até comemorado por dentro ouvir alguém puxando papo em inglês - mesmo que fosse uma entrevista.

E, assim, batemos um papinho light, descontraído, com direito a algumas piadinhas dele e uma perguntinha besta da minha parte. Chamou a atenção - especialmente agora, mais de sete anos depois, o que Robert disse sobre a aposentadoria do filho. Segue o diálogo:

Ele não fala, mas eu gostaria de saber o que o senhor acha: por quanto tempo ele ainda vai competir?

Não sei por quanto tempo ele ainda vai jogar, mas talvez quatro anos?

Quatro anos?!

Talvez ele pare amanhã (risos)! Mas não sei?

Por quanto tempo o senhor quer que ele jogue?

Até as crianças entrem na escola. Isso dá mais ou menos quatro anos.

Então o senhor ainda espera que ele vá aos Jogos Olímpicos do Rio?

Espero que sim. Espero que ele jogue as Olimpíadas no Brasil, sim.

Na época, fim de 2012, Roger Federer já tinha 31 anos, 17 títulos de slam e muitos milhões de francos suíços no bolso. Não precisava provar nada a ninguém e, além disso, era uma época em que se esperava uma queda de rendimento após os 30 anos.

Embora tenha passado por uma operação de joelho e ficado fora dos Jogos do Rio, hoje, nove anos depois, fica claro que Federer ainda tinha muito para mostrar - e até melhorar! Roger e sua esposa, Miroslava, agora têm até outro par de gêmeos. Além de Myla e Charlene, nascidas em 2009, o casal comemorou a chegada de Lenny e Leo em 2014.

O resto do circuito também mostrou mais longevidade. Novak Djokovic, 32 anos, e Rafael Nadal, 33, seguem jogando em altíssimo nível, competindo contra rivais 15 anos mais jovens. Sérvio e espanhol são os atuais números 1 e 2 do mundo, respectivamente.

Este ano, Federer passou por uma operação no joelho direito em fevereiro e anunciou que só retornará ao circuito para a temporada de grama - isso, claro, se a pandemia do novo coronavírus estiver controlada até lá. Nesta quinta-feira, o All England Club informou que ainda está avaliando todos cenários possíveis para o Torneio de Wimbledon, inclusive um adiamento e o cancelamento do evento em 2020.

Voltando ao papo com o pai de Federer, ainda perguntei se ele ainda ficava nervoso vendo o filho em quadra, se ele achava Roger o maior tenista da história, quem tinham sido os maiores rivais na carreira do filho e até falei sobre as transmissões de TV que lhe exibiram cochilando em algumas partidas. A entrevista completa está no décimo episódio da segunda temporada do podcast Saque e Voleio - exclusivo para apoiadores do blog.

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