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Roland Garros muda para setembro: veja as consequências no circuito

Charles Platiau/Reuters
Imagem: Charles Platiau/Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

17/03/2020 14h20

A notícia caiu como uma bomba no mundo do tênis, levantando mais perguntas do que respostas. Na tarde desta terça-feira, a Federação Francesa de Tênis (FFT) anunciou que, por causa das consequências do coronavírus, o torneio de Roland Garros será disputado em um período diferente este ano. O evento, tradicionalmente realizado no fim de maio, vai começar no dia 20 de setembro e terminar no dia 4 de outubro.

O comunicado distribuído pela entidade afirma que "as atuais medidas de confinamento nos impossibilitaram de continuar com nossos preparativos e, por isso, não conseguiremos realizar o torneio nas datas originalmente planejadas", que "a FFT escolheu a única opção que lhe permitirá manter a edição 2020 do torneio ao mesmo tempo em que participa da luta contra o covid-19" e que a decisão foi tomada de olho nos interesses da comunidade dos tenistas profissionais e dos muitos fãs de tênis e de Roland Garros.

"Tomamos uma decisão difícil, mas corajosa nesta situação sem precedentes, que se agravou muito desde o último fim de semana. Estamos agindo com responsabilidade e devemos trabalhar juntos na luta para garantir a saúde e a segurança de todos", disse o presidente da FFT, Bernard Giudicelli.

O comunicado, vale ressaltar, não diz se a decisão foi tomada em conjunto com ATP e WTA, entidades que regem os circuitos masculino e feminino, respectivamente. No entanto, a mudança de data é uma alteração radical em um esporte tradicional, que adota um calendário anual quase permanente. Por isso, a nova data de Roland Garros já chega trazendo a possibilidade de efeito cascata, afetando seriamente outros torneios. Analisemos, portanto, as consequências imediatas do anúncio.

Fim do pré-Roland Garros no saibro

O calendário anual do tênis inclui uma série de torneios de saibro na Europa antes de Roland Garros. Os atletas podem se preparar jogando eventos grandes como os de Roma e Madri, além de Barcelona, Stuttgart, Estoril, Praga, Genebra, Lyon, Estrasburgo e outros. A nova data significa que RG será disputado uma semana após o fim do US Open. O tempo para os atletas se adaptarem à terra batida será mínimo.

Laver Cup "engolida"

A Laver Cup, que faz parte do calendário oficial da ATP, mas não conta pontos para o ranking, está marcada para acontecer na semana do dia 25 de setembro. Ou seja, o torneio organizado pela empresa de Roger Federer seria engolido por Roland Garros. Como o anúncio da FFT está recente, ainda não houve um comunicado por parte dos organizadores da LC, mas parece improvável que a competição aconteça nessa data. Ou Federer e cia. mudam o evento ou cancelam de vez (e vale lembrar que, originalmente, a Laver Cup não seria disputada em anos olímpicos).

Perna asiática prejudicada

O período pós-US Open é aquele em que os dois circuitos mais realizam torneios na Ásia (há, também, alguns na Europa). Logo, se os atuais calendários forem mantidos, vários eventos ficarão esvaziados. O novo período de Roland Garros engloba os ATPs de São Petersburgo, Metz, Chengdu, Zhuhai e Sofia, além dos WTAs de Tóquio, Guangzhou, Seul e Wuhan. Também é de se imaginar que alguns desses torneios sejam cancelados ou busquem novas datas junto a ATP e WTA - especialmente os que começam no dia 21, que serão mais afetados. Chengdu, Zhuhai, Sofia e Wuhan, marcados para a segunda semana de RG, podem contar com alguns nomes importantes que forem eliminados na primeira semana em Paris. Ainda assim, na prática, seriam chaves fracas - quase como Challengers de luxo.

Classificação olímpica afetada

Em sua data original, de 24 de maio a 7 de junho, Roland Garros seria o último torneio a dar pontos para o ranking que determinará as vagas para os Jogos Olímpicos de Tóquio. O adiamento do torneio francês significa não só uma chance a menos para que tenistas somem os pontos necessários, mas também que os atletas perderão pontos sem a chance de defendê-los (a não ser, obviamente, que ATP e WTA mudem o regulamento do ranking - leiam possíveis cenários neste post). Rafa Nadal e Ash Barty, por exemplo, perderiam os 2 mil pontos pelos títulos do ano passado.

Coisas que eu acho que acho:

- Como ressaltei no post, o comunicado de Roland Garros não informa se a organização do torneio consultou ATP e WTA antes de determinar uma nova data. Do jeito que o cenário se apresenta hoje, sem mudanças nos outros eventos pós-US Open, haverá caos entre diretores de torneios, promotores e patrocinadores.

- O tweet acima é de Lui Carvalho, diretor do Rio Open, que também é diretor do ATP de Chengdu. Se ele não soube de nada antes do comunicado de Roland Garros…

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