PUBLICIDADE
Topo

Austrália x Brasil: de repente, um confronto ganhável

Lucas Balduíno/CBT
Imagem: Lucas Balduíno/CBT
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

05/03/2020 04h00

Há pouco mais de uma semana, o time brasileiro que disputa a Copa Davis parecia diante de um obstáculo intransponível. Desfalcado de Bruno Soares e Marcelo Melo, o time do capitão Jaime Oncins embarcaria rumo a Adelaide para jogar em quadras duras contra uma fortíssima equipe da casa, encabeçada por Nick Kyrgios (ex-número 13 do mundo) e Alex de Minaur (atual #26). Em poucos dias, porém, o cenário por uma briga na fase final da competição mudou drasticamente.

Kyrgios abandonou o ATP 500 de Acapulco por causa de uma lesão no punho esquerdo, e De Minaur não se recuperou totalmente de um problema abdominal sofrido antes do Australian Open. O capitão australiano, Lleyton Hewitt, foi forçado a cortar ambos e, para seus lugares, convocou Alex Bolt, #146 do mundo, e John Peers, duplista #31 do planeta.

Enquanto isso, o Brasil viu Thiago Wild deixar para trás o status de promessa, tornando-se uma feliz realidade com grandes atuações no Rio Open e no ATP 250 de Santiago. No torneio chileno, entrou com um convite dos organizadores e saiu com o troféu na mão, passando a ser o mais jovem brasileiro a vencer um torneio de nível ATP na história (a ATP adotou a atual estrutura de torneios em 1990). Logo, o que era um pequeno feixe de luz no fim do túnel agora é um canhão de luz digno de show do Coldplay: não é o que os donos da casa querem ouvir, mas a iluminação é suficiente para animar os visitantes.

O que pode jogar a favor do Brasil

Pressão no número 1? O time australiano vai para o confronto com John Millman (#43 do mundo), Jordan Thompson (#63), James Duckworth (#83), Alex Bolt (#146) e John Peers (duplista #31). O líder do time é Millman, um veterano de 30 anos com bastante experiência e um par de vitórias de peso no currículo - já eliminou Roger Federer em um slam. Em quadra dura, ele é favorito contra Monteiro e contra Wild. No entanto, Millman nunca foi número 1 da Austrália em um confronto de Davis. Nas três vezes que foi escalado, tinha sempre alguém para carregar o maior fardo. Seu histórico (uma vitória e duas derrotas) não é dos mais empolgantes. Como será que seu tênis aparecerá nesse novo papel?

O momento de Wild. É inegável que Thiago Wild vive um momento especial, tanto pelo que passou no Rio quanto pelo que conquistou em Santiago. O paranaense de 19 anos, atual número 2 do país e 113 do mundo, chegou a Adelaide e foi direto para a quadra. Levou consigo a empolgação e a confiança que adquiriu nas últimas semanas. E qualquer pessoa que saiba um pouco sobre o ambiente de Copa Davis sabe que essas sensações passam para o resto da equipe. Ter Wild no time é a esperança de uma vitória que parecia impossível duas semanas atrás. Muda o ambiente e mudam as expectativas. Talvez mudem as atuações e o resultado final.

Alívio para Monteiro. Indiscutível número 1 do país e estabelecido no top 100, Thiago Monteiro ainda não é um grande jogador de Copa Davis. A não ser pela partida contra o limitado belga Arthur De Greef em Uberlândia, o cearense não tem grandes atuações na competição contra adversários realmente relevantes. Com Wild no time e, principalmente, no momento atual, Monteiro pode entrar em quadra acreditando em um eventual triunfo do número 2 do país, o que tiraria um peso de suas costas. E quem sabe o quanto esse alívio pode ajudar a atuação do cearense?

A ordem dos jogos

O primeiro jogo do confronto será entre o número 2 da casa, Jordan Thompson, contra Thiago Monteiro. Em seguida, Wild enfrenta Millman. O segundo dia começa com as duplas, que estão escaladas assim: James Duckworth e John Peers pela Austrália, e Marcelo Demoliner e Felipe Meligeni pelo Brasil. Em seguida, são disputadas as simples invertidas: o quarto jogo é entre Millman e Monteiro; o quinto, se necessário, será entre Thompson e Wild.

Correndo o risco de soar como clichê, é de se esperar que o primeiro jogo dê o tom do confronto. Monteiro - sua versão 2020 é tecnicamente mais bem trabalhada, é bom lembrar - terá um jogo ganhável contra um Thompson que só jogou duplas na Davis do ano passado. Seu último jogo de simples foi um massacre aplicado por Dominic Thiem, que fez 6/1, 6/3 e 6/0 no saibro de Graz, na Áustria. No circuito, Thompson perdeu os dois últimos jogos que fez. O primeiro, no ATP 250 de Nova York, para Andreas Seppi. No segundo, em Delray Beach, abandonou quando perdia para Miomir Kecmanovic por 6/2. Não se sabe se seu tênis está bem aparado quanto seu notável bigode. É de se esperar que Monteiro tenha chances durante o encontro. Se aproveitá-las, vai colocar o Brasil em uma ótima posição.

Em seguida, Millman é o claro favorito contra Wild. Contudo, além do que já foi citado sobre ambos em parágrafos anteriores, pesará o resultado do jogo entre Monteiro e Thompson. Se Millman fez jogaços atuando livre, leve e solto contra Federer em Nova York e em Melbourne, talvez seja a vez de ele precisar encarar um Wild tão confortável quanto. E nós já vimos que Thiago Wild não vai nem respeitar demais Millman. As chances estão aí.

Nas duplas, a Austrália também entra como favorita, especialmente por causa da presença de Peers - uma estratégica convocação de última hora de Hewitt, aproveitando-se das ausências de Bruno Soares e, principalmente, Marcelo Melo, o mais em forma de nossos duplistas e que acabou de conquistar o ATP 500 de Acapulco. Enquanto os mineiros descansam (ambos alegaram preocupação com os Jogos Olímpicos para se ausentarem deste confronto - Melo recentemente postou sobre sua road trip nos EUA), cabe a Marcelo Demoliner tentar o improvável. Peers e Duckworth (ou qualquer um que substitua Duck) não são imbatíveis, mas são muito favoritos.

Onde e quando ver

Os jogos são sexta e sábado em Adelaide, no Memorial Drive Tennis Club, em quadras duras (GreenSet Academy). No horário de Brasília, as partidas começam às 23h30min na quinta-feira e às 22h30min na sexta-feira. O confronto será transmitido pelo DAZN.

O duelo vale uma vaga na fase final da Copa Davis, que será disputada na Caja Mágica, em Madri, em novembro.

Torne-se um apoiador do blog e tenha acesso a conteúdo exclusivo (posts, podcasts e newsletters semanais) e promoções imperdíveis.

Acompanhe o Saque e Voleio no Twitter, no Facebook e no Instagram.

Saque e Voleio