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Alemanha 2x0 Brasil: um primeiro dia que mostrou uma dura realidade

Divulgação/Gabriel Heusi/Heusi Action
Imagem: Divulgação/Gabriel Heusi/Heusi Action
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

07/02/2020 17h50

As pernas cheias de terra, o colo com alguns grãos de saibro que se acumularam em um escorregão, o suor descendo pelo cabelo de quem passou 1h40min buscando seu limite. A última imagem de Gabriela Cé nesta sexta-feira foi o retrato de um Brasil que lutou como podia, mas acabou superado por um time alemão que, mesmo desfalcado de Angelique Kerber e Julia Goerges, ainda é muito superior à equipe verde-e-amarela.

Não é um choque de realidade porque ninguém agiu como se fosse diferente, mas foram partidas que deixaram clara a diferença entre os dois países no tênis feminino. O primeiro dia de confronto em Florianópolis terminou com vitórias de Laura Siegemund (#73 do mundo) sobre Teliana Pereira (#359) e Tatjana Maria (#91) em cima de Gabriela Cé (#225). As alemãs agora só precisam de um triunfo no sábado para carimbarem sua vaga nas finais da Fed Cup, que serão disputadas em novo formato - como o da nova Davis.

Como aconteceu

No primeiro jogo do dia, Siegemund sobrou e fez 6/3 e 6/3. A alemã esteve em controle o tempo inteiro e, quando não esteve, deu a impressão de que podia voltar a dominar quando quisesse. Não por acaso, saiu atrás por 2/0 no segundo set e, depois de uma paralisação por chuva, venceu cinco games seguidos. A Teliana de hoje, é bom que se diga, já evoluiu muito desde que retornou ao circuito, mas ainda não é a Teliana que foi top 50. E, ainda que fosse, teria problemas diante desta Siegemund.

A segunda partida foi mais interessante, e o placar final, 6/3 e 7/6(5) para Maria, deu uma sensação de que Gabriela Cé poderia ter feito mais. A gaúcha, no entanto, já fez um bocado. Conseguiu evitar uma troca de bolas do fundo da quadra e trouxe a rival para um jogo mais perto do seu, com bolas altas e variações. No fim do segundo set, Maria usava mais slices de direita e esquerda do que top spins, mesmo quando tinha os ralis a seu favor.

Na prática, Gabi teve duas ótimas chances de forçar um terceiro set. Primeiro, com o placar em 5/6 e 30/30, mas errou um forehand perto do T. Aquela bola lhe renderia um set point no saque de Maria. Depois, com 5/5 no tie-break, a gaúcha tentou um smash caindo para trás e errou. O ponto lhe valeria um set point com o saque. Depois, com o serviço em 5/6, cometeu uma dupla falta.

Coisas que eu acho que acho:

- Depois de um dia sem vencer um set, o Brasil precisa de uma sequência improvável para sair vencedor. No cenário mais esperado, Siegemund fecha o duelo por 3 a 0 logo no primeiro jogo do dia, contra Cé. O jogo começa às 10h30min (de Brasília) e tem transmissão ao vivo do DAZN.

- Há tempos, um time brasileiro não tinha um uniforme tão bonito quando este da Fed. Parabéns à WA Sport. Dito isto, é preciso apreciar a ironia de que o uniforme de hoje lembra muito mais os Correios do que quando a estatal patrocinava a Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

- Aproveitando o embalo, a CBT anunciou neste fim de semana um novo patrocinador máster, que é o Banco de Brasília, o BRB. Não é uma empresa estatal, mas o maior acionista é o governo de Distrito Federal. Bom negócio da CBT, que se aproveitou de problemas burocráticos da Confederação Brasileira de Basquete e assinou um contrato de R$ 2 milhões até o fim do ano.

- O negócio é igualmente bom (ou melhor ainda) para o BRB, que vai estampar sua marca em tudo relacionado ao tênis brasileiro e pagar R$ 2 milhões por muita exposição (já está na Fed Cup) em ano olímpico.

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