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Federer pena, mas salva sete match points contra #100 do mundo e vai à semi

Roger Federer nas quartas de final do Australian Open - Reuters
Roger Federer nas quartas de final do Australian Open Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

28/01/2020 04h46

Roger Federer nunca havia perdido para um tenista ranking abaixo de 54 no Australian Open e somava 14 vitórias em 14 quartas de final em Melbourne. Do outro lado, o americano Tennys Sandgren, 28 anos, #100 do mundo, buscava alcançar uma semifinal de slam pela primeira vez na carreira. O favoritismo era todo do suíço e, após meia hora de jogo, parecia que ia se confirmar rapidamente. Não foi bem assim.

O cenário mudou radicalmente após o segundo set. Federer perdeu a paciência, falou um raro palavrão e foi advertido pela árbitra de cadeira. Em sete ocasiões, o suíço, que se movimentava mal em quadra e também solicitou tempo médico, esteve a um ponto de ser a vítima da maior zebra do torneio. Por sete vezes, contudo salvou-se. No fim, tirou da cartola um triunfo por 6/3, 2/6, 2/6, 7/6(8) e 6/3, após 3h31min de jogo, e conquistou a vaga para as semifinais em Melbourne.

Federer agora espera para enfrentar mais uma vez o número 2 do mundo, o sérvio Novak Djokovic, que fez 6/4, 6/3 e 7/6(1) em cima do canadense Milos Raonic (#35) na sessão noturna desta terça.

Como aconteceu

A partida começou como um duelo rotineiro entre Federer e um azarão. Depois de salvar um break point no primeiro game, o suíço foi o melhor em quadra, ameaçando o saque de Sandgren no segundo e no quarto games. No sexto, finalmente conseguiu a quebra para fazer 4/2. Sem titubear, confirmou seu saque sem drama até fazer 6/3.

O cenário começou a mudar já no segundo game do segundo set. Sandgren anotou uma quebra, abriu 3/0 e, cometendo poucos erros, forçou Federer a jogar. O suíço passou a falhar muito e terminou a parcial com 15 erros não forçados. O azarão não só confirmou seu serviço sem drama como anotou mais uma quebra e fez 6/2 na parcial.

O que sugeria um breve momento instável de Federer, algo que já havia acontecido nos jogos anteriores, começou a tomar tons dramáticos no terceiro set. Depois de Sandgren sair na frente com uma quebra de saque, o suíço foi punido por falar um palavrão e iniciou uma longa discussão com a árbitra de cadeira enquanto o rival esperava para sacar em 30/40. O momento não esfriou Sandgren, que confirmou o serviço e abriu 3/0.

Foi aí, então, que Federer pediu tempo médico e saiu da quadra para receber atendimento. Quando a partida recomeçou, pouco mudou. O suíço seguia movimentando-se mal e impreciso. Seu primeiro saque, que normalmente tem mais de 180km/h de média, registrou 173 km/h de média na terceira parcial. Sandgren aproveitou, manteve seus games de saque e teve seguidos set points com o rival sacando em 2/5. No sexto, o suíço jogou uma esquerda na rede e perdeu a parcial.

Sete match points salvos

Roger, que nunca abandonou uma partida na carreira, manteve-se em quadra e lutando. Graças a bons saques, manteve o placar igualado por um bom tempo. No décimo game, porém, errou um backhand fácil para deixar o game em "iguais". Em seguida, cedeu três match points, mas o americano desperdiçou todos, errando uma esquerda e duas direitas.

A torcida, sempre a favor do suíço, acordou para o jogo, e Federer respondeu com uma direita que lhe rendeu um break point com o placar em 5/5. O azarão, contudo, se salvou e confirmou o saque mais uma vez. A decisão do set só veio no tie-break e com mais uma bela dose de drama. Sandgren abriu 6/3, mas Roger salvou os três match points seguidos e, pouco depois, um sétimo ponto do jogo (veja todos os match points salvos por Federer no vídeo abaixo). Com um set point contra, o americano vacilou. Jogou para longe um smash e viu o jogo mergulhar no quinto set.

A maré mudou outra vez. Federer, que já se movimentava melhor e voltava a sacar com a velocidade habitual, já não passava aperto em seus games. Agora era o americano que sofria. Sandgren salvou dois break points no segundo game, mas sucumbiu no sexto. Federer abriu 4/2 e, com a confiança de sempre, não olhou mais para trás.

Barty a dois triunfos do título

O grande jogo feminino da sessão diurna desta terça-feira terminou com vitória de Ashleigh Barty (#1) sobre Petra Kvitova (#7) por 7/6(6) e 6/2. A partida teve um set inicial excelente, com a tenista tcheca emparelhando a partida com sua potência, sempre que possível agredindo já na devolução. Petra teve várias chances na parcial, mas perdeu cinco break points no sétimo game e mais duas chances de quebra no 11º.

No tie-break, a tcheca abriu 3/2 com uma mini-quebra de vantagem, mas perdeu os dois pontos seguintes, deixando que Barty se mantivesse perto no placar. Kvitova também teve um set point, mas mandou uma bola longe e jogou a chance ela janela. Três pontos depois, Barty fechou o tie-break. A desvantagem desestabilizou Kvitova, enquanto a australiana manteve-se sólida e usando todo tipo de variação - curtinhas, slices, subidas à rede e lobs. Barty logo abriu 4/0 no segundo set e, apesar de Kvitova devolver uma das quebras, era tarde demais para a tcheca diante da sólida tenista da casa.

A número 1 do mundo agora será favoritíssima em sua semifinal contra a americana Sofia Kenin (#15), de 21 anos, que venceu uma partida dura contra a tunisiana Ons Jabeur (#78), primeira mulher árabe a passar da terceira rodada em um slam. Kenin triunfou por 6/4 e 6/4 e fará sua primeira semifinal de slam na carreira.

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