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Rio Open 2020 usará sistema de replay mais preciso que o Hawk-Eye

Sistema FoxTenn em ação na WTA - Reprodução/YouTube/WTA
Sistema FoxTenn em ação na WTA Imagem: Reprodução/YouTube/WTA
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

23/01/2020 14h28

Toda vez que um árbitro desce da cadeira para conferir uma marca, e o tenista começa a discutir, questionando a decisão do oficial, alguém aparece para fazer a pergunta: "Por que não se usa o Hawk-Eye no saibro?" A resposta é até simples: o olho humano é mais confiável do que a margem de erro do sistema eletrônico. E nem é só isso. Para funcionar em condições ideais no saibro, o Hawk-Eye precisaria ser calibrado ao fim de cada partida. Afinal, em quadras de terra batida, há variações na superfície a cada momento. Eu já publiquei a explicação completa dois anos atrás aqui no blog, então basta clicar no link para evitar a redundância.

Se o Hawk-Eye não pode ser utilizado no saibro, existe, então, alguma possibilidade de automatizar as chamadas de linha, evitando que os árbitros de cadeira desçam o tempo inteiro? Sim, ela existe e vai funcionar no Rio Open deste ano pela primeira vez em um torneio de nível ATP. O sistema, chamado FoxTenn, já foi homologado pelas entidades que regem o tênis (ATP, WTA e ITF) e será utilizado no saibro pela primeira vez no calendário da ATP nesta temporada.

As diferenças entre os sistemas concorrentes são consideráveis. Enquanto o Hawk-Eye usa câmeras para estimar a trajetória da bola e seu impacto com a quadra, com uma pequena margem de erro (não divulgada pela empresa responsável), o FoxTenn usa câmeras para analisar o quique real da bola. Para isso, há a utilização de 40 câmeras de altíssima velocidade, capazes de captar 2.500 frames por segundo, e dez lasers de alta velocidade.

O resultado final, para quem está vendo ou disputando a partida, é que os telões vão mostrar a imagem real do quique da bola e seu contato com o solo em vez de "apenas" uma projeção computadorizada como faz o Hawk-Eye. Assim, é possível utilizar o replay com confiabilidade no saibro. Veja aqui, na prática, como foi no WTA de Wuhan (na marca de 1'10" do vídeo).

Comparação entre o sistema de replay FoxTenn e o Hawk-Eye no tênis - Reprodução/Foxtenn.com - Reprodução/Foxtenn.com
Imagem: Reprodução/Foxtenn.com

A ATP autorizou três torneios de saibro a utilizarem o sistema (que já foi usado, também como teste, em um Challenger em Barcelona): um ATP 250, um ATP 500 e um Masters 1000. O evento carioca é o evento de nível 500.

Uma diferença considerável em relação ao Hawk-Eye, utilizado na maioria dos torneios, é que a regra para sua utilização será outra. Enquanto os tenistas têm direito a três desafios errados por set com o Hawk-Eye, no saibro, com o FoxTenn, os atletas poderão pedir quantos desafios quiserem. Isso é feito para manter o protocolo existente nos torneios de saibro. Do mesmo jeito que os tenistas podem sempre pedir para que os árbitros desçam da cadeira para conferir as marcas, poderão solicitar o funcionamento do FoxTenn à vontade.

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