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AO, dia 3: Wozniacki brilha, Djokovic domina e Osaka vai duelar com Gauff

Caroline Wozniacki na segunda rodada do Australian Open 2020 - Reuters
Caroline Wozniacki na segunda rodada do Australian Open 2020 Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

22/01/2020 02h28

A sessão diurna do terceiro dia do Australian Open teve um destaque óbvio: Caroline Wozniacki, que adiou sua aposentadoria por pelo menos dois dias ao derrotar a ucraniana Dayana Yastremska, #21 aos 19 anos, por 7/5 e 7/5. A ex-número 1 do mundo, atual #36, entrou na Margaret Court Arena diante de uma grande possibilidade de fazer sua última partida como tenista profissional.

Com o fim da carreira marcado para o término de sua participação neste torneio, ela teve um começo de jogo mesmo pavoroso. Yastremska rapidamente abriu 5/1 e parecia rumar para um atropelo. No entanto, em uma dia de muito vento, Wozniacki conseguiu entrar na partida, alongar os pontos e ganhar as trocas de bola mais demoradas. Fazendo o que fez de melhor em sua carreira, a ex-número 1 foi consistente, venceu seis games seguidos e fechou a primeira parcial por 7/5.

A segunda parcial teve começo semelhante. Yastremska abriu 3/0, com duas quebras de saque e sem deixar que Wozniacki vencesse sequer um ponto com o serviço. Entretanto, a consistência da veterana prevaleceu outra vez e, pouco depois, o set esteve empatado em 4/4. A ucraniana agredia, a dinamarquesa se defendia e alongava os ralis o quanto conseguia. No fim, a regularidade levou a melhor. Yastremska salvou três match points no décimo game e mais dois no 12º, mas um erro não forçado finalmente deu a vitória a Wozniacki.

No fim das contas, a atuação com 15 winners e 15 erros não forçados (contra 36 e 47 de Yastremska, respectivamente) foi um microcosmo da carreira de Wozniacki: consistência derrotando poder de fogo. Assim, ela sobrevive no torneio e vai à terceira rodada para enfrentar a tunisiana Ons Jabeur (#78), que estreou derrotando a favorita Johanna Konta e, nesta quarta, bateu a francesa ex-top 10 Caroline Garcia por 1/6, 6/2 e 6/3.

Djokovic domina com o serviço, Tsitsipas avança por WO

O heptacampeão do Australian Open deu conta do recado e passou à terceira rodada com uma confortável vitória sobre o japonês Tatsuma Ito (#146) por 6/1, 6/4 e 6/2. O destaque da tarde para Djokovic foi seu rendimento com o saque, especialmente nos dois primeiros sets. No período, Ito venceu apenas dois pontos quando encaixou a devolução. Sem ser ameaçado no saque, Nole fez sua excelente devolução trabalhar.

Em busca do oitavo troféu em Melbourne e o 17º em um slam, o sérvio agora vai enfrentar outro japonês na terceira rodada: Yoshihito Nishioka, que derrubou o cabeça 30, Dan Evans, nesta quarta-feira, por 6/4, 6/3 e 6/4.

A decepção dia dia ficou por conta do jogo entre Stefanos Tsitsipas (#6) e Philipp Kohlschreiber (#79), que não aconteceu. O alemão alegou um problema muscular e desistiu do torneio antes do confronto. O grego de 21 anos ganhou a vaga na terceira rodada e vai encarar o chileno Cristian Garín ou o canadense Milos Raonic.

Número 1 aproveita boa chave

Depois de uma estreia nervosa, Ashleigh Barty, a queridinha australiana e líder do ranking mundial, venceu sem grandes complicações nesta quarta. Ela fez 6/1 e 6/4 em cima da eslovena Polona Hercog (#48) e passou à terceira rodada. Não foi lá uma atuação exuberante da australiana - em um dia de muito vento, as condições não eram favoráveis - mas foi o suficiente para lhe garantir um lugar na terceira rodada de uma chave que lhe é favorável.

Em busca de uma vaga nas oitavas, Ash vai encara a vencedora do jogo entre a qualifier belga Greetje Minnen (#119) e a cazaque Elena Rybakina (#26). A tenista da cada segue favoritíssima para alcançar pelo menos as quartas de final, quando pode ter um duelo duríssimo com Petra Kvitova.

Kvitova, aliás, teve mais dificuldades do que o esperado - também sofreu com o vento, que costuma incomodar mais quem joga de maneira muito agressiva e pouco spin. A tcheca, número 8 do mundo, avançou em dois sets, mas por apertados 7/5 e 7/5 sobre a espanhola Paula Badosa (#97). Petra cometeu 28 erros não forçados (31 winners) e por muito pouco não precisou de um terceiro set. Evitou o tempo extra em quadra ao sair de um pequeno buraco em 4/5 e 0/40 na segunda parcial. Depois disso, aproveitou o momento e passou à terceira rodada.

Cori Gauff: 15 anos e na terceira rodada

Sensação adolescente que rouba holofotes desde que derrubou Venus Williams na primeira rodada em Wimbledon/2019, a americana Cori Gauff, de 15 anos, volta a alcançar a terceira fase de um slam - o que já conseguiu em Londres e no US Open do ano passado. Desta vez, a vaga veio com um triunfo em cima da romena Sorana Cirstea (#74) por 4/6, 6/3 e 7/5. Foi o primeiro jogo de slam na carreira de Gauff em que ela entrou em quadra como a tenista de melhor ranking.

Atual #67 do mundo, a adolescente terá uma adversária bem mais complicada na próxima fase. Ela vai encarar a japonesa Naomi Osaka, atual campeã do torneio e #4 do planeta. As duas duelaram também na terceira rodada do US Open, no ano passado, a Gauff venceu apenas três games. A japonesa fez 6/3 e 6/0. A americana, que terminou a partida sob lágrimas, foi encorajada por Osaka a dar entrevista ainda em quadra. A cena ficou famosa e circulou mundialmente nas redes sociais (veja acima).

Naomi Osaka, por sua vez, se classificou em sets diretos em mais uma atuação cheia de falhas. Nesta quarta, foram 30 erros não forçados em 18 games na vitória por 6/2 e 6/4 em cima da chinesa Saisai Zheng (#42), que nunca passou da segunda rodada em slams. Osaka (#4) tem margem para jogar mal em seguidos momentos e vencer ser drama nas rodadas iniciais de um torneio assim. Resta saber se ela vai calibrar seu tênis a tempo de encarar a consistente Gauff e, quem sabe, em um eventual duelo de oitavas de final contra encarar Serena Williams. Como a própria japonesa admitiu na entrevista pós-jogo ainda em quadra, ela tem 2 mil pontos a defender e pode tombar até para o nono lugar do ranking se não for longe em Melbourne.

Cabeças que rolaram

Em uma partida atrasada da primeira rodada, a bielorrussa Aryna Sabalenka, #12 do mundo e vindo de uma semifinal no WTA de Adelaide, fez uma partida errática e tombou diante de Carla Suárez Navarro (#54). A espanhola, que vinha em uma sequência de cinco derrotas no circuito e não ganhava um jogo oficial desde agosto do ano passado, venceu dois tie-breaks e avançou por 7/6(6) e 7/6(6).

Não chega a ser uma surpresa total, mas vale o registro da queda de Petra Martic, cabeça 13 do torneio e #14 do mundo. A croata foi eliminada de virada pela alemã ex-top 10 Julia Goerges (atual #39): 4/6, 6/3 e 7/5. Foi a terceira vitória de Julia em três jogos contra Petra, e a alemã agora vai lutar por uma vaga nas oitavas contra a americana Alison Riske (#19), que vem de vitória sobre a chinesa Lin Zhu (#71) por 6/3 e 6/1.

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