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Por que Djokovic e Federer, do mesmo lado, 'venceram o sorteio' no AO

Novak Djokovic com o troféu do Australian Open na cerimônia de sorteio das chaves - Tennis Australia
Novak Djokovic com o troféu do Australian Open na cerimônia de sorteio das chaves Imagem: Tennis Australia
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

17/01/2020 04h00

Novak Djokovic é o tenista em melhor momento no planeta atualmente. Roger Federer, por sua vez, continua sendo o grande e temido Roger Federer. Os dois estão do mesmo lado da chave do Australian Open, o que pode provocar um encontro nas semifinais. No entanto, ainda que o sorteio desta quinta-feira tenha colocado os dois em rotas conflitantes rumo à final, é possível dizer que ambos tiveram uma boa dose de sorte na composição das chaves. E os motivos ficam claros quando olhamos para a outra metade da chave:

1. Rafael Nadal: Khachanov ou Kyrgios + Thiem

Atual número 1 do mundo e vice-campeão do Australian Open, Rafael Nadal não se deu nada bem nesse sorteio. Não é que o espanhol não possa avançar e alcançar a decisão mais uma vez, mas o cenário mais provável aponta para um caminho árduo. Rafa, afinal, pode encontrar Karen Khachanov ou Nick Kyrgios já nas oitavas de final e Dominic Thiem nas quartas. Kyrgios, historicamente, sempre deu trabalho ao espanhol. Thiem já soma quatro triunfos em confrontos diretos e, na única vez que encarou Rafa em quadras duras, aplicou um pneu e levou o veterano ao tie-break do quinto set.

Isso significa que Nadal pode ser forçado a fazer duas partidas longas antes de encontrar Daniil Medvedev, o outro favorito para estar nas semifinais. O russo, lembremos, exigiu horrores de Nadal tanto na final do US Open (Nadal venceu por 6/4 no quinto set) quanto no ATP Finals do ano passado (Rafa triunfou no tie-break do set decisivo). E se o número 1 do mundo, que descansou pouquíssimo desde a última temporada, jogando Copa Davis, ATP Cup e um torneio de exibição em Abu Dhabi, não chegar fisicamente inteiro nessa semifinal, suas chances diminuem drasticamente.

2. Medvedev: o quadrante mais duro

Se existe alguém com potencial para amaldiçoar o responsável pelo sorteio, essa pessoa joga com bandeira russa e tem residência em Monte Carlo. Para confirmar seu favoritismo e chegar pelo menos à semi, o número 4 do mundo terá todo tipo de obstáculo pela frente. Desde o perigoso Frances Tiafoe na primeira rodada até um possível encontro com o sempre temido (ainda que instável) Jo-Wilfried Tsonga na terceira fase, incluindo Wawrinka/Isner nas oitavas e, nas quartas, o vencedor da seção que tem Zverev, Rublev, Verdasco e Goffin.

Depois de ótimas atuações na ATP Cup - incluindo uma partida duríssima contra Djokovic - Medvedev está novamente bem cotado em um slam. Obviamente, ele tem o potencial para atropelar essa chave, mas sua margem para dias ruins, especialmente na primeira semana, fica reduzidíssima.

3. Federer: Berrettini e as probabilidades

O suíço, atual número 3 do mundo, foi quem deu mais sorte no sorteio do cabeça oposto do quadrante. Enquanto Nadal tem Thiem, Medvedev caiu com Zverev e Djokovic tem a companhia de Tsitsipas, Federer está no quadrante de Matteo Berrettini, número 8 do mundo, vindo de lesão e sem fazer uma campanha digna de seu ranking desde a surpreendente semifinal do US Open.

É justo dizer, aliás, que os maiores obstáculos de Roger estão no meio do caminho até a semi. Primeiro, ele pode encarar o perigoso Hurkacz, cabeça 31, na terceira rodada. Vale lembrar, porém, que o polonês só venceu dois jogos de slam no ano passado e foi eliminado na estreia em três dos quatro torneios. Depois, Federer pode encontrar Dimitrov ou Shapovalov nas oitavas. Aí a coisa fica interessante. O búlgaro eliminou Federer do US Open no ano passado, e o canadense vem jogando o melhor tênis de sua vida. Ainda assim, as probabilidades aqui jogam a favor do suíço. Esperar outro triunfo de Dimitrov é contar com o segundo raio caindo no mesmo lugar (Federer vence o H2H por 7 a 1). Shapo, por sua vez, terá de lidar com uma grande expectativa pela primeira vez em um slam. Além disso, existe a chance de búlgaro e canadense fazerem um duelo desgastante na terceira rodada, o que facilitaria ainda mais a vida do veterano suíço.

Passando das oitavas, Federer então teria um jogo de quartas contra o vencedor da seção de Berrettini, e tudo aponta que não será o italiano. Pode aparecer, contudo, um Fabio Fognini ou um Borna Coric. Os dois devem estar salivando com a chance proporcionada pelo sorteio.

4. Djokovic: apenas Tsitsipas

Zebras (e lesões) acontecem em todos torneios, mas é difícil olhar para esta chave do Australian Open e imaginar Novak Djokovic caindo antes das semifinais. O número 2 do mundo estreia contra Struff, depois encara Ito ou um qualifier e, na terceira rodada, encontra Evans, McDonald, Nishioka ou Djere. Para as oitavas, o freguês Schwartzman e o compatriota Lajovic são os rivais mais prováveis.

Nas quartas, sim, Djokovic teria pela frente um nome de peso, que pode ser Tsitsipas, Bautista Agut, Cilic ou Raonic ou algum outro azarão. Resumindo? Até as semifinais - pelo menos - o caminho é muito bom para o sérvio chegar ao oitavo título em Melbourne.

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