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Djokovic: dominante, decisivo e mais favorito do que nunca na Austrália

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

14/01/2020 12h53

A ATP Cup terminou no último domingo, coroando a Sérvia de Novak Djokovic, Dusan Lajovic e Viktor Troicki sobre uma Espanha que tinha, além de Rafael Nadal, um sólido Roberto Bautista Agut, Feliciano López e Pablo Carreño Busta. Um time, porém, que não contou com o esgotado número 1 na partida decisiva de duplas.

Mais do que premiar a Sérvia e os muitos torcedores do país que estiveram em Sydney para a fase final da competição, a ATP Cup deixou um par de coisas bem claras: 1) Novak Djokovic em forma é o melhor tenista do circuito atualmente; e 2) ele chega a Melbourne como favorito mais uma vez - possivelmente, mais favorito do que nunca, já que desta vez leva a vantagem mental de triunfos bastante significativos sobre Nadal e Medvedev.

Nole terminou a ATP Cup invicto em simples e duplas e nem foi espetacular do começo ao fim da competição. Entre suas oito vitórias, passou aperto contra um afiado Kevin Anderson e oscilou contra Shapovalov. Quando foi mais exigido, contudo, deu as respostas esperadas de um grande campeão. Foi bravo contra Medvedev e soberbo contra Nadal. E, para completar a campanha, distribuiu devoluções dominantes no duelo de duplas contra a Espanha


O triunfo sobre o número 1 do mundo merece destaque. Novak entrou em quadra com um tênis fulminante, sufocando o saque de Rafa. Nadal até passou a confirmar seus saques com menos drama no segundo set, mas Nole brilhou no único momento em que esteve realmente pressionado: um 0/40 que veio depois de dois erros não forçados no sexto game. O sérvio jogou três pontos perfeitos em sequência e salvou outros dois break points para confirmar e manter o placar igualado.

No tie-break, mais uma atuação impecável. Djokovic, aliás, venceu 17 dos últimos 20 tie-breaks que disputou. Esta estatística é, provavelmente, a mais relevante sobre a capacidade de Nole de mostrar seu melhor tênis nos pontos grandes, até porque a lista com os 17 games de desempate vencidos inclui os três da final de Wimbledon, diante de Federer, e outros contra gente como Nadal, Thiem, Del Potro, Anderson, Dimitrov, Pouille e outros.

Coisas que eu acho que acho:

- Já escrevi sobre como a ATP Cup chegou ao fim de sua primeira edição computando uma enorme vitória moral sobre a Copa Davis. Isso não quer dizer, contudo, que o evento tenha sido perfeito. Assim como na Davis, houve jogos entrando pela madrugada australiana, o que é sempre ruim. Além disso, a logística foi alvo de críticas dos jogadores, especialmente da Espanha.

- A Espanha acabou sendo prejudicada pela maneira como o evento se desenrolou. O time jogou na quarta em Perth, e teve de viajar até Sydney para a fase final. Teve de encarar um voo longo (4h), a diferença de fuso horário (3h) e pouco tempo de adaptação na quadra de Sydney. É inegável que a Sérvia, que jogou a primeira fase em Brisbane (1h30min de voo até Sydney e 1h de diferença de fuso), teve a vida menos complicada.

- Importante lembrar: Djokovic, Nadal e Medvedev - entre outros - fizeram partidas longas e disputadíssimas durante a ATP Cup. As próximas semanas vão mostrar se esse desgaste físico, incomum no pré-Australian Open, vai afetar suas chances no primeiro slam da temporada. Federer, que fez uma longa turnê de amistosos pela América, não disputou a ATP Cup e começará o AO inegavelmente mais fresco.

- Sobre as condições de jogo do qualifying e a qualidade do ar em Melbourne, que o UOL Esporte já registrou aqui, escrevo mais tarde.

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