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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O Botafogo não pode mais depender de crises ou dramas para se mobilizar

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

30/06/2022 20h59

O Glorioso perdeu seis de seus últimos oito jogos. Os únicos dois que venceu, contra São Paulo e Inter, estão relacionados a episódios que acabaram despertando motivações extras. A absurda invasão ao CT diante dos paulistas, e os erros de arbitragem contra os gaúchos. Nas demais partidas, incluindo a derrota para o América, pelas oitavas da Copa Brasil, o comportamento do time foi extremamente apático.

Contra Palmeiras e Coritiba, principalmente, a mesma passividade na marcação e pouca competitividade foi vista. Nas derrotas para Avaí e Goiás, em casa, o time foi murchando a medida que não alcançava os objetivos durante os 90 minutos. Já passou da hora de entender que sem a devida ''pegada'' e concentração, a temporada será muito mais sofrida que o sonhado.

Vagner Mancini não pôde contar com os zagueiros Conti e Iago Maidana. Jaílson foi desfalques também Cavichioli seguiu na meta. Luan Patrick ganhou espaço ao lado de Eder e Danilo Avelar foi para a lateral-esquerda. Marlon, Felipe Azevedo e Henrique Almeida perderam espaço. Pedrinho e Wellington Paulista ganharam chance. Já Luis Castro teve dez desfalques. Cuesta e Erison os principais.

O Botafogo teve sorte de levar apenas um gol nos primeiros 15 minutos. Foi uma avalanche americana em sua área. Patric e Everaldo geravam superioridade numérica em cima de Hugo pela direita, Chay não auxiliava. Pedrinho não era encontrado por Daniel Borges e Philipe Sampaio. Kanu e Carli demoravam a reagir nas bolas alçadas. Kayque e Patrick de Paula estavam sempre atrasados. O Coelho atropelou logo de cara!

Abriu o placar com Wellington Paulista de cabeça, aos seis minutos, aproveitando cruzamento de Patric. Pedrinho, Everaldo e o próprio camisa 9 ainda tiveram boas oportunidades para ampliar. A estratégia de ser vertical com conduções de bola de Alê e Juninho ou acionando Patric em profundidade deu certo. Avelar era menos ofensivo pela esquerda, mas acrescentava demais na iniciação das jogadas. O Botafogo só olhava.

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Como América e Botafogo iniciaram a partida válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2022
Imagem: Rodrigo Coutinho

O alvinegro ainda conseguiu acertar a trave duas vezes. Depois da metade da etapa inicial, o Coelho recuou suas linhas de marcação e Daniel Borges aproveitou duas cochiladas de Pedrinho para receber em profundidade pela direita. Em uma delas cruzou para Matheus Nascimento acertar o poste. A promessa finalizaria na outra trave logo depois. Chay recebeu nas costas dos volantes e serviu o centroavante.

Foi a senha para o time da casa retomar a carga inicial e criar mais uma quantidade de jogadas, novamente aproveitando a passividade carioca. Aos 35', Danilo Avelar marcou um lindo gol de cabeça em escanteio cobrado por Patric. Gatito Fernandez impediu o terceiro gol em duas ocasiões. Primeiro em finalização de Pedrinho, e depois em chute de Alê, ambas cara a cara.

Luis Castro sacou Philipe Sampaio e Daniel Borges no intervalo. Jeffinho e Saravia entraram. Desfez o esquema com três zagueiros e quis mais agressividade na marcação a Pedrinho com o argentino no setor dele. Não funcionou. O cenário da partida não se alterou. Lucas Kal já tinha perdido um gol embaixo da trave quando Pedrinho serviu Marlon pela esquerda. Ele cruzou de forma perfeita e Alê marcou o terceiro aos 13'.

Jeffinho e Diego Gonçalves conseguiram melhorar a produção ofensiva do Glorioso ao longo do 2º tempo. Eles perderam boas chances de diminuir. Chay subiu de produção, mas o alvinegro não pode reclamar da sorte. Gatito impediu o quarto gol americano em finalização potente de Felipe Azevedo da entrada da área.

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Matheus Nascimento, do Botafogo, lamenta chance perdida contra o América-MG, pela Copa do Brasil
Imagem: Fernando Moreno/AGIF

O Botafogo possui problemas táticos e técnicos também. A bola parada aérea defensiva é frágil. O time se espaça quando tenta marcar no campo de ataque e o nível do elenco, mesmo superior ao que foi visto no Estadual, ainda está longe do suficiente para brigar pelas primeiras posições da Série A. Tudo isso, porém, piora quando se entra em campo com a falta de foco ocorrida no gramado do Independência.