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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Resultado foi ruim, mas desfalcado Timão mostrou mais futebol que o Boca

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

28/06/2022 23h25

O Timão entrou em campo sem seis jogadores importantes, quatro deles são referências técnicas e titulares com frequência. Mesmo assim fez um bom jogo diante do Boca Juniors. Para os ''resultadistas'' isso não importa. Afinal, o 0x0 mostra que os paulistas não aproveitaram o mando para abrir vantagem no duelo de oitavas de final. Mas quem disse que o Corinthians, em evolução, não pode voltar classificado da Bombonera?

Repleto de desfalques, Vitor Pereira escalou uma equipe com oito jogadores formados na base do clube. João Victor voltou à zaga e Fágner formou o trio com ele e Raul Gustavo. Mantuan atuou na ala-direita. Já Sebastian Battaglia montou o seu 4-3-3 de quase sempre. Sandez substituiu o suspenso Fabra na lateral-esquerda. Zeballos foi titular e Salvio, prestar a assinar com o Pumas, ficou no banco.

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Como Corinthians e Boca Juniors começaram o jogo válido pelas oitavas de final da Libertadores 2022
Imagem: Rodrigo Coutinho

O Corinthians perdeu uma grande oportunidade de ir para o intervalo vencendo em um 1º tempo de poucas chances. Róger Guedes desperdiçou um pênalti cobrado a meia altura no canto direito de Rossi, que voou para fazer a defesa. A penalidade máxima acabou fazendo justiça ao time que esteve mais perto de marcar. O Timão lidou bem com as adversidades impostas pelo Boca.

Se não produziu tantas chances, méritos também de um sistema defensivo argentino bem organizado, circulou a bola com velocidade e se impôs dentro de seu estádio. Willian flutuou bastante a partir do lado esquerdo, tentou acionar o flanco contrário para que Adson e Mantuan se associassem. Róger Guedes também se aproximava. Giuliano tentava compensar infiltrando, mas a bola chegou pouco à área.

Faltava uma distribuição mais vertical por parte dos zagueiros e de Roni, mas os Xeneizes negavam espaços pelo meio, não se descompactavam entre meio e defesa, e dificultavam os acessos para os paulistas. Mesmo retendo a bola na primeira metade do 1º tempo, o Boca não era agressivo. Trocava passes a espera de alguma lacuna cedida pelo Timão em sua última linha, algo que não aconteceu.

A principal forma de ataque dos visitantes era o contragolpe. Zeballos e Villa eram acionados em velocidade e criaram duas boas chances. O primeiro aproveitou erro de passe de Raul Gustavo para cruzar na medida para Benedetto. A cabeçada saiu fraca e Cássio pegou. O camisa 9 foi mais contundente na reta final do 1º tempo. Recebeu cruzamento de Villa e emendou de canhota no ângulo esquerdo. Cássio fez milagre.

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Adson deu trabalho ao lado esquerdo da defesa do Boca
Imagem: MAURíCIO RUMMENS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

De uma forma geral o Corinthians fez boas transições defensivas, não era um time exposto. Sobrava também intensidade e concentração, mesmo comportamento dos argentinos, o que tornou a partida muito interessante. Fágner sentiu e foi substituído no intervalo. Bruno Méndez entrou na mesma função, sem alterar nada no esquema tático.

O jogo ficou mais aberto no 2º tempo. O Boca passou a trocar passes mais atrás, tentando atrair o Corinthians para encontrar espaços no campo de defesa na sequência. Em alguns momentos conseguiu. Em contrapartida, tinha menos energia pra marcar, o que gerou chances mais claras aos paulistas. Willian fez grande jogada logo aos 45 segundos e Rojo salvou dois gols certos em finalizações de Giuliano e Mantuan.

Adson também perdeu boa chance em cruzamento rasteiro de Mantuan pela direita. O Boca assustou em cobrança de falta de Óscar Romero aos 7'. Cássio voou e fez grande defesa. Ansioso para fazer o gol, o Corinthians passou a cometer mais erros na troca de passes e forçar algumas jogadas, o que deu possibilidades de contra-ataque aos argentinos. Ponto, porém, para o trio de zaga, que protegeu muito bem a área.

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Róger Guedes bate o pênalti defendido por Rossi no 1º tempo
Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF

O jogo em Buenos Aires terá um caráter diferente, e entender as debilidades do Boca quando precisa criar diante de uma defesa fechada será importante. Controlar a altura do bloco de marcação para não recuar demais é determinante. O empate por 1x1 na Argentina, na fase de grupos, tem que servir de exemplo. O Timão começou bem, mas foi muito pressionado em dois terços do jogo, algo que não pode ocorrer.