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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Entenda os encaixes de marcação do São Paulo contra o Palmeiras

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

24/06/2022 10h17

O Tricolor venceu o primeiro ''Choque-Rei'' das oitavas de final da Copa do Brasil 2022. A chave para explicar o triunfo passa pela repetição da estratégia utilizada na derrota para o mesmo Palmeiras três dias antes. Definir os encaixes de marcação e as perseguições individuais para travar o alviverde. Mas o que foi diferente desta vez? Afinal de contas, o São Paulo acabou derrotado no jogo válido pelo Brasileirão

Dois detalhes ajudam a explicar. O primeiro é a baixa intensidade dos palmeirenses para se mexer e vencer os duelos, confundir a marcação adversária. O segundo é a permanência de Calleri e Rodrigo Nestor em campo ao longo da 2ª etapa.

A exemplo do que aconteceu na segunda-feira, o time do Morumbi recuou depois do intervalo. Executar esse tipo de marcação no campo adversário durante os 90 minutos é impossível. Principalmente neste momento da temporada. São jogos decisivos em sequência no insano calendário brasileiro. O time precisa recuar para reduzir a distância percorrida. E é aí que entra a importância do meia e do atacante.

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Como São Paulo e Palmeiras iniciaram o jogo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Calleri é primordial para reter a bola no campo de ataque e dar desafogo ao sistema defensivo. No momento em que foi substituído no ''Choque-Rei'' do Brasileirão, o São Paulo deixou de ter isso, e a pressão palestrina aumentou. Ele é um importante contraponto ao volume adversário em situações desta natureza. Rodrigo Nestor, atacando espaços e oferecendo apoio ao centroavante, é mais um fundamental.

Rogério Ceni definiu os encaixes de marcação na saída do Palmeiras: Patrick em Marcos Rocha, Calleri entre Gómez e Murilo, Nestor em Danilo, Igor Gomes em Zé Rafael, Igor Vinícius em Piquerez, Reinaldo em Dudu, Gabriel Neves em Scarpa, Diego Costa em Veron, e Arboleda e Léo se dividindo entre as movimentações de Rony.

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Patrick encaixado em Marcos Rocha(vermelho). Calleri se dividindo entre Gómez e Murilo(amarelo)
Imagem: Rodrigo Coutinho
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Mais encaixes: Nestor em Danilo(branco), Neves em Scarpa(preto), Igor Vinícius em Piquerez(vermelho), Igor Gomes em Zé Rafael(amarelo), Arboleda em Rony(azul), Diego Costa em Veron(laranja)
Imagem: Rodrigo Coutinho

Com esta formatação, o São Paulo, assim como havia feito em parte do jogo de segunda-feira, travou o Palmeiras. É lógico que esta, como qualquer outra forma de marcar, tem prós e contras. Um dos pontos fracos é o caso de um dos alvos vencer o duelo. Isso causa um ''efeito cascata'' na defesa. É preciso estar muito concentrado para superar o adversário que se tem como alvo ou auxiliar o colega mais próximo.

A comissão técnica do Palmeiras tentou encontrar soluções. Primeiro espetou Gustavo Gómez à frente de Murilo e Marcos Rocha. Fez com que Weverton fizesse a ''saída de três''. A presença do paraguaio na mesma região de Danilo e Zé Rafael poderia causar dúvidas em Calleri, Rodrigo Nestor e Igor Gomes, mas isso não aconteceu.

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O momento em que Gómez se lança à frente e Weverton faz a saída com Marcos Rocha e Murilo. Calleri se divide entre Murilo e Weverton, mas vigia e fecha as linhas de passe para Gómez, evitando com que a bola chegue no zagueiro e force Igor Gomes ou Nestor a desgarrarem de Danilo ou Zé Rafael
Imagem: Rodrigo Coutinho

Inteligentemente o centroavante fechou as linhas de passe que poderia encontrar Gómez, e o São Paulo não saiu no prejuízo. Uma alternativa, ainda no 1º tempo, foi liberar mais Marcos Rocha. Isso deu certo por alguns instantes. Patrick ''cochilou'' em dois momentos e, em um deles, Rocha deixou Veron na cara do gol. O atacante não alcançou a bola. Ceni chamou Patrick, orientou, e o problema foi sanado.

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Um dos momentos em que Patrick se descuida e Marcos Rocha escapa no campo de ataque. Gabriel Veron quase empatou neste lance
Imagem: Rodrigo Coutinho

No 2º tempo, o Verdão voltou com Verón pela direita e Dudu pela esquerda, o que alterou a definição dos encaixes. Scarpa também se mexeu mais. Buscou o lado direito. Tentou tirar Gabriel Neves da frente da defesa e até conseguiu em algumas jogadas, mas como o São Paulo estava mais compacto em seu próprio campo, Patrick recuou alguns metros para compensar essa ausência do uruguaio no setor.

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Um dos momentos em que Scarpa atrai Neves para o lado, mas Patrick compensa a ausência do volante
Imagem: Rodrigo Coutinho

Nunca uma equipe é melhor que a outra sem que ocorram falhas coletivas ou individuais do lado contrário, mas é necessário que se provoque essa situação. O São Paulo fez isso. Além da dedicação sem a bola, foi agressivo com ela até abrir o placar, e manteve em campo quem poderia oferecer o cenário que causaria desconforto ao Palmeiras, algo que não ocorreu nos últimos minutos do jogo de segunda-feira.