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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gérson cresce e se aproxima do gol no Marseille, mas parece longe do Qatar

Gérson em ação com a camisa do Olympique de Marselha - ANP via Getty Images
Gérson em ação com a camisa do Olympique de Marselha Imagem: ANP via Getty Images
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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

07/06/2022 04h00

Unanimidade em solo brasileiro entre 2019 e 2021, quando brilhou e conquistou sete títulos com a camisa do Flamengo, Gérson despertava algumas dúvidas da possibilidade de sucesso no futebol europeu. As passagens sem brilho por Roma e Fiorentina que o digam. No Olympique Marseille, porém, ganhou protagonismo e certamente subiu de patamar na carreira.

Treinado por Jorge Sampaoli, que já o conhecia do futebol brasileiro e solicitou a contratação, o meio-campista, conhecido como ''Joker'' no rubro-negro carioca, uma alusão à facilidade que mostrou para se adaptar a diferentes posições no início do trabalho de Jorge Jesus, ampliou esse leque. Foram sete funções diferentes ao longo dos 48 jogos da temporada.

Como se sabe, o técnico argentino gosta de variar o esquema tático. Obedece a um modelo de jogo sempre, mas o desenho vai se alternando, e os jogadores precisam se adaptar a papeis muitas vezes impensáveis anteriormente. Isso, se bem recebido pelo atleta, faz crescer. Gérson parece ter entendido a importância.

O que você faria se Gérson jogasse na sua equipe e fosse escalado como ala-esquerdo? Pois é. Em cinco partidas ele foi titular nesta função. Em outras três foi ponta-esquerda. Chegou a atuar como o atacante mais avançado em outro jogo. Fez a ponta-direita em dois, foi um dos meias 22 vezes e um dos volantes em seis.

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Os números de Gérson em sua primeira temporada no Marseille
Imagem: Fonte: Opta

A expectativa em torno do aprimoramento do futebol dele, pensando em seleção, ficava em dois pontos. O primeiro era ganhar mais intensidade defensiva, melhorar o comportamento nas transições depois da perda da bola e o posicionamento na frente da área. O segundo era reagir melhor em partidas mais ''pegadas'', de menos espaços, ser competitivo e concentrado ao longo dos 90 minutos nesta realidade.

A segunda pedida foi mais preenchida. Na primeira ainda não é possível perceber grandes avanços, já que o movimento de Gérson nesta temporada foi muito mais no sentido do gol rival, e menos no do campo defensivo. Ficou entre os 30 atletas que mais participaram de gols e assistências na Ligue 1.

Foi vice-campeão e esteve entre os seis jogadores mais utilizados por Sampaoli. Foi o quarto na lista de artilheiros do time do sul da França. Participou diretamente de 22% dos gols da equipe enquanto esteve em campo. Se provou em um torneio de muita intensidade, velocidade nas ações, jogadas ríspidas e de jovens promissores. Foi importante também na campanha de semifinalista na Conference League.

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Gérson durante treino da seleção brasileira na Toca da Raposa II
Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

A ironia é que mesmo crescendo, talvez esse movimento mais ofensivo o tenha distanciado de uma vaga entre os 26 convocados para a Copa do Mundo. Daquilo que Tite deu mostras recentes, há três vagas restantes. Uma delas será preenchida por um zagueiro reserva e a outra por um lateral-esquerdo suplente. Sobra uma para ser definida entre um meio-campista e um atacante.

Gérson, pela última temporada no Marseille, poderia ser uma espécie equivalente a algumas funções que Lucas Paquetá faz na Seleção. Um meia com capacidade de chegar na área e se tornar um dos atacantes centrais em determinado momento. Ou um ''falso ponta'' que parte da esquerda para dentro, e fecha esse setor em fase defensiva.

Tite parece não o ver desta maneira e a chance de ficar de fora é grande. Teve oportunidades como volante na Seleção e não deu respostas contundentes, mesmo em jogos de baixa exigência. Que siga crescendo e não se abale com uma possível não ida ao Mundial. Gérson tem só 25 anos. Muita coisa pela frente e, em caso de decepção, um novo ciclo para ganhar espaço com a amarelinha.