PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Após mais de dois meses, Santos traça bom caminho com Bustos e reforços

Conteúdo exclusivo para assinantes
Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

21/05/2022 04h00

O início de temporada do Peixe, com três vitórias em dez jogos sob o comando de Fabio Carille, ligou o sinal de alerta. Era preciso não repetir em 2022 o que ocorreu em 2021. O alvinegro quase foi rebaixado no Paulistão retrasado, não chegou tão longe na Copa do Brasil e na Sul-Americana, e ainda fez um Brasileirão muito fraco. Fabian Bustos foi contratado e recebeu importantes reforços para começar a mudar a realidade.

Mesmo com a quinta colocação após seis rodadas de Campeonato Brasileiro e a grande possibilidade de passar de fase na Copa Sul-Americana, ainda não é o caso de dizer que o Santos é um time altamente confiável. São 80 dias de trabalho do técnico argentino, e ele conseguiu dar padrões identificáveis ao time a partir de determinado momento. Vem formando também uma base de atletas mais utilizados, e o alvinegro começa a ''dar liga''.

A chegada de alguns nomes foi determinante neste processo. O zagueiro Maicon, os volantes Rodrigo Fernandez e Willian Maranhão, e os atacantes Jhojan Julio e Brayan Ângulo encorpam as opções do treinador. Todos parecem ter desembarcado no clube com o foco voltado para fazer o Peixe mais competitivo e capaz de alcançar resultados melhores no ano, algo que vem ficando claro no comportamento em campo.

Depois de testar formações diferentes, Bustos vem repetindo o 4-2-3-1 como esquema-base da equipe. Já o utilizava no Barcelona de Guayaquil. A vitória de goleada sobre o Cuiabá foi sem dúvidas o marco desta mudança. Nem todas as vagas do time titular estão preenchidas. Há disputas em aberto, mas algumas coisas serão difíceis de mudar nas próximas semanas.

01 - Rodrigo Coutinho - Rodrigo Coutinho
Rodrigo Fernandez(destacado em amarelo) se mete entre os zagueiros para fazer a saída de bola em superioridade numérica e liberar os laterais. Zanocelo fica mais a frente
Imagem: Rodrigo Coutinho

Uma delas é a dupla de laterais. Lucas Pires e Madson estão estabelecidos. São as melhores opções do elenco e cumprem aquilo que o técnico quer. Agressividade e amplitude o tempo inteiro no campo de ataque. Vão buscar constantemente a linha de fundo para cruzamentos. O lateral-esquerdo é muito preciso neste tipo de lance.

Rodrigo Fernandez e Zanocelo também se firmam como a dupla de volantes preferida. O uruguaio deu mais hierarquia e pegada ao setor. Era o ''5'' que faltava. Mesmo sem ter um passe tão qualificado, faz a ''saída de três'' alinhado aos zagueiros sem comprometer, oferece personalidade nas tomadas de decisões iniciais e libera o jovem meio-campista para avançar.

Léo Baptistão e Jhojan Julio vêm ganhando sequência como pontas que possuem liberdade de flutuação para o centro. Ocupam o ''meio-espaço'', entram na área, e se aproximam do meia-central, que pode ser Ricardo Goulart ou até Jhojan Julio quando Ângelo retornar. Marcos Leonardo é o centroavante!

02 - Rodrigo Coutinho - Rodrigo Coutinho
A dinâmica entre lateral e ponta é um padrão. Lateral(em vermelho) bem aberto no campo rival, e ponta(em amarelo), circulando pra dentro
Imagem: Rodrigo Coutinho

João Paulo e Eduardo Bauermann são outras unanimidades justas. Dão muita segurança. Maicon, Velázquez e Kaiky vão travar boa briga pela outra vaga na zaga. Há ainda algumas peças bem interessantes e que podem ganhar espaço no plantel. Sandry, Gabriel Pirani, Lucas Barbosa, Lucas Braga e Rwan Seco são eles. Jovens com qualidades e características distintas para determinados momentos dos jogos. O experiente Carlos Sanchez começa a retornar.

O Peixe precisa ser mais consistente para projetar metas ambiciosas em 2022, mas deu o pontapé inicial neste sentido. Por mais incrível que isso possa parecer num mundo ideal, encontrar esse caminho no mês de maio, no futebol brasileiro, é um bom indício, e agora com mais material humano para resolver.