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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ganhos mentais já são possíveis de se notar no Botafogo

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

17/05/2022 04h00

O Glorioso é o atual quarto colocado após seis rodadas de Brasileirão 2022. O aproveitamento de 61% é o melhor do clube na elite do futebol nacional dentro de algumas temporadas, mas o time está bem longe de um acerto fino nas partes técnica e tática. Natural pelo pouco tempo de trabalho. A grandeza projetada, porém, já vem se mostrando uma realidade.

O momento vivido pelo alvinegro é especial. A chegada de John Textor para controlar o futebol do clube e os R$ 400 milhões que investirá nas próximas temporadas foram um alento para a uma torcida que sofreu bastante nas últimas décadas. Isso por si só já seria uma injeção de ânimo. A chegada de um treinador totalmente alinhado ao desejo de protagonismo do clube é outro ponto de destaque.

A escolha por Luís Castro foi cirúrgica. O histórico de sua carreira como Coordenador de Formação no Porto, a passagem na direção de equipes B, com foco voltado à formação do atleta, e o que construiu, sobretudo nos últimos três clubes que trabalhou antes do Botafogo, dão a dimensão que é um profissional com a característica ideal para o projeto.

Luís costuma construir ambientes de total integração entre os diferentes setores do clube. Sabe que iniciar isso no Botafogo em 2022, ano em que o clube oficialmente não tem aspirações de topo de tabela no Brasileirão, é o ideal. Haverá cobranças por resultados sempre, mas certamente não influenciará tanto quanto em outros clubes. Há confiança nos processos que se precisa viver e aprender para a afirmação como um time protagonista.

01 - Victor Silva / Botafogo - Victor Silva / Botafogo
Luís Castro, técnico do Botafogo, no Nilton Santos
Imagem: Victor Silva / Botafogo

Os investimentos recentes logicamente já trouxeram uma melhora de nível na equipe. A volta de lesão de Gatito é outro ponto-chave também. Saravia, Cuesta, Philipe Sampaio, Patrick de Paula, Tchê Tchê, Lucas Fernandes, Victor Sá, Lucas Piazon, Gustavo Sauer e Niko, são atletas que elevam o patamar de qualidade do plantel. Ainda está longe do que Textor projeta para os próximos anos, mas já ofereceu condições de competir na elite do futebol nacional.

O que mais chama a atenção até aqui nesta caminhada é a forma como o clube vem se portando dentro e fora de campo. A hierarquia cresceu! É natural que a administração implementada pelo norte-americano traga práticas mais profissionais ao dia a dia alvinegro, e isso consequentemente se traduz num ambiente forte e atletas mais confiantes.

O Botafogo não jogou melhor que o Flamengo e não dominou tanto as ações diante de um Fortaleza com inferioridade numérica desde o 1º tempo, mas em ambos os jogos não se intimidou. Não se deixou levar por momentos ruins e nem abaixou a cabeça ao sofrer gols nas últimas partidas, algo que era uma constante. Foi um time corajoso. Disposto a correr riscos em prol da vitória.

Ainda falta muita coisa e talvez a quarta colocação não seja a realidade do Glorioso até o final do Brasileirão, mas os primeiros dias deste novo Botafogo deixam ótimas sensações.