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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Empate com o Ceará reforça a sensação de que o Flamengo não evolui

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

14/05/2022 18h30

O rubro-negro precisava vencer para se aproximar de um lugar mais digno na tabela de classificação. Conseguia somar três pontos diante de um Castelão lotado até os acréscimos, mas independente do resultado, repetiu velhos problemas coletivos e individuais. Viu o Ceará crescer nos últimos 30 minutos, e não conseguiu responder de forma competitiva. As duas equipes mostraram muitos erros! O Flamengo não funciona!

Com vários jogadores lesionados ou retomando a melhor forma, Dorival Junior teve a volta de Vina, mas ficou sem Rodrigo Lindoso, suspenso. Lucas Ribeiro jogou improvisado como volante. Lima na faixa central. Vina novamente no ataque. Messias seria titular, mas sentiu no aquecimento e Marcos Victor teve que entrar. Paulo Sousa não teve Santos e Filipe Luís. De resto escalou aquilo que tinha de melhor. Hugo foi o goleiro. Ayrton Lucas o lateral.

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Como Ceará e Flamengo começaram a partida pela 6ª rodada do Brasileirão 2022
Imagem: Rodrigo Coutinho

Os minutos iniciais foram pavorosos para o Ceará. Totalmente permissivo na marcação, assistiu ao Flamengo sair jogando e se instalar no campo de ataque. Com raras exceções, não conseguia pressionar a bola, compactar os setores ou apresentar coberturas eficazes. O resultado não poderia ser outro diante de uma equipe altamente talentosa. Willian Arão marcou de cabeça após escanteio cobrado por Arrascaeta.

Antes do gol, Arrascaeta já havia recebido de Bruno Henrique em profundidade e chutado para João Ricardo fazer a defesa. Se não bastasse sair atrás no placar, o Vozão ainda perdeu Vina machucado logo aos dez minutos. Zé Roberto entrou. A boa notícia é que o rubro-negro voltou a se mostrar disperso e pouco intenso assim que abriu o marcador. E aí deu margem de crescimento ao apático time da casa.

O aviso veio em dois lances. Primeiro num chute cruzado de Michel, que passou perto da trave direita. E depois numa jogada em que o zagueiro Marcos Victor carregou a bola por 40 metros sem ser incomodado e serviu Zé Roberto na entrada da área. O atacante bateu no canto esquerdo de Hugo, que voou e espalmou. O golpe letal veio numa falta cobrada rapidamente por Zé Roberto. Mendoza saiu na cara do gol e marcou.

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Willian Arão e Arrascaeta, a conexão que gerou dois gols de bola parada aérea ao Flamengo no 1º tempo
Imagem: Kely Pereira/AGIF

A incrível letargia mostrada pelos cariocas no gol de empate cearense é um padrão da equipe em diversos momentos nesta temporada. Ela começa na ausência de uma transição defensiva competitiva, passa por desacelerações constantes na troca de passes, mesmo com espaço para avançar, e termina em uma marcação frouxa ao recuar o bloco de marcação. Mendoza e Erick aproveitaram o cenário.

O ponta colombiano quase deixou tudo igual de novo nos acréscimos da 1ª etapa, ao desarmar Ayrton Lucas e tabelar com Lima para bater cruzado perto do ângulo direito. Antes disso, porém, o Flamengo voltou a se aproveitar da bola parada aérea desorganizada dos alvinegros. Arrascaeta bateu falta pela esquerda e Arão se antecipou para desviar de cabeça e marcar. A bola era defensável para João Ricardo.

Havia muito espaço em campo e duas equipes sem intensidade. Para completar, o gramado irregular completava o cenário de um jogo bem longe do ideal. Paulo Sousa sacou o inseguro Ayrton Lucas para a entrada de Matheuzinho. Posteriormente sacou Isla, mal de novo, e pôs o jovem Marcos Paulo, trazendo Matheuzinho para sua posição original.

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João Gomes, um dos melhores do Flamengo em campo, tenta desarmar Zé Roberto
Imagem: Lucas Emanuel/AGIF

Dorival, aos 15' da 2ª etapa, tentou mudar o cenário fazendo três mexidas de uma vez. Nada havia mudado e o rubro-negro já tinha acertado o travessão em cabeçada de Pablo. Victor Luís, Iury Castilho e Richardson foram ao gramado, Geovane, Erick e Lucas Ribeiro saíram. Nino Paraíba na vaga de Michel foi outra substituição. O Vozão até conseguiu ter mais a bola no campo de ataque depois dos 20', mas o Flamengo se fechou bem desta vez.

O problema é que não retinha a bola e nem encaixava contra-ataques. E aí o Ceará, mais intenso e agressivo com as alterações, rondava a área. Marcos Paulo sofreu com Iury Castilho e quase foi expulso. O atacante alvinegro cabeceou com perigo aos 35', Hugo fez ótima defesa e Matheuzinho salvou em cima da linha na sequência. O goleiro rubro-negro precisou intervir novamente aos 41'. Mendoza recebeu na área, driblou o marcador e chutou forte para a defesa de Hugo.

A exemplo do que já ocorrera no clássico contra o Botafogo e em alguns outros jogos, Hugo falhou. Nino Paraíba bateu falta ao lado da grande área pela esquerda, jogou direto na direção da meta e encobriu o goleiro de quase 2,00m, que ficou plantado no mesmo lugar e não alcançou a bola. Um prêmio a quem buscou se impor na reta final da partida. Um castigo a quem mais uma vez ficou muito longe do que pode.