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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Manutenção de Abel é o grande ''reforço'' do Palmeiras para 2022

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

29/01/2022 04h00

O Palmeiras é o atual bicampeão da Libertadores, mas os pedidos por reforços de peso pautaram boa parte do comportamento da torcida durante o mercado de transferências deste verão. É natural que o torcedor queira ver craques decisivos vestindo a camisa palestrina, mas o controle de Abel Ferreira sobre o material humano que tem foi o principal trunfo para as conquistas.

Não que não seja importante aumentar o potencial de decisão palmeirense. O plantel é formado por atletas de ótimo nível, diversidade de características e um homem decisivo no setor ofensivo: Dudu. Mesmo assim, isso nem apareceu de forma tão individual recentemente.

Weverton e Gustavo Gómez são as demais peças com alto poder de resolução de um jogo, mas voltadas ao lado defensivo, estratégia mais utilizada pelo Verdão em partidas importantes com Abel Ferreira.

O treinador tem um ano e dois meses no comando do clube. Conseguiu formatar o elenco à sua maneira durante o período. Certamente tem uma ou outra necessidade ainda não atendida, mas vem mostrando total controle das peças nos últimos meses, algo natural quando o trabalho é bem-feito e ganha sequência.

01 - Cesar Greco - Cesar Greco
Abel Ferreira vem variando bastante esquemas táticos e alternando a forma de atuar da equipe, mas sempre apresentando domínio das funções designadas aos jogadores. Tem o grupo na mão
Imagem: Cesar Greco

Até mesmo naquela que foi a sua maior dificuldade no período e alvo de justas críticas, a produção ofensiva do time contra equipes mais fechadas, houve melhora. O tempo entre a semifinal e a final da última Libertadores representou evolução neste aspecto. Como a maior interação entre os jogadores e movimentos bem executados para aproveitar a ocupação de espaços correta que já havia antes.

Não se pode considerar o Palmeiras uma equipe exatamente encantadora, mas o sofrimento observado muitas vezes para criar no cenário descrito acima não é mais frequência. Os dois jogos iniciais do Paulistão reforçaram isso. Mesmo diante de adversários inferiores, é possível enxergar a intenção de um time, e ela foi bem positiva.

A sensação é que o trabalho de Abel, por mais incrível que possa parecer constatar isso agora, depois de dois títulos de Libertadores, esteja alcançando a sua maturidade. A tendência é melhorar e possibilitar uma participação mais competitiva no Mundial de Clubes. Algo que definitivamente não aconteceu na edição passada.

Logicamente que a maioria das avaliações está sempre a serviço dos resultados. E um novo fracasso retumbante na competição terá seus efeitos. A certeza, porém, de que o Palmeiras segue forte e ainda mais competitivo persiste. E o principal motivo está no banco de reservas.