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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Em ano de Libertadores, Coelho repõe bem as perdas do elenco

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

05/01/2022 13h31

Se 2021 foi histórico com a conquista inédita de uma vaga nas fases prévias da Libertadores, o América sabe que o ''sarrafo'' aumentou para a temporada que começará em três semanas. Mas como melhorar o elenco em meio a valorização de atletas importantes e fins de contrato? Em um clube de pouco poder aquisitivo no mercado, é necessário exercer a qualidade na observação, algo que o Coelho tem feito bem.

Em meio a mudança de estrutura administrativa com a transformação do clube em SAF, o América tem alguns trunfos a seu favor. O primeiro é a organização das contas. Não há atrasos de salários. Se não é possível pagar a mesma coisa que outras equipes em virtude de uma receita mais modesta, o mês, no Independência, tem de fato 30 dias. O segundo é a estrutura física e a tranquilidade para que os jogadores possam se adaptar e desenvolver.

Na sequência podemos citar a continuidade dos trabalhos das últimas comissões técnicas. De Felipe Conceição, passando por Lisca, Vagner Mancini, e chegando a Marquinhos Santos, há muitas similaridades na maneira de jogar. A montagem do time variou muito pouco nas últimas duas temporadas, o que facilita o entendimento dos atletas que já têm tempo de casa e daqueles que chegam.

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Ademir foi a principal perda do elenco americano
Imagem: Alessandra Torres/AGIF

A participação de Marquinhos Santos neste ''garimpo'' no mercado também é importante. Traz alguns anos de bagagem em realidades muito próximas a que o Coelho tem. Precisa de peças de qualidade, sem patamar salarial tão alto, e que deem respostas rápidas. Se soma à estrutura do clube e gera uma boa combinação.

O time titular perdeu o zagueiro Eduardo Bauermann, que foi um dos destaques da campanha e deve ir para o Santos. O companheiro de zaga dele, Ricardo Silva. E Ademir, um dos grandes nomes do último Brasileirão, que foi para o Atlético Mineiro. Mauro Zárate ainda negocia a sua permanência.

Destes, a reposição mais difícil é, sem dúvidas, a de Ademir. Certamente foi um dos três melhores atacante da Série A 2021 ao lado de Hulk e Artur. Hoje o Coelho não tem condições financeiras de contratar alguém neste nível. Pode trazer alguém com o custo mais baixo e desenvolver, como fez com o próprio Ademir, mas é utopia exigir um nome no mesmo patamar.

Para a zaga, chegaram Iago Maidana, destaque com o Sport em 2020; German Conti, que fez uma boa temporada com o Bahia no ano passado; e Éder, sinônimo de segurança na zaga do Atlético Goianiense nas últimas temporadas. Este último, inclusive, por ser mais rápido que os outros dois e se encaixar melhor no modelo da equipe, deve ser titular. Conti e Maidana podem travar uma boa batalha.

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Índio Ramirez em ação pelo Bahia
Imagem: Felipe Oliveira/EC Bahia/Divulgação

Outro jogador de talento que chega ao clube é o colombiano Índio Ramirez. Jogou pouco pelo Bahia em virtude de uma lesão, em 2021, mas foi destaque do Tricolor na fuga pelo rebaixamento em 2020. Se envolveu em uma confusão com Gérson, ex-Flamengo, no confronto entre os times no Maracanã. Teria proferido insultos racistas contra o adversário, mas nada foi comprovado.

Com relação ao que pode mostrar em campo, traz um perfil organizador mais qualificado que as opções de meio que o Coelho utilizou na última temporada. Pode até sair da ponta para dentro, ocupando inicialmente o mesmo setor que Ademir jogava, mas buscando as costas dos volantes. Sem tanta profundidade, velocidade e letalidade nas transições, mas se saindo bem em espaços curtos, com o último passe refinado, bem como a finalização.

Passar pelo Guarani do Paraguai em fevereiro e março, para começar a encaminhar a sonhada vaga na fase de grupo da Libertadores, não será simples. Pode pintar o Barcelona de Guayaquil na 3ª fase, o que seria um desafio ainda mais difícil. O América, porém, tem feito bem a sua parte. E pode almejar coisas maiores em 2022.