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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Vina voltou a crescer no fim de 21 e dá esperanças ao Vozão em 22

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

23/12/2021 09h26

O Ceará montou um elenco melhor e mais equilibrado em relação aos outros anos na temporada 2021. A afirmação do clube na Série A possibilitou o aumento da receita e a condição atual para um plantel bem competitivo. O jogador com maior potencial do time, porém, não mudou. Depois de um 2020 estupendo, Vina acabou decepcionando em grande parte do último ano, mas retomou o protagonismo necessário ao Vozão nos jogos finais.

É difícil entender exatamente o que aconteceu. O meia-atacante de 30 anos fez 23 gols e deu 19 assistências no ano anterior, mas iniciou 2021 em outro ritmo. Lento no raciocínio e nas ações, aparentemente acima do peso, e com problemas de relacionamento com o ex-técnico do clube Guto Ferreira. A alta participação direta em gols caiu, bem como sua contribuição criativa para o time.

Para se ter ideia, dos primeiros 18 jogos que fez em 2021, Vina balançou a rede apenas quatro vezes e deu outras quatro assistências. Números bem abaixo ao que a torcida do Vozão se acostumou. Muito se falava da parte coletiva influenciando em seu desempenho. De fato, o Ceará tinha um time mais voltado ao jogo reativo e às ligações diretas com Guto Ferreira, mas nada que fosse diferente da temporada anterior. Não houve mudança considerável no modelo.

Vina acabou perdendo a condição de titular nas primeiras rodadas do Brasileirão. Numa sequência de 11 jogos, foi reserva em oito. Recuperou a posição na reta final do 1º turno, a partir de uma vitória por 3x1 sobre o Fortaleza, ainda com Guto Ferreira, que ficaria apenas mais quatro partidas no comando da equipe.

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Patric, do América-MG, e Vina, do Ceará, disputam a bola em jogo do Campeonato Brasileiro
Imagem: JL ROSA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Tiago Nunes assumiu o alvinegro em setembro e manteve Vina no time. Ele e o restante da equipe sofreram bastante com a transição. O técnico gaúcho chegou tentando implementar algumas mudanças na filosofia deixada por Guto Ferreira, algo que não deu certo. O Ceará teve apenas uma vitória nos primeiro nove jogos com Tiago. Vina sempre foi titular, mas passou em branco. Não balançou as redes e nem deu assistências.

A virada de Vina coincidiu com a melhora coletiva da equipe, e não foi por acaso. Tiago passou a repetir a proposta de Guto. Jogo reativo como prioridade. Bolas mais diretas e ataques resolvidos com velocidade. Aproximou o camisa 29 do centroavante e aí a coisa fluiu novamente. Além de somar boas ações ofensivas, passes, segurar a bola no ataque quando necessário, e finalizações, foram seis gols nas últimas nove rodadas.

Como se esperou durante quase todo 2021, o jogador mais caro do elenco foi decisivo para tirar o clube da ameaça de rebaixamento e garantir vaga em mais uma Copa Sul-Americana. Logicamente que é pouco se considerarmos a projeção inicial do Vozão para a última temporada. O clube não venceu o Estadual e a Copa do Nordeste. Caiu na 1ª fase da Copa Sul-Americana. Não foi longe na Copa do Brasil e terminou o Brasileirão na mesma posição de 2020.

A questão é celebrar o ''retorno'' de Vina. Um 2022 melhor passa por um time organizado coletivamente e um clube que siga bem administrado financeiramente, mas o Vina decisivo de 2020 e da reta final 2021 bota o Ceará em outro patamar. Que comece o novo ano da mesma forma que terminou o último.