PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Precisamos falar mais de Nikão

Conteúdo exclusivo para assinantes
Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

21/11/2021 04h00

Obviamente que o belo gol marcado na decisão da Copa Sul-Americana, neste sábado, impulsiona a ideia deste texto, mas não deveria ser assim. É preciso fazer uma ''mea-culpa'' sobre a atenção dada pela imprensa do chamado ''eixo'' a jogadores que se destacam em outras praças. E Nikão é um deles há tempos. Não só pelo gol do bi do Furacão, mas pela regularidade em alto nível.

No Athletico desde o início de 2015, o camisa 11 passou a ser titular no Campeonato Paranaense daquele ano, depois de perder peso e começar a se destacar. Já ultrapassou a marca de 300 jogos e tem 47 gols pelo clube. É referência dentro e fora de campo desde então. Constante e decisivo, certamente teria outro status no futebol nacional caso jogasse no Rio ou em São Paulo, e seria pedido na Seleção Brasileira.

A atuação determinante na final deste sábado é prática comum na carreira de Nikão em partidas decisivas. Num rápido levantamento recente, se descobre que marcou dois gols na semifinal da Copa do Brasil, diante do Flamengo, em pleno Maracanã. Balançou as redes e deu uma assistência na semifinal da Copa Sul-Americana deste ano. Marcou duas vezes e deu outras duas assistências nas oitavas de final da mesma competição.

Em 2019, ano do título da Copa do Brasil, fez gol nas semifinais diante do Grêmio. Na temporada anterior, deu assistência no primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana. Marcou na semi, contra o Fluminense, além de outros gols importantes na campanha do primeiro título sul-americano da história do clube. Não some nas horas importantes.

01 - Thiago Ribeiro/AGIF - Thiago Ribeiro/AGIF
Nikão encara marcação de Filipe Luís e Rodrigo Caio na partida entre Flamengo e Athletico-PR
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Sempre pela direita, o canhoto gosta de receber a bola bem aberto e conduzir para o meio. Não é um ponta de velocidade ou de jogadas de linha de fundo. Busca tabelas curtas, cruzamentos na segunda trave, chutes de média distância, pisa na área para finalizar, e sustenta muito bem ao receber a bola de costas, principalmente quando sua equipe precisa utilizar passes longos endereçados a ele.

Em entrevista recente ao Footure FC, Antônio Oliveira, ex-treinador de Nikão no Athletico, disse que não há no futebol brasileiro outro ponta com as características dele. E o português têm razão! Principalmente se somarmos o potencial de decisão citado acima. Tudo isso pode ser disputado ''a tapas'' no mercado brasileiro de 2021 para 2022. O atleta terá seu vínculo encerrado no Furacão e já manifestou o desejo de respirar novos ares.

Atualmente cabe em diversas equipes do futebol brasileiro como titular, até mesmo em algumas de maior poderio financeiro. Completará 30 anos na próxima temporada e a parte física não é a mesma de outras temporadas. Mas se não precisar recompor tantos metros para marcar, tem sua ''vida útil'' prolongada e certamente acrescentará gols, assistências e boas ações ofensivas a qualquer clube brasileiro. Está na história do Furacão com um dos grandes da trajetória rubro-negra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL