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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Furacão recupera a melhor versão e trava o Red Bull em Montevidéu

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

20/11/2021 18h53Atualizada em 20/11/2021 19h05

O bicampeonato do Athletico na Copa Sul-Americana coloca o clube na mesma prateleira de Independiente e Boca Juniors como maiores vencedores da competição, e teve como marca aquilo que melhor lhe caracteriza na temporada 2021: a capacidade de adaptação. A exemplo do que acontecia nos melhores jogos com Antônio Oliveira, que iniciou o trabalho, o time foi sólido na defesa, levou perigo em contra-ataques, e ganhou confiança para se estabelecer no ataque com organização para criar. Alberto Valentim conseguiu recuperar este caráter nas últimas partidas e contou com grandes exibições de Nikão, Terans e Thiago Heleno na vitória por 1x0.

O treinador rubro-negro não teve problemas para escalar o Athletico. Mandou a campo o 3-4-3 que o time utiliza desde o início de seu trabalho. Erick e Léo Cittadini formaram a dupla de volantes. No Red Bull Bragantino, Mauricio Barbieri não teve Eric Ramires e Lucas Evangelista. A solução foi colocar mais um atacante. Helinho entrou na ponta-esquerda e Cuello jogou como meia, ao lado de Bruno Praxedes. E no momento defensivo recompunha como volante, ao lado de Jadsom. Edimar foi o lateral-esquerdo escolhido. Luan Cândido começou no banco.

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Como as equipes iniciaram o jogo
Imagem: Rodrigo Coutinho

O Furacão foi melhor na etapa inicial. Baseado em uma linha defensiva com cinco homens e bem sólida, coordenada e agressiva na abordagem de marcação, quase sempre em bloco baixo, não deu espaços para o Red Bull Bragantino. Bastava o Massa Bruta entrar na intermediária ofensiva para ser acossado. O próprio time de Bragança Paulista contribuiu para o cenário. Mostrou-se travado. Parecia nervoso e poupando maiores esforços. Não fluía. Também não pressionava a saída de bola rival com tanto ímpeto.

Até encaixou boas transições defensivas nos primeiros minutos, mas a medida que não conseguia criar, dava espaços para o Furacão contra-atacar. Terans distribuía os passes nessas transições com desenvoltura. Foi o responsável pelas três primeiras finalizações dos paranaenses. Na quarta, aproveitou falha de Aderlan após inversão de Pedro Henrique e chutou cruzado. Cleiton espalmou. E Nikão, aos 28 minutos, marcou de voleio com a hesitação de Edimar no rebote.

O cenário inicial a esta altura havia mudado. Mais confiante em campo, o Athletico não somente esperava o Bragantino. Já se estabelecia no campo de ataque, e o gol refletiu bem isso. O Red Bull só foi se aproximar de seu nível natural nos últimos dez minutos do 1º tempo. Cuello e Léo Ortiz eram os únicos que se salvavam até então. Ytalo, Fabricio Bruno e Helinho obrigaram Santos a fazer boas defesas em sequência. Um prenúncio de que poderia entrar no jogo na 2ª etapa.

Com a necessidade de ao menos empatar, o Bragantino empurrou ainda mais o Furacão pra trás. Mesmo assim, foi o Athletico que chegou perto de marcar. Nikão recebeu após erro de passe na saída de bola adversária e lançou Terans na área, ele ajeitou de peito e Cittadini mandou pra fora. O time paranaense seguia protegendo muito bem a sua área, congestionando o meio-campo com Erick e Léo Cittadini, e agressivo na abordagem de marcação. Os paulistas circulavam a bola sem inspiração para penetrar.

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Marcinho e Nikão comemoram gol do Athletico-PR contra o Red Bull Bragantino na final da Sul-Americana
Imagem: EITAN ABRAMOVICH/AFP

Quando conseguia fazer jogadas pelos flancos com os pontas, esbarrava em uma área bem protegida por Thiago Heleno, Pedro Henrique e Nico Hernández. Artur encontrou um espaço no meio deles para finalizar pra fora aos 20', mas sem tanto perigo. Mesmo melhorando a intensidade de seus movimentos, e alguns jogadores como Bruno Praxedes e Helinho subindo de produção, o time não produzia com regularidade.

Barbieri ainda tentou trocar as funções e posicionamentos de Helinho, Cuello e Artur depois dos 25 minutos, algo mais próximo do que ocorreu em jogos recentes, mas não funcionou. Já na base do ''abafa'', no final do jogo, Léo Ortiz cabeceou por cima um escanteio cobrado por Artur pela direita. Leandrinho, em lance similar, também chegou perto de empatar. Os últimos suspiros de um Red Bull bem aquém do que pode fazer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL