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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Seleção retoma ideia inicial das Eliminatórias, mas não joga bem

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

10/10/2021 19h57

Mais uma vez a Seleçao ficou devendo uma boa atuação. Mesmo superior no 1º tempo, o Brasil novamente não foi um time criativo e intenso de maneira regular. Acabou correndo riscos na 2ª etapa e contou com duas boas defesas de Alisson para não perder sua invencibilidade no torneio. As únicas coisas que podem ser tiradas de positivo do 0x0 são o desempenho de Raphinha e a busca por devolver ao time o modelo responsável que gerou bons momentos nas primeiras rodadas das Eliminatórias.

Tite fez quatro mexidas em relação ao time que foi muito mal contra a Venezuela. Guilherme Arana, Thiago Silva, Gerson e Everton Ribeiro deixaram a equipe. Alex Sandro, Éder Militão, Fred e Neymar entraram. Ele trouxe de volta também uma estrutura de ataque posicional que era utilizada no início das Eliminatórias. Nesse formato, cada jogador ocupa um espaço no campo e buscam interagir a partir daí. Sem muitas trocas de posição.

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Como as equipes começaram jogando
Imagem: Rodrigo Coutinho

A formação de uma linha de cinco jogadores mais adiantados era nítida de novo. Alex Sandro com total liberdade e bem ''espetado'' pela esquerda, como Renan Lodi fazia. Danilo alinhado aos zagueiros. Fazendo a ''saída de três'' e ganhando liberdade para atacar por dentro quando o Brasil se estabelecia no ataque. Paquetá partindo da esquerda pro meio, se juntando a Neymar nas costas dos volantes colombianos e mais próximo de Gabigol. Fred e Fabinho por trás da linha da bola. Sem a posse, o time se defendeu num 4-4-2.

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Exemplo da ocupação de espaços do ataque posicional do Brasil. Jesus e Alex Sandro dando amplitude ao time. Neymar e Paquetá próximos por dentro, Gabigol mais enfiado, Fred e Fabinho na ''base'' da jogada
Imagem: Rodrigo Coutinho

O Brasil não fez um 1º tempo ruim, mas pra ser bom faltou mais agressividade. Talvez pelo forte calor em Barranquilla, o time não forçou tanto e acabou sendo burocrático. Mesmo assim criou. Paquetá teve uma grande chance aos 12 minutos, e Fred chutou por cima um passe açucarado de Neymar aos 32'. Neymar e Paquetá já haviam dado bons chutes de fora da área nos instantes iniciais. As inversões rápidas para Gabriel Jesus pela direita funcionaram. O diálogo entre Paquetá e Neymar também.

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Brasil defendendo num 4-4-2. Paquetá retornando pela esquerda.
Imagem: Rodrigo Coutinho

A Colômbia também não era tão contundente com a bola. Quintero chegou a incomodar em alguns momentos, mas a boa transição defensiva do Brasil anulava qualquer investida mais perigosa. Mesmo sem pressionar tanto o homem com a posse, a defesa brasileira se postava bem e não cedia espaços. O jogo estava controlado.

Passados 15 minutos do 2º tempo a situação não se alterou. Tite então resolvou colocar Raphinha, destaque do jogo contra a Venezuela, e Gabriel Jesus foi jogar como centroavante com a saída de Gabigol. O comportamento brasileiro seguia o mesmo e os colombianos foram mais perigosos. Roubando algumas bolas no campo de ataque e acelerando na sequência, chegaram perto de marcar com Uribe e Quintero. Alisson fez boas defesas.

Antony e Thiago Silva também foram a campo nos lugares de Gabriel Jesus e Éder Militão. Paquetá passou a jogar mais adiantado pelo centro do ataque, mas a dobradinha com Neymar não funcionava mais. Ambos caíram muito de produção. Quem entrou bem mais uma vez foi Raphinha. O ponta do Leeds quase marcou em chute de fora da área aos 31' e serviu Antony com precisão aos 39'. Novamente foi agudo! Buscando o drible em direção à área. Atitude de quem quer conquistar o seu espaço.

O roteiro foi o mesmo em mais um jogo da Seleção nas Eliminatórias. Não jogou bem e não perdeu. Desta vez não venceu, mas manteve a folga na ponta da tabela de classificação. O time está virtualmente classificado para o Mundial há algum tempo. O desempenho, porém, segue preocupante. Esse precisa ser o foco para o Catar-2022!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL