PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Como Copa América pode ter 'ajudado' Everton Ribeiro a melhorar

Conteúdo exclusivo para assinantes
Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

03/10/2021 04h00

Everton Ribeiro é inegavelmente um dos ídolos da torcida rubro-negra no vencedor elenco do clube. Vestindo a camisa do Flamengo desde meados de 2017 e caminhando para completar 300 jogos com ela, o meia passou por momentos complicados entre o segundo semestre de 2020 e o meio de 2021. Chegou perto de perder a vaga de titular, mas retomou o bom desempenho e se destaca num momento de decisão da temporada.

Ao contrário do que já foi abordado, Everton, durante a fase ruim, jamais deixou de fazer a função tática em que rende melhor. Seja com Rogério Ceni ou Domènec Torrent, jogou da mesma forma na maciça maioria das partidas. Partindo do lado direito para o meio, com a bola ou sem ela, abrindo o corredor para a ultrapassagem do lateral-direito, buscando se associar com os companheiros com tabelas ou triangulações, ou se colocando para receber a bola nas costas dos volantes rivais.

É difícil dizer exatamente o motivo da queda da produção do camisa 7 do Flamengo no período citado, mas algo chama a atenção. Ele começou a ''virar essa chave'' para o lado positivo logo depois da Copa América realizada nos meses de junho e julho. No período de um mês, o meia foi titular em apenas uma partida pela Seleção. Jogou 45 minutos desta forma. Entrou em outros quatro jogos, totalizando apenas 167 minutos em campo.

No Flamengo, Everton Ribeiro é titular absoluto há cinco temporadas. Viveu um pequeno período no banco com Reinaldo Rueda, em 2018. Pouco se lesiona e, por mais que seja substituído no 2º tempo com certa frequência, possui ''minutagem'' alta. É muito acionado durante os jogos, e considerando a maratona que o rubro-negro teve a partir do momento pós-parada da pandemia, é possível que a queda de desempenho estivesse atrelada à parte física.

01 - Miguel Schincariol - Miguel Schincariol
Everton Ribeiro pela Seleção
Imagem: Miguel Schincariol

A dificuldade para dar prosseguimento a algumas jogadas era bem nítida, principalmente as que envolvessem os duelos físicos. Everton nunca foi um atleta de potência, e os 32 anos também podem ter começado a pesar neste cenário. Mesmo assim, precisa de um mínimo de competitividade física, já que joga num faixa de campo com pouquíssimo espaço e convive frequentemente com a atenção dos marcadores para anular sua qualidade.

A Copa América serviu para dar um ''respiro'' na insana sequência de jogos que vivencia no rubro-negro. É um dos jogadores que menos foi poupado nas últimas temporadas. Mais inteiro fisicamente, vem conseguindo cumprir os movimentos pedidos por Renato Portaluppi e acertar na parte técnica. Da direita pro centro, auxiliando Andreas na zona de construção das jogadas e se alinhando a Arrrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique na sequência.

As duas assistências dadas contra o Barcelona, em Guayaquil, se somam a outras seis que ele também destinou a companheiros e terminaram com bolas nas redes rivais em 2021. A curiosidade é que duas delas também ocorreram em jogos de Libertadores, diante de LDU Quito e Defensa y Justícia, competição em que Everton Ribeiro costuma vivenciar grandes momentos com a camisa rubro-negra.

A parte artilheira segue em baixa. Fez só um gol na temporada, marcou na goleada diante do Corinthians, em São Paulo, mas a tendência é que retome essa eficiência com a sequência do bom nível apresentado recentemente. A afirmação nas listas de Tite, na Seleção Brasileira, também auxilia na retomada de confiança. A torcida do Flamengo pode comemorar o ''retorno de Everton''.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL