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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Marcão mostra que a diretoria do Flu errou no início do ano

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

01/10/2021 09h14

Depois de melhorar o desempenho e o aproveitamento do time na reta final da temporada 2020, Marcão foi preterido do comando técnico do Fluminense para a contratação de Roger Machado. Pouco mais de seis meses depois, o treinador gaúcho foi demitido e o ex-volante do clube assumiu novamente. E a história se repete! O Tricolor tem recuperado muito do que fez na temporada passada e mostra-se mais competitivo.

Há quem diga que o que acontece hoje no Fluminense nada mais é do que a reparação de um erro. É difícil não dar razão a quem pensa assim. Somando duas passagens diferentes, Marcão trabalhou cinco anos como auxiliar-técnico do time das Laranjeiras. Conhece bem o ambiente, é querido por grande parte da torcida pelo que fez também dentro de campo, e já provou que sabe organizar uma equipe dentro da expectativa atual para o Fluminense.

Entre interino e efetivado, são apenas 21 jogos como treinador tricolor. Pouco para cravar aquilo que ele pode oferecer de uma forma mais ampla. Antes teve passagens curtas por Bangu, Bonsucesso e River-PI. Realidades totalmente diferentes do Fluminense. O que se sabe é que ele deu continuidade às ideias de Odair Hellmann na temporada 2020 e até aprimorou alguns pontos no time, fato que vem se repetindo em 2021.

Por ter sido auxiliar de Odair e de Roger, o entendimento das filosofias propostas pelos dois treinadores acaba facilitando o trabalho. Mas nos dois casos, Marcão acrescentou ou devolveu marcas pessoais. Escolhas de alguns jogadores, convicções para determinados jogos e estratégias. Fatores que nem sempre integram os sonhos dos torcedores ou são populares, mas se mostram inegavelmente funcionais.

Não dá para esperar que o Fluminense construa jogadas altamente elaboradas em fase ofensiva. Que vá se instalar constantemente no campo adversário e criar espaços. Com Marcão, assim como Odair Hellmann e Roger Machado, o Tricolor passará a maior parte do tempo se protegendo para roubar a bola e sair em rápidos contra-ataques. Não quer dizer que o time não tenha padrão ou ideias para ficar mais tempo com a posse, mas elas ainda são incipientes e precisam de desenvolvimento.

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O aproveitamento de Marcão nas últimas duas temporadas levaria o Fluminense diretamente a mais uma Libertadores
Imagem: Rodrigo Coutinho

Muitos torcedores não gostam do estilo, e a equipe de fato sofre bastante quando é necessário encarar defesas mais fechadas. O que não se pode dizer é que não funciona. Com Marcão, o aproveitamento do Fluminense nos últimos nove jogos é equivalente ao de um 5º colocado no Brasileirão, a mesma posição alcançada pelo clube em 2020. Pode ser pouco para a história tricolor, mas é exatamente aquilo que o clube precisa num momento de recuperação como o atual.

O crescimento e a reafirmação de Luiz Henrique, a sequência de boas atuações de André, o retorno de Calegari na lateral-direita, e uma área novamente mais bem protegida, são frutos do trabalho de Marcão. Todos esses exemplos partem de um desenvolvimento coletivo e comportamental nos últimos jogos. É nítida a diferença. A equipe sofre menos finalizações do que antes e também gera mais perigo ao adversário.

2021 já foi melhor que 2020 no investimento e na montagem do elenco justamente pelo aumento da receita proveniente de uma vaga direta na Libertadores. Atrai mais cotas de TV e patrocínios pela maior exposição da marca. O aproveitamento do Fluminense, com Marcão, no Brasileirão de 2020, por exemplo, seria suficiente para chegar à vice-liderança do atual campeonato. É difícil ver o time carioca fora de uma disputa por vaga direta na competição continental.

Marcão merece continuidade. Precisa ter a oportunidade de iniciar uma temporada como técnico do Fluminense. Planejar a montagem do elenco junto com a diretoria e a comissão. Dentro da realidade atual do Tricolor, que segue buscando voltar ao protagonismo do futebol nacional, ele pode acrescentar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL