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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Sem surpresas! Renato mostra exatamente o que é no Flamengo

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

24/09/2021 04h00

Renato Portaluppi tem pouco mais de dois meses de trabalho e um retrospecto inquestionável. São 15 vitórias em 18 jogos disputados, apenas duas derrotas, e média de quase três gols marcados por jogo. O desempenho em algumas dessas partidas, porém, esteve abaixo do esperado, o que de certa forma se aproxima do que o treinador pode oferecer ao Flamengo. Menos aprimoramento tático, mais hierarquia e desenvolvimento individual.

Quem acompanhou com atenção o trabalho dele no Grêmio sabe exatamente disso. Renato deu continuidade ao funcionamento ofensivo da equipe dirigida por Roger Machado em 2016. Não mudou basicamente nada em termos de ocupação de espaços e na movimentação das peças ao se instalar no campo de ataque. Mas alterou o sistema de marcação, de ''zonal'' para o de encaixes e perseguições, e a forma de marcar nas bolas paradas defensivas. Deu certo!

O Grêmio se livrou dos problemas que o afligiam e venceu a Copa do Brasil daquele ano, além da Libertadores de 2017, apresentando um futebol de primeiro nível. Era a continuidade da proposta, azeitada com a confiança passada pelo treinador e pelas vitórias, além do crescimento técnico de alguns jogadores, algo que também trouxe em cerca de 70 dias no Ninho do Urubu.

Quando precisou de mais repertório e novas soluções para dar continuidade ao desempenho obtido em 2016, 2017, e no início de 2018, não conseguiu encontrar, e o time gremista, apesar das conquistas de três Estaduais e uma Recopa Sul-Americana, caiu de rendimento. Passou a ''guerrear'' mais do que se impor pela parte técnica, como era esperado pela qualidade que havia demonstrado, especular com o adversário, jogar em contra-ataques os jogos decisivos, e perdeu o encanto inicial.

01 - Staff Images / CONMEBOL - Staff Images / CONMEBOL
Bruno Henrique comemora com Renato Gaúcho gol do Flamengo contra o Barcelona-EQU
Imagem: Staff Images / CONMEBOL

Ainda é muito cedo para apontar o mesmo caminho no Flamengo. O momento segue sendo ascendente. Mas é bom que se tenha a exata noção de até onde Renato pode conduzir esse projeto. Teve méritos e humildade em trazer de volta os movimentos ofensivos da equipe de 2019. Liberdade de movimentação ao quarteto ofensivo, anarquia, e fez com que os principais jogadores do time se sentissem mais à vontade em campo.

Isso faz com que a parte técnica floresça naturalmente, e todos eles, incluindo reservas questionados, subiram de produção. Mas há alguns momentos em que é necessário abrir o leque e mexer nessa estrutura. Fazer adaptações para superar desfalques, como os de Arrascaeta e Filipe Luís, e aí falta o conteúdo necessário para dominar o processo.

Por outro lado, depois de algumas partidas, mexeu no sistema de marcação do time, a exemplo do que havia feito há cinco anos no Grêmio. A questão é que muitos jogadores do elenco atual não possuem características adequadas para realizar as perseguições que gosta. Filipe Luís, Andreas, Arão e Everton Ribeiro são os principais exemplos. Recuar o bloco de marcação para jogar em contra-ataques com tanta frequência pode ser perigoso e um total contrassenso ao potencial técnico da equipe. Principalmente se o adversário não se mostrar desesperado por um gol.

Dizer que o Flamengo com Renato não tem nada na parte tática é mais do que exagero. É desconhecer o que se passa nesse âmbito dentro de campo. Mas esperar algo além do que já vimos nesses 18 jogos com ele não é prudente dentro do histórico de sua própria carreira. Ele pode conduzir o Rubro-Negro a títulos em 2021, tem todas as condições para isso, mas suas qualidades como treinador não preenchem as expectativas de predomínio em desempenho alcançadas em 2019.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL