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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Fla é muito mais letal com Renato. Números são impressionantes

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

19/09/2021 04h00

Além da evolução na parte defensiva, o caráter mais adaptável a diferentes realidades nas partidas, e a recuperação de movimentações vistas na equipe de 2019, o Flamengo cresceu demais em um ponto que fez o torcedor sofrer na temporada 2020: perde menos gols! Isso está diretamente ligado à chegada de Renato. O rubro-negro precisa de menos oportunidades criadas para balançar as redes. Os dados são muito significativos!

Para traçar o paralelo, comparei o percentual de acerto nas finalizações nos 16 jogos sob o comando de Renato Gaúcho com o mesmo número de partidas anteriores à chegada do treinador. O aumento de 15,2% é absurdo! Para se ter ideia, é a diferença atual entre o 19º e o 1º colocado no ranking de eficiência nas finalizações do Brasileirão 2021. É como se o Flamengo, em menos de um turno, saísse do posto de segundo ataque menos eficaz ao topo da lista de acerto nos arremates.

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Comparativo de acerto nas finalizações antes e depois de Renato
Imagem: Rodrigo Coutinho

Muita coisa pode explicar isso. A própria desenvoltura da equipe ao se instalar no campo de ataque, retomando a naturalidade na ocupação de espaços e na coordenação dos movimentos, auxilia na produção de condições mais favoráveis aos finalizadores. Treinos específicos e exercícios diferentes para aumentar esse potencial em meias e atacantes também. Além da confiança passada por Renato aos atletas. Eles fazem questão de repetir isso em diversas entrevistas.

Não se trata de dizer que com Rogério Ceni o Flamengo não treinava finalizações ou que os jogadores não tinham liberdade para tomar as decisões nos últimos metros do campo. Mas algo de diferente vem acontecendo. Só tendo acesso aos bastidores do clube seria possível para cravar com exatidão. Renato foi um ótimo finalizador quando jogava. Talvez sua experiência de campo seja determinante neste crescimento. Corrigindo e transmitindo orientações em treinos e vídeos.

Quando passamos para a parte individual, a diferença segue aparecendo na maioria dos casos. Dos sete atletas ofensivos mais frequentes na equipe, apenas dois deles, Gabigol e Arrascaeta, não subiram a eficiência nas finalizações. No caso do camisa 9 a diferença é bem pequena inclusive.

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Como cada jogador ofensivo reagiu à chegada de Renato em seu percentual de acerto nas finalizações
Imagem: Rodrigo Coutinho

Pedro e Michael são os casos que mais chamam a atenção. O centroavante teve 27% de acrescimento, melhorando algo que já se destacava normalmente. Já o ponta, que inegavelmente é o jogador que mais mudou seu patamar desde a contratação de Portaluppi, teve um acréscimo de 16% nos acertos das finalizações.

Se com a alta produção ofensiva de 2020 já foi complicado enfrentar o Flamengo, o que dizer com mais letalidade diante dos goleiros adversários. A ausência disso eliminou o clube precocemente da Libertadores do ano passado e dificultou o título brasileiro até a última rodada. O problema, pelo menos por hora, está sanado, o que aumenta as chances de conquistas rubro-negras nos próximos meses.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL