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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Ajustar expectativa e realidade é salutar ao Fortaleza

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

18/09/2021 04h00

O Fortaleza está no G4 do Brasileirão e é semifinalista da Copa do Brasil pela primeira vez em sua história. Quem imaginava tais feitos há quatro meses? É justamente nisso que o Leão do Pici precisa se concentrar. Não se trata de deixar de acreditar no melhor ou baixar a régua dos objetivos, mas entender que o clube está muito próximo de alcançar metas que o colocarão acima do que até o mais fanático torcedor esperava.

Antes de bater o São Paulo por 3x1 na última quarta-feira e carimbar a vaga para enfrentar o Atlético Mineiro na semifinal da Copa do Brasil, o time de Vojvoda vinha de mais de um mês sem vitórias. Quatro empates e duas derrotas que fizeram a equipe cair da vice-liderança para o 4º lugar no Brasileirão. Já era possível encontrar alguns questionamentos injustificáveis contra o trabalho que vem sendo realizado.

O técnico argentino chegou ao Fortaleza em maio. Pegou uma equipe que vinha oscilando demais no desempenho e não inspirava confiança alguma em lutar por algo diferente da permanência na Série A. Pouco mais de quatro meses depois e 31 jogos realizados, venceu o Campeonato Cearense e se postula a uma vaga direta na Libertadores de 2022 por duas vias. São 17 vitórias, apenas cinco derrotas. Quase dois gols de média por jogo. Dados jamais alcançados pelo clube nesta realidade competitiva.

A expectativa do Leão do Pici passou a ser essa. Chegar à Libertadores, entrar diretamente na fase de grupos, algo que nunca aconteceu com um clube nordestino via Brasileirão, desde que este começou a ser disputado no esquema de pontos corridos. Vojvoda, a competente diretoria do Tricolor, jogadores e comissão técnica não podem ser reféns da expectativa gerada em muitos.

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Ajoelhado, Romarinho, do Fortaleza, comemora seu gol contra o São Paulo pela Copa do Brasil, no Morumbi
Imagem: Marcello Zambrana/Marcello Zambrana/AGIF

O Fortaleza não pode ser cobrado para disputar o título do Campeonato Brasileiro. Esta luta é de Atlético Mineiro, Flamengo e Palmeiras, clubes que arrecadam e consequentemente investem muito mais que o Tricolor. Possuem, naturalmente, elencos mais qualificados. Mesmo melhor em diversos momentos dos jogos contra o trio mais rico do futebol brasileiro, é natural que em alguns períodos falte mais qualidade e poder de reposição ao elenco do Leão.

As oscilações são normais em um campeonato de 38 rodadas e o calendário de pouco espaço de descanso e treinamento entre os. Todos os clubes vivenciam isso, e o cenário descrito no parágrafo anterior se soma com a realidade do clube, o que explica a recente perda de pontos. O Fortaleza não é um ''Cavalo Paraguaio''! O campeonato do Fortaleza é esse! Passou a ser pela capacidade de todos os envolvidos. Que isso seja um mérito. E não uma prisão!

Se o Fortaleza parar no Galo nas semifinais da Copa do Brasil e conseguir vaga direta na Libertadores, mesmo terminando a competição abaixo da 4ª colocação, já terá sido histórico. Respeitar processos no futebol não faz parte da nossa cultura, mas precisa começar a ser debatido com mais profundidade.

Por mais que isso tenha sido acelerado com muita qualidade e sintonia impressionante após a chegada de Vojvoda, o Fortaleza vem trabalhando com seriedade e profissionalismo há alguns anos. Colhe os frutos que começou a plantar ainda na Série C e indica o caminho a muitos clubes no futebol brasileiro. Independente do que aconteça, o Leão já é um vencedor em 2021!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL