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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Brasil mostra bons sinais na sonolenta vitória sobre o Peru

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

09/09/2021 23h24

Bem diferente do sufoco de má atuação diante do Chile, o Brasil bateu com tranquilidade a seleção peruana por 2x0, em Pernambuco. A atuação não foi brilhante, mas deixou alguns pontos interessantes e intrigantes sobre o futuro próximo da seleção. Everton Ribeiro foi o destaque pela direita. Geralmente é convocado, mas dificilmente terá sequência no setor. Outros jogadores como Gabriel Jesus e Richarlison estão na frente neste momento? Gabigol seguirá compondo dupla de ataque com Neymar? Questionamentos que os próximos jogos responderão.

Tite mandou a campo a mesma equipe que iniciaria a partida contra a Argentina. Um 4-4-2 com Neymar e Gabigol mais uma vez como dupla de ataque. A novidade foi a inclusão de dois meias partindo dos lados: Lucas Paquetá e Everton Ribeiro. Quando os laterais se projetavam, eles flutuavam para o meio. Gérson foi titular ao lado de Casemiro. E Lucas Veríssimo formou a zaga com Éder Militão na ausência de Marquinhos. A seleção peruana teve apenas uma mudança em relação aos últimos dois jogos. Gonzales ficou com a vaga que era de Flores, partindo sempre da esquerda para dentro.

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Como as equipes iniciaram o jogo
Imagem: Rodrigo Coutinho

A postura do time adversário acabou ajudando o Brasil. O Peru não ficou na defesa. Tentou ser agressivo e até finalizou com certo perigo com Lapadula, logo aos cinco minutos. Mas a organização defensiva brasileira se sobressaiu. O time foi intenso na abordagem de marcação e protegeu os espaços com a já conhecida eficiência. Militão, Veríssimo, Paquetá e os laterais mostraram muita segurança. Com a bola, o time de Tite acelerou em contragolpes, e trabalhou com calma ao entrar em fase ofensiva.

Os mecanismos de movimentação pelos lados do campo funcionaram bem. Paquetá e Everton fixavam os laterais rivais bem abertos, e circulavam pro meio quando Alex Sandro e Danilo passavam pelos flancos. Isso liberava espaços para Neymar e Gabigol trabalharem por dentro. O camisa 10 foi bem participativo. Já havia deixado Gerson na cara do gol quando roubou a bola de Santamaría e serviu Everton Ribeiro no primeiro gol da Seleção.

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Everton Ribeiro e Paquetá projetados pelos flancos enquanto os laterais não chegavam ao ataque. Neymar e Gabigol como dupla de frente. Proposta era ''alargar'' o campo e gerar igualdade numérica em cima da última linha de defesa peruana
Imagem: Rodrigo Coutinho

Neymar e Gabigol também foram importantes ao buscarem os lados para triangulações com os meias e laterais. Foi desta forma que o segundo gol foi criado. O atacante do Flamengo articulou com Everton Ribeiro e Danilo pela direita, atacou o espaço num movimento que faz constantemente no rubro-negro carioca, e cruzou para trás. A zaga afastou, mas Neymar completou para as redes um chute de Everton Ribeiro na sequência.

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Quando o lateral do setor da jogada apoiava, neste caso Alex Sandro, Paquetá, o meia deste lado do campo, flutuava pra dentro e o atacante mais próximo vinha formar uma triangulação. Esta interação, mas pelo setor direito, gerou o primeiro gol brasileiro
Imagem: Rodrigo Coutinho

Se há algo negativo a dizer da atuação brasileira no 1º tempo, é o pouco controle através da posse. Permitiu períodos de circulação de bola aos peruanos, mesmo que eles não tenham surtido efeito à equipe de Ricardo Gareca. A situação não foi muito diferente na 2ª etapa. Daniel Alves e Matheus Cunha foram a campo. O centroavante do ouro olímpico entrou pela direita do ataque. Sinal de que Tite quer dar mais minutos à dupla formada na base do Santos na frente.

Gerson começou bem. Fez algumas infiltrações e se aproximou do quarteto de ataque no 1º tempo, mas perdeu intensidade em todas as ações com o passar dos minutos e deixou a sensação de que precisa render mais para conquistar o seu espaço. A seleção peruana não foi nem sombra do time que deu trabalho em algumas partidas recentemente. Trocou passes com lentidão e não teve potencial de infiltração na defesa brasileira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL