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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Eliminação do Brasil tem Marta 'subaproveitada' e pouca criatividade

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

30/07/2021 07h57

A seleção feminina de futebol está eliminada das Olimpíadas de Tóquio. O desempenho não foi bom. A técnica Pia Sundhage mais uma vez escalou Marta em uma função que não tira dela tudo o que pode oferecer, e a equipe não teve uma produção ofensiva regular. Se organizar melhor para superar ''pressões altas'' das oponentes também foi um problema na competição. A derrota nos pênaltis para o Canadá tira a chance de conquistar uma medalha olímpica, algo que não acontece desde 2008.

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Como Brasil e Canadá iniciaram o jogo. Com a bola, Fleming se projetava como uma 'segunda atacante' ao lado de Sinclair. Beckie e Prince faziam os lados do campo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Os primeiros 30 minutos foram complicados para o Brasil. O Canadá conseguia pressionar a bola com intensidade e organização no campo de ataque, e a Seleção não se mexia devidamente para gerar as linhas de passe, ter aproximação, e sair de trás com a bola de pé em pé. Acabava errando muitos passes e apostando em ligações diretas forçadas, sem efeito, de maneira imprecisa. Quando recuperavam a posse, as canadenses rodavam com desenvoltura no ataque e chegaram e ter três boas ações ofensivas, levaram perigo. Sinclair e Fleming ocupavam o espaço entre a defesa e o meio do Brasil, e deixavam os ataques à profundidade para Beckie e Prince.

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Canadá com um losango no momento defensivo em seu meio-campo, pressionando a bola e buscando superioridade numérica no setor da jogada, mas deixando espaços grandes na parte contrária do campo. Brasil aproveitou pouco isso no 1º tempo
Imagem: Rodrigo Coutinho
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No momento ofensivo, Fleming se projetando na mesma região de Sinclair. Quinn e Scott mais fixas como volantes
Imagem: Rodrigo Coutinho

Na sequência o ímpeto das adversárias arrefeceu um pouco e o Brasil conseguiu se estabelecer mais no campo de ataque. Pareceu se tranquilizar e começar a encontrar o seu jogo. Andressinha e Formiga apareceram naturalmente, assim como Marta saindo da esquerda pra dentro e abrindo o corredor para Tamires. Debinha e Bia Zanerato passaram a receber mais bolas e o time cresceu. O cenário possibilitou subidas nas linhas de marcação e alguns erros canadenses foram forçados. Debinha teve uma grande chance, mas desperdiçou.

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Marta flutuando da esquerda pro meio, recebendo entre as linhas canadenses e abrindo o corredor para Tamires atacar bem aberta
Imagem: Rodrigo Coutinho

No 2º tempo o jogo seguiu mais equilibrado. O Canadá não conseguia encaixar tantas pressões quanto no início da partida e o Brasil se mostrava mais preparado quando isso acontecia. O desempenho da última linha de defesa da Seleção merece destaque. Sempre bem compacta e reagindo rápido aos passes em profundidade tentados pelas canadenses. Rafaella e Érika estiveram impecáveis. Tamires e Bruna Benites seguras! O time adversário também foi corretissimo neste conceito.

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Linha defensiva do Brasil bem coordenada e compacta. Ótimo tempo de reação.
Imagem: Rodrigo Coutinho

A entrada de Ludmila no lugar de Bia Zanerato, aos 12 minutos, deu mais velocidade e potencial de ataque à profundidade. Como o Canadá buscava se instalar no campo de ataque e o Brasil neutralizava bem, havia espaço para esse tipo de jogada. A camisa 12 chegou a ser acionada assim, mas faltava precisão e acerto nas tomadas de decisão, último passe ou finalização, não só por parte dela, mas das demais atletas. Tamires destoou neste sentido. Foi bem contundente nos apoios pela esquerda. Atuação extremamente regular.

O Canadá também errava demais na parte ofensiva. Até conseguiu manter a bola mais tempo perto da área brasileira, mas se precipitava na entrada do ''terço final'' do campo, formando um jogo de constantes erros e pouca criatividade. Marta, jogadora com maior capacidade de articulação em campo, esteve abaixo do que pode. Precisou cumprir uma função defensiva que a desgastou e afastou da região do campo onde acrescenta mais. O cenário não mudou nos 30 minutos de prorrogação. Mais desgastados, os times foram ainda menos contundentes, mas o Brasil chegou perto de marcar no fim. Pareceu mais inteiro fisicamente.

Nas penalidades a goleira Bárbara pegou a primeira cobrança das canadenses, da artilheira Sinclair. Marta, Debinha e Érika marcaram na sequência, mas Andressa Alves e Rafaella pararam na boa goleira Labbe.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL