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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Zé Rafael dá 'passo atrás em campo' e cresce no Palmeiras

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

21/07/2021 04h00

Contratado como meio-campista ofensivo após temporadas de destaque no Bahia e no Londrina, Zé Rafael chegou ao Palmeiras em janeiro de 2019 para ser mais uma das peças de bom nível para o sistema de criação. O atleta até teve momentos positivos nos últimos 30 meses, mas parece se fixar e mudar seu patamar no grupo palestrino atuando mais fixo à frente da defesa.

É desta forma que Abel Ferreira vem escalando o paranaense de 28 anos nos últimos seis embates. Se entrar em campo como titular logo mais, diante da Universidad Católica, o camisa 8 igualará seu recorde de jogos seguidos com o técnico português. Iniciou sete jogos em sequência em outras duas ocasiões. Nas primeiras partidas de Abel Ferreira comandando o clube, e em janeiro, na reta final do Brasileirão 2020, Copa do Brasil e Mundial de Clubes.

O que mais chama a atenção é que, mesmo quando colocado ao lado de um volante de ofício nessas partidas, teve menos liberdade que o companheiro do setor. Patrick de Paula, em um jogo, e Danilo, em outras cinco ocasiões, formaram a dupla com Zé Rafael desde o duelo contra o Internacional, há três semanas. E o camisa 8 foi o jogador mais recuado do meio em todos os confrontos.

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No momento defensivo, Zé Rafael, destacado em vermelho, compõe a linha de meio por dentro como um volante normalmente
Imagem: Rodrigo Coutinho

No momento defensivo, Zé forma normalmente a linha de meio por dentro. Já no momento ofensivo, centraliza à frente do trio que faz a saída de bola alviverde, liberando Danilo ou Patrick de Paula para se fixar na mesma linha do meia ofensivo, no caso Gustavo Scarpa, na maioria dos últimos jogos. Dificilmente passa da linha da bola. Fica por trás, girando o jogo de lado e se oferecendo como opção de passe de retorno.

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No momento ofensivo, Zé Rafael mais fixo, por trás da linha da bola, liberando o outro volante para se posicionar mais a frente
Imagem: Rodrigo Coutinho

Dono de força física e boa capacidade técnica, Zé Rafael não é exatamente o meia que vai tirar uma solução diferente em jogadas disputadas em espaços curtos. Acabou apresentando essa dificuldade em diversos momentos desde que chegou ao Palmeiras. Quando joga mais a frente, funciona melhor em transições, movimentos de subidas de marcação, disputas de ''segunda bola'' e ataques à grande área.

Não é exatamente um articulador, mas pela expertise de jogar em espaços mais ''povoados'' do campo, quando atua mais atrás e naturalmente ganha mais espaço, consegue tomar melhores decisões com a bola. Isso aparece nitidamente na eficiência de seus passes. Entre os atletas de meio-campo que jogaram ao menos metade das partidas do Brasileirão 2021, Zé Rafael só acerta menos passes que Léo Cittadini, do Athlético.

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O 'volante' Zé Rafael
Imagem: Rodrigo Coutinho

Outro fator que abriu espaço para Zé Rafael como volante, é o recuo de Felipe Melo para a zaga nos últimos jogos. Mesmo sendo um meia ofensivo de origem, ele consegue mais combativo que Patrick de Paula, por exemplo, e isso faz com que o time reforce sua capacidade de pressionar a bola, seja no campo rival ou nas proximidades da área.

Cada vez mais é necessário entendermos a função que cada atleta desempenha em campo e como isso se insere na proposta definida pelo treinador para a equipe. Ficar presos a posição que o jogador tem na sua ''ficha técnica'' só distancia o entendimento do que verdadeiramente importa dentro de campo. Abel Ferreira tem deixado esse legado em seu trabalho no Palmeiras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL