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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Matheus Peixoto mostra o seu poder para manter o Juventude

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

18/07/2021 04h00

O Juventude voltou a disputar a Série do Brasileirão depois de 13 anos ausente. Apontado por muitos, inclusive pelo autor deste texto, como candidato ao rebaixamento antes da competição começar, o clube de Caxias do Sul vem somando mais pontos que a projeção inicial poderia supor. O centroavante Matheus Peixoto é peça-chave neste contexto. Marcou 75% dos gols da equipe e é responsável direto por 69% dos pontos conquistados.

Não se trata de dizer que o Papo é extremamente dependente de Matheus Peixoto. Ocorre uma sinergia interessante entre um time organizado, e o cara que vai confirmar a eficiência dessa organização para concluir as chances de gol. O centroavante de 25 anos é a figura! Um típico camisa 9! Não tem perdoado quando recebe em condições de marcar.

Quando fazemos a relação direta de pontos conquistados com a presença de Matheus Peixoto é simples entender. Basta considerarmos os gols que decidiram diretamente o placar dos jogos. Nas duas vitórias do clube por 1x0, contra Flamengo e Sport, o cabofriense marcou. Nos empates por 1x1 com América e Atlético Goianiense ele também fez os gols. O que se repetiu no 2x2 diante do Cuiabá na estreia, ao marcar o segundo tento do alviverde.

Completa a lista o segundo gol da vitória sobre o Grêmio, mas este não entra na relação acima, pois o jogo já estava 1x0. Dos 13 pontos conquistados pelo Juventude então, Matheus Peixoto gerou diretamente nove deles: duas vitórias e três empates. Ao todo o time de Marquinhos Santos balançou as redes oito vezes no Brasileirão, seis delas com o seu principal atacante.

Ele foi revelado pelo Audax Rio em 2014. Foi reserva em um Campeonato Carioca com apenas 18 anos. Mauricio Barbieri, hoje técnico do Red Bull Bragantino, era o comandante da equipe que acabaria rebaixada naquela competição. Jogou a segunda divisão estadual no ano seguinte, de novo como reserva, e foi contratado pelo Bahia. Acabou emprestado para o Ypiranga-BA em 2016.

Na Segundona baiana, começou a se destacar e fazer gols, mas não obteve o mesmo sucesso no empréstimo seguinte, para o Fluminense de Feira de Santana, voltou ao Esquadrão e recebeu poucas oportunidades até seu contrato se encerrar. Rumou para o Bragantino em junho de 2017, disputou duas Séries C e um Paulistão com destaque, e jogou emprestado a Série A de 2018 pelo Sport, como reserva.

Passou 2019 todo no Bragantino. Foi importante na campanha do acesso para a Série A. Fez seis gols naquela Série B e mais quatro no Paulistão. Em 2020, acabou emprestado para a Ponte Preta e chamou a atenção do Juventude. Ainda pertence ao Red Bull Bragantino e vem se valorizando com ótimo início de Brasileirão que faz.

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Os números de Matheus Peixoto na Série A, com o Juventude
Imagem: Rodrigo Coutinho

Matheus é um ''homem de área''. Tem 1,90m e 89kg. Bom na bola aérea, na proteção de costas para o adversário e nas disputas físicas, mas também aprimorou a parte técnica para finalizações em um toque ou na preparação de jogadas nos metros finais do campo. Chuta bem de média distância e cobra pênaltis. Não é rápido e nem tem tanta mobilidade ou habilidade, tanto que em jogos em que o Juventude precisou de mais velocidade, chegou a ser preterido.

No contexto da maioria dos jogos da equipe na competição, principalmente aqueles em que atua em casa, a presença do camisa 9 é determinante. Se prosseguir nesta batida, ou próximo disso, Matheus Peixoto certamente terminará o Brasileirão como um dos destaques da competição e principal nome da manutenção do Juventude na Série A.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL