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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

É preciso ser justo com a seleção olímpica

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

15/07/2021 18h37

Formar um time para as Olimpíadas não é nada fácil. Não bastasse o desacordo entre COI e Fifa, que faz dos Jogos Olímpicos um torneio sem a obrigatoriedade de liberação dos atletas por parte dos clubes, a ''corneta'' rola solta em torno da seleção brasileira. Não há um time propriamente dito. Se o cotidiano das seleções principais já dificulta o desenvolvimento de um coletivo, o que dirá de uma equipe olímpica.

André Jardine receberá o último atleta convocado já na semana da estreia em solo japonês. Não pôde contar com a lista que considera ideal, assim como as demais seleções favoritas que disputarão o torneio, mas será que em outros contextos a pressão pela medalha de ouro e por um desempenho fantástico é a mesma do Brasil? A julgar pelo festival que as redes sociais nos mostraram na tarde desta quinta-feira, certamente não.

Dentro deste cenário, é determinante que o jovem treinador consiga detectar os problemas e minimizá-los para evitar sustos e o aumento da pressão citada acima. Os dois gols marcados pelo organizado, mas limitado, Emirados Árabes servem de alerta. O Brasil precisa proteger melhor a sua área quando o adversário supera a marcação adiantada, ou quando vence as intensas pressões pós-perda que o time faz no campo de ataque.

É provável que isso aconteça com a entrada de Douglas Luiz. Possui esse entendimento mais aprimorado em relação a Bruno Guimarães e, principalmente, Gabriel Menino, que deve mesmo ir para o banco com a confirmação de Daniel Alves como lateral-direito. A postura de marcação precisa ser diferente perto da área. ''Botes'' e agressividade são mais permitidos em campo rival. No próprio campo, cautela e proteção de espaços são indicados. Não há tempo para recuperação.

Na parte ofensiva, dentro do 4-4-2 proposto como ponto de partida, Martinelli e Reinier podem dar mais poder de definição aos lances. O primeiro é um ponta que busca a região de finalização a todo momento. O segundo é visto como um meia por muitos, mas passa longe disso. O atleta da base do Flamengo é muito mais um ''segundo atacante'', um ''ponta-de-lança'', precisa jogar nos últimos metros do campo, chegar na área, e não acrescenta tanto na articulação como se imagina.

A característica da dupla citada casa bastante com Matheus Cunha. O camisa 9 da seleção não é um homem de área. O jogador do Herta Berlim circula na intermediária, articula, carimba a bola, tem qualidade fazendo isso, mas por vezes não dá a profundidade aguardada. É necessário que seus companheiros de frente o auxiliem neste sentido. Chegará na área eventualmente para marcar como fez duas vezes, mas não jogará ''enfiado'' na linha de defesa rival o tempo inteiro.

Richarlison certamente será titular do time e deve formar dupla com Cunha, ou até mesmo partir da esquerda, o que abriria uma vaga para ser disputada entre Reinier, Martinelli e Paulinho. Claudinho pode ''sobrar''. O ex-jogador do Vasco mostrou-se abaixo dos demais. Teve uma lesão grave e basicamente não jogou a última temporada. Precisa readquirir a melhor forma técnica.

Há muitas questões a serem resolvidas por Jardine, mas a principal conclusão é que não foi possível formar um time. E no futebol de hoje, a qualidade técnica e a hierarquia da seleção não vão se sobressair a ponto de fazer a diferença. Mais calma, pessoal!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL