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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mexidas de Roger indicam caminho mais competitivo ao Fluminense

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

02/06/2021 12h16

Há cerca de um mês citei aqui no blog o dilema vivido por Roger Machado para dar equilíbrio ao time do Fluminense. Ao mesmo tempo que possui ideias ofensivas mais elaboradas em relação ao trabalho anterior, precisa manter a competitividade defensiva do Tricolor quando a proposta de jogar em contra-ataques for adotada. Nas últimas duas partidas ele encontrou uma solução bem interessante para alcançar o objetivo.

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Média de finalizações dos adversários antes e depois das últimas mexidas feitas por Roger Machado. Ficou mais difícil arrematar contra a meta do Tricolor
Imagem: Rodrigo Coutinho

Depois do 3x1 sofrido na finalíssima do Campeonato Carioca contra o Flamengo, quando não conseguiu marcar e contra golpear em grande parte do jogo, o comandante optou pelas entradas de Caio Paulista e Gabriel Teixeira pelos lados, nas vagas de Kayky e Luiz Henrique. Também mexeu no desenho tático em fase defensiva, ajustando o posicionamento de Nenê, e viu o Fluminense crescer sem a bola.

A superioridade diante de River Plate e São Paulo fora de casa corroboram as mexidas. O time carioca adotou corretamente uma estratégia mais reativa nos dois jogos. Fechou os espaços com competência, esteve compacto, pressionou a bola com força e parece ter encontrado o caminho para causar danos a equipes superiores tecnicamente.

É importante frisar que o Fluminense não só ''jogou por uma bola'', para usar uma frase batida e muitas vezes aplicada de forma equivocada. Quando foi possível manter a posse, entrar em fase ofensiva e se estabelecer no campo rival, assim o fez. A entrada de Samuel Xavier na lateral acrescenta neste segundo aspecto. Tem mais capacidade de retenção de bola e eficiência nos passes em relação a Calegari, que acabou perdendo espaço.

A realidade encontrada diante de River Plate e São Paulo não será a mesma em outras partidas do Brasileirão e da própria Libertadores. O Cerro Porteño, adversário das oitavas, por exemplo, certamente deixará o Tricolor tomar a iniciativa de atacar, mas esta não vinha sendo uma questão tão problemática quanto se proteger e contra-atacar com mais eficiência.

Com a formação de um 4-1-4-1 em fase defensiva, Nenê se alinha a Yago Felipe na frente de Martinelli e preenche uma área que era ocupada somente por dois jogadores anteriormente. Resolve uma questão que foi problema diante do Flamengo: pouca pressão na saída de bola rival com Nenê e Fred mais alinhados dando o primeiro combate. Agora, Yago e Nenê se revezam ao lado do centroavante nesta primeira pressão.

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Neste frame é possível entender o novo posicionamento. Nenê e Yago Felipe alinhados na frente de Martinelli. Pontas retornando pelos lados e mais agressividade na abordagem de marcação com Caio Paulista na vaga de Kayky
Imagem: Rodrigo Coutinho

Bem desde o ano passado, a dupla de zaga formada por Luccas Claro e Nino também merece destaque. Um pouco mais protegidos, têm a tendência de crescimento, principalmente Nino, que faz um 2021 mais consistente que Luccas Claro. Certamente amadureceu bastante com a sequência no time titular.

Há a tendência de induzir o adversário a sair jogando pelo lado esquerdo, ou seja, o lado direito da defesa do Fluminense. Assim Yago e Caio Paulista, mais combativos que Gabriel Teixeira e Nenê, participam mais ativamente e a bola é invertida rapidamente após a roubada. Estratégia bem pensada e que fortaleceu o tricolor carioca para os complicados últimos embates.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL