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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Taison muda o patamar e é o acréscimo ideal para o ataque do Inter

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

15/05/2021 04h00

Contratado pelo Internacional depois de dez temporadas no futebol ucraniano, o meia Taison despertou sentimentos ambíguos na opinião de quem acompanha o futebol. De um lado, os colorados. Empolgados com a repatriação de um jogador altamente identificado com o clube e qualificado. Do outro, os demais torcedores. Minimizando a contratação e mostrando certo desconhecimento a cerca do potencial do atleta.

O fato principal aqui é entender que o ponta rápido e insinuante de 2010, se transformou em um jogador muito mais completo ao longo da carreira. Parece absurdo ter de chamar a atenção para isso, mas precisamos entender que 11 anos na vida de qualquer profissional significa, muitas vezes, mudanças profundas em comportamento e características, algumas motivadas pela própria idade.

Compreender isso nos leva a voltar três anos no tempo, quando o próprio Taison foi convocado por Tite para a Copa do Mundo de 2018 e uma gritaria foi vista como se ele se tratasse de um jogador medíocre. O novo camisa 10 do Colorado agregou muito valor àquilo que fazia com seus 22 anos. O resultado já começou a aparecer em campo, mesmo com apenas duas partidas disputadas até aqui.

Em primeiro lugar é preciso desmistificar o ''Taison ponta puro'' de outrora. No Shakhtar Donetsk, jogou em diversas funções. Não só nas duas pontas, direita e esquerda, como na posição que vem sendo escalado por Miguel Ángel Ramirez, um meia esquerda num 4-3-3. Jogou também como meia direita. Como meia central, uma espécie de ''ponta de lança'' por trás do centroavante num 4-2-3-1. E também como um ''falso nove'' em alguns momentos.

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Taison na meia-esquerda, Edenilson na meia-direita, e Dourado como volante. Esta deve ser a estrutura do meio colorado na maioria dos jogos em 2021
Imagem: Rodrigo Coutinho

Tanta rotatividade e o próprio entendimento tático dessas funções fizeram com que Taison ganhasse mais capacidade de articulação, pausa nos momentos certos, e aceleração mais inteligente no momento em que surgem os espaços. Qualidade no último passe e na definição também. Aos 33 anos, é maduro.

Num momento em que Ramirez implementa ideias de ataque posicional no Inter, Taison é figura importantíssima para gerar mais agressividade ao time. Em alguns momentos, há essa confusão por parte dos atletas colorados. Confundem um jogo mais elaborado e pausado, com falta de contundência e verticalidade no momento certo. E Taison sabe dar. Até por ter tido contato com essa mesma filosofia durante anos no leste europeu.

Ao lado de Edenilson no centro do campo, buscando associações com Patrick ou Maurício na ponta-esquerda, pisando na área em jogadas de linha de fundo e puxando contra-ataques em velocidade, Taison eleva bastante o patamar do time do Inter. Se houver a evolução esperada do time, pode ser a peça que fará a diferença em busca dos títulos em 2021.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL