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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Roger e o dilema que vive no Tricolor

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

06/05/2021 04h00

Roger Machado assumiu o Fluminense em 2021 com a responsabilidade de manter a competitividade demonstrada pela equipe na temporada passada. No Brasileirão 2020, mesmo com material humano inferior ao disponível hoje, o Tricolor alcançou a quinta colocação e deu muito trabalho ao poderoso Flamengo na final do Estadual. Equilibrar ataque e defesa com algumas demandas que possui no elenco atual não é tão simples assim.

Odair Hellmann e Marcão, que conduziram o trabalho na última temporada, mostraram na prática uma proposta diferente daquilo que Roger buscou implementar em suas equipes na maioria dos trabalhos que fez. Ao invés de um Fluminense que joga basicamente em contra-ataques, começamos a assistir um Tricolor propenso a posse de bola e com ideias mais elaboradas na hora de atacar.

A questão é que a realidade de algumas partidas tem obrigado o time a se retrair mais, e é aí que residem algumas questões. Como manter uma pressão eficiente na bola com Fred e Nenê na primeira linha de combate? Como ter alta combatividade pelo lado do campo com Kayky de ponta e Egídio de lateral? Os quatro atletas citados não são culpados de nada e nem vilões. Eles acrescentam bastante em outros contextos. O problema é criá-los de forma constante.

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Fred e Nenê comemoram gol do Fluminense contra o Independiente Santa Fe, pela Libertadores
Imagem: Getty Images

Mesmo com momentos de sufoco e incoerência com a proposta adotada, deu certo diante de River Plate e Santa Fé. Nos dois jogos o Tricolor passou grande parte do tempo se defendendo e explorando contra-ataques. Em ambos os jogos a equipe se ressentiu de ''pegada'' no momento defensivo. Por mais que estivesse com a área bem protegida, o time compacto, e Martinelli fazendo um bom trabalho ao lado de Yago Felipe, faltou ''pressão na bola'' na região de Fred e Nenê. E Egídio comprometeu com a expulsão na Colômbia.

Ao mesmo tempo, a dupla de experientes se somou a Kayky na criação do gol da vitória diante do Santa Fé. Fred ainda fez o tento do empate na estreia, contra o River. Ou seja, é muito importante ter jogadores com tamanho potencial decisivo e talento na frente também, mesmo jogando a maior parte do tempo sem a posse de bola. Ainda tem Cazares no elenco, que deve ganhar espaço, mas possui as mesmas questões positivas e negativas.

Uma alternativa encontrada por Roger é equilibrar o tempo em campo para ministrar o desgaste e ter esses atletas no maior nível possível de intensidade. Nenê, de 39 anos, só ficou em uma partida durante os 90 minutos nesta temporada. O mesmo se aplica a Fred. Abel Hernández e Lucca são opções de atacantes no banco de reservas que acrescentam mais auxílio defensivo ao time, mas a qualidade ofensiva cai bastante em comparação aos titulares.

No Brasileirão a probabilidade de jogos com essa realidade é menor. Talvez os confrontos diante de Flamengo, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro, Grêmio e Palmeiras tenham um caráter de maior reforço defensivo e estratégia reativa para vencer, mas não será a maioria. Na Libertadores, porém, os três adversários da fase de grupos têm como característica a busca do ataque predominantemente e a manutenção da posse de bola. O Tricolor começou bem, mas achar soluções para o problema é o grande desafio para se classificar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL