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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

São Paulo de Crespo ''cresce'' no retrovisor de Flamengo e Palmeiras

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

22/04/2021 08h49Atualizada em 22/04/2021 10h38

Não adianta. Por mais que os torcedores dos demais clubes brasileiros não gostem deste tipo de comparação, quem quiser se impor no cenário nacional hoje precisa ter rubro-negros e palestrinos como norte. Eles venceram quatro dos últimos cinco Brasileirões, ganharam a Libertadores e dominaram o país em desempenho. Mas desde que Crespo chegou ao São Paulo, o Tricolor vem mostrando que pode ser esse ''desafiante'' em 2021.

São nove jogos disputados pelo clube na atual temporada. Até aqui apenas uma derrota. O principal, porém, é observarmos o que o time vem fazendo em campo. Expliquei no blog como funciona o modelo de jogo imposto pelo treinador argentino. Ele vem sendo seguido à risca pelos jogadores, e o bom nível do plantel tricolor potencializa tais ideias de forma ainda não vista na carreira de Crespo.

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Luan e Tiago Volpi comemoram ao lado de Crespo o gol do São Paulo contra o Sporting Cristal
Imagem: Getty Images

Além de buscar o protagonismo com a posse de bola e atacar de maneira posicional, diferente do que o São Paulo fazia com Diniz, que dava mais liberdade de movimentação aos jogadores, vem chamando a atenção a força para subir a marcação. Definida por encaixes, ela vem sendo executada com muita dedicação e, o melhor, organização. Não temos visto o time se espaçar quando busca esse movimento. O ato de reagir rápido ao perder a bola também é algo a ser destacado, inibindo contra-ataques adversários.

A conscientização dos atletas é determinante para pôr em prática o modelo, e ela é obtida no dia a dia. Através dos treinamentos a comissão os convence de que aquilo é o melhor a ser feito. Quando há essa assimilação, o resultado aparece na forma e na intensidade. Mesmo há poucos jogos dirigindo o time, essa sinergia entre Crespo e os jogadores parece em alta.

A eficiência aparece nas estatísticas

Ao analisarmos os números do time dentro desses nove jogos nos deparamos com uma alta produção de chances reais por jogo. Sete, dado que só Flamengo e Atlético Mineiro alcançaram no Brasileirão 2020. Uma ótima taxa de conversão dessas oportunidades em gols, o que gera a média de quase três tentos anotados por partida. Chama a atenção também o aumento do número de faltas. São 19 em média por jogo. Quem marca mais forte acaba cometendo mais faltas.

Os mais de 500 passes trocados por partida seguem, mas desta vez com mais velocidade na circulação da bola e objetividade. Mais uma diferença com o time em muitos jogos do ano passado. O nível de enfrentamento é algo que precisa ser sempre debatido em análises no meio dos Estaduais. O Campeonato Paulista, porém, apresenta desafios mais difíceis que outros pelo Brasil.

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Em quase dois meses de trabalho e nove jogos disputados, o São Paulo de Crespo
Imagem: Fonte: Opta

O São Paulo, dentro desses nove jogos, encarou Santos, Palmeiras e Red Bull Bragantino. Por mais que os dois primeiros tenham escalado times mistos ou reservas, chamou a atenção o domínio tricolor em campo. A estreia na Libertadores nesta terça-feira, diante do mediano Sporting Cristal, no Peru, também serviu para confirmar o bom caminho.

Plataforma e briga por vagas

Sempre com uma linha de três zagueiros, o time tem variado a formatação do meio-campo. Por vezes um volante centralizado e dois meias mais soltos por trás de dois atacantes. Outrora dois volantes e um meia mais solto à frente. Ou dois volantes e dois meias por trás de um homem de referência no ataque. Isso vem fazendo Crespo usar bem as peças disponíveis para o setor de meio-campo.

Mesmo com a saída de Tchê Tchê para o Atlético Mineiro, o plantel dispõe de Luan, Rodrigo Nestor, Daniel Alves, William, Liziero, Gabriel Sara, Igor Gomes, Benitez, Vitor Bueno, Shayllon, Hernanes e Talles Costa. Atletas bons, ótimos, promissores, e um craque entre eles. Além da variedade de características que possibilitam ao argentino manejar o que pretende no setor.

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Benítez em ação durante a partida entre Sporting Cristal e São Paulo, pela Libertadores
Imagem: Getty Images

Na defesa ainda há Miranda para jogar na ''sobra''. Diego Costa e Rodrigo prontos para se desenvolverem. No ataque, além de Luciano, que segue em ótima fase, Pablo melhorou um pouco em relação ao ano passado, e Éder vem pedindo passagem na luta por um lugar no time titular. João Rojas voltou bem de lesão. Galeano vai crescendo e até mesmo ganhando algumas chances na ala direita, setor que conta com Orejuela e Igor Vinícius. Há equilíbrio e boas opções.

Caminhada promissora

Nos quase dois meses da temporada 2021, entrelaçada com a de 2020, sem férias, e muitas diferenças de preparação de um clube para outro, o São Paulo vem jogando o melhor futebol do país. Se isso será mantido por meses e dará resultados na sala de troféus do clube é impossível dizer. O que temos hoje é um trabalho de campo muito bem iniciado. Palmeiras e Flamengo que abram o olho! E que os demais busquem o mesmo caminho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL