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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Guia da Libertadores - Tudo sobre o Grupo F

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

18/04/2021 04h00

O Grupo F é o único da Libertadores 2021 sem a presença de brasileiros. A promessa, porém, é de muita disputa. Há um certo equilíbrio entre o uruguaio Nacional, que é o cabeça de chave, e os demais integrantes: Universidad Católica, Argentinos Juniors e o Atlético Nacional de Medellín. Hoje é dia de conhecer um pouco mais sobre essas equipes. Confira!

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Aos 40 anos de idade, D´Alessandro disputará mais uma Libertadores, desta vez pelo Nacional
Imagem: Rodrigo Coutinho

O Nacional foi mais uma vez campeão uruguaio em 2020, o 46º caneco de sua história na competição. Superar o arquirrival Peñarol em conquistas caseiras e participações mais relevantes na Libertadores tem sido comum. Buscar um protagonismo maior no torneio continental vem sendo o problema. É o clube que mais jogou a competição, com essa, 48 vezes, tem um tricampeonato no currículo, mas desde 2009 não chega a uma semifinal.

O clube não economizou atuação no mercado de transferências. Trouxe oito jogadores para encorpar o plantel repleto de jovens. A média de idade do time campeão uruguaio rondava os 23 anos, e as chegadas de nomes como D´Alessandro, Píriz, Leandro Fernandez e Gabrielli equilibram as coisas. Almeida e Cándido, destaques no Liverpool de Montevidéu, e Cantera, oriundo do Deportivo Maldonado, também aumentam a qualidade do grupo.

A principal aposta, porém, é em Gonzalo Vega, que foi pedido pelo novo técnico da equipe, Alejandro Cappuccio. Ele comandou uma revolução no Rentistas, atual vice uruguaio, e Vega era um de seus atletas. Cappuccio trabalhava como tabelião em um cartório enquanto treinava o pequeno time da capital uruguaia. Agora será mais cobrado e terá à disposição atletas que já vinham se destacando pelo clube: Bergessio, Trezza, Ocampo, Gabriel Neves, Carballo, Corujo e Trasante.

Dentro de campo é difícil esperar algo muito diferente daquilo que vem sendo feito pela seleção uruguaia e pelos principais clubes do país. É um estilo de futebol direto e reativo muito enraizado. Mesmo em um time maior, Cappuccio deve priorizar a organização defensiva e estabelecer os contra-ataques como proposta principal. Em fase ofensiva, a pouca elaboração de jogadas já vista, deve se repetir. Provavelmente será um time competitivo.

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O atacante argentino Zampedri fez 20 gols no último Campeonato Chileno. Ele quer mais na Libertadores deste ano
Imagem: Rodrigo Coutinho

Outra equipe que vem sendo muito dominante no âmbito doméstico, mas precisa de voos maiores é a Universidad Católica. O time de Santiago é o atual tricampeão chileno. No último final de semana perdeu a liderança do torneio local após ''54 rodadas'' consecutivas na frente, mas sabe-se que tem o melhor time do país. Na Libertadores, caiu na fase de grupos nas últimas três vezes que disputou.

Depois de uma identidade de futebol bem definida com Ariel Holán, hoje no Santos, os ''Cruzados'' foram atrás de Gustavo Poyet para ser o treinador da equipe. O ex-jogador uruguaio, atualmente com 53 anos, é um dos poucos técnicos da atual Libertadores com carreira consolidada na Europa. Primeiro como jogador na Premier League e depois como treinador, ganhando inclusive uma 3ª divisão inglesa com o Brighton.

Poyet passou também por Sunderland, AEK, Real Betis e Bordeaux. Vinha bem no clube francês, mas se desentendeu publicamente com a diretoria em 2018 e ficou quase três anos sem trabalhar. Vem implementando um estilo diferente no time. Com Holán, a Católica não abria mão de ter a bola. Com ele, há um perfil mais ''negociador''. É provável que se comporte de maneira reativa na maioria dos jogos desta Libertadores. Traz o bloco de marcação para trás e visa explorar contra-ataques.

O time não deixou de ter organização com a bola. Ao menos neste primeiro momento, Poyet manteve a estrutura de ataque posicional desenvolvida por Holan, mas tenta dar mais intensidade ao time. A ideia é ganhar competitividade. O elenco é basicamente o mesmo da última temporada, com o importante acréscimo do meia Felipe Gutiérrez, constante nome na seleção chilena. Ele volta ao clube de origem. A Católica não é favorita, mas pode se desenvolver e surpreender.

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O centroavante Gabriel Ávalos é a principal esperança de gols do ''Bicho'' em seu retorno à Libertadores
Imagem: Rodrigo Coutinho

Dez anos depois de sua última participação na Libertadores, o Argentinos Juniors está de volta. O clube foi campeão logo na primeira aparição no torneio, em 1985, e tem fama mundial por ter revelado Diego Armando Maradona, que inclusive dá nome a seu estádio. Foram dois rebaixamentos desde 2014, mas o ''Bicho'' se recuperou e conseguiu uma 5ª colocação no Campeonato Argentino de 2020, algo que o trouxe de volta ao cenário sul-americano.

O técnico daquela equipe, principal responsável pelo sucesso, não está mais no clube. Diego Dabove atualmente treina o San Lorenzo, que foi eliminado pelo Santos na Pré-Libertadores. O ex-zagueiro Gabriel Milito o substituiu e vem implementando mudanças. Outrora direto para atacar, o Argentinos Juniors agora procura trabalhar um pouco mais a bola e atacar de forma posicional, com cada atleta respeitando o seu espaço no campo.

A eficiência é que não tem sido muito alta no atual campeonato nacional. A equipe perdeu mais do que venceu, e sofreu mais gols do que fez até o fechamento deste texto. Trabalha constantemente no campo de ataque, mas tem faltado coordenação entre as peças perto da área rival e qualidade para se sobressair contra defesas fechadas. O elenco é limitado para pensar em algo maior na Libertadores.

Podemos apontar dois destaques. Um deles é o atacante paraguaio Gabriel Ávalos, contratado após se destacar no Patronato. Mesmo com a baixa produção ofensiva da equipe, ele marcou mais da metade dos gols do clube na temporada. O outro está no sistema defensivo, é o lateral-direito Mac Allister. Aos 23 anos, ele pode chamar a atenção pela qualidade no passe e poder de articulação.

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Andrés Andrade é garantia de qualidade ao partir do lado esquerdo do campo
Imagem: Rodrigo Coutinho

O Atlético Nacional é certamente o melhor time do Grupo F nos aspectos técnicos e táticos. Mesmo vindo da Pré-Libertadores, fase em que eliminou dois times paraguaios, Libertad e Guarani, possui jogadores com capacidade de definir uma partida e funcionamento coletivo fluido. O clube lidera o Campeonato Colombiano ao lado do Deportivo Cali, mas leva vantagem nos critérios de desempate.

O técnico é o brasileiro naturalizado costarriquenho Alexandre Guimarães, que viveu basicamente sua vida inteira no país da América Central. Chegou a disputar duas Copas do Mundo como treinador da seleção local. Trabalhou também no México, Emirados Árabes, na China, e na Índia, até chegar ao futebol colombiano. Foi campeão com o América de Cali e despertou a atenção do time de maior poder aquisitivo.

O futebol dos Verdolagas é América do Sul em seu ''estado puro''. A começar pela presença de dois típicos meias criativos. Jarlan Barrera e Andrés Andrade partem dos lados do campo em um 4-1-4-1, e têm total liberdade para trabalhar pelo centro, buscar as costas dos volantes rivais, articular, improvisar. Candelo é um lateral de muita força pela direita e Perlaza é um volante de chegada na área. Rovira e Sebastian Gómez iniciam as jogadas com qualidade.

Ofensivamente busca trabalhar com passes curtos e aproximação no setor da bola. Mesmo com a liberdade de movimentação dada aos atletas, ocupa bem o campo de ataque. Ressente-se de um atacante mais qualificado. O equatoriano Alvez vem sendo o titular, mas não convence. Na zaga, olho em Mosquera, de apenas 19 anos. As comparações com Davinson Sanchez são inevitáveis. Time com potencial de crescimento. Deve chegar bem nas oitavas de final.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL