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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

2021 pode marcar ascensão de Gabriel Pec no Vasco

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

07/04/2021 04h00

O bom trabalho feito por diversos profissionais nas divisões de base do Vasco nos últimos anos resultou na chegada simultânea de jogadores de talento ao elenco profissional. Um deles é o meia-atacante Gabriel Pec, destaque deste início de 2021 entre os jovens disponíveis para o técnico Marcelo Cabo. Artilheiro do clube até aqui, o canhoto, natural de Petrópolis e mais um oriundo do futsal Cruzmaltino, mostra evolução e se firma na equipe.

Os quatro gols marcados em nove jogos na atual temporada, oito deles como titular, ainda é pouco dentro da projeção esperada para o garoto que saiu da quadra para o campo de São Januário. Mesmo caminho feito por alguns craques num tempo não tão distante. É o terceiro ano dele entre os profissionais, mas o primeiro com sequência no time principal.

Vanderlei Luxemburgo foi o responsável por subir Gabriel Pec em setembro de 2019. Entrou em oito jogos naquela edição do Brasileirão. No ano seguinte fez 20 partidas. Passou toda a temporada entre o Sub-20 e o time de cima. Ganhou uma Copa do Brasil na base e chegou a ser titular em cinco ocasiões nos profissionais. Foi importante para dar sequência ao desenvolvimento.

Agora, com Marcelo Cabo no comando, tem sua maior sequência e parece desabrochar, dar um passo na carreira. Logicamente que precisará se provar em jogos de mais dificuldade e terá uma Série B pela frente no segundo semestre, competição mais difícil e desafiadora que o Estadual do Rio.

arte - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Números de Gabriel Pec nos profissionais do Vasco
Imagem: Fonte: Opta

Características

Gabriel Pec jogou em três funções diferentes na base do Gigante da Colina. Aberto nos dois lados do campo - como ponta -, ou por trás do centroavante - como um típico ''ponta-de-lança'', basicamente um segundo atacante pelo meio. Mas rende melhor pelo lado direito. No setor consegue um ângulo de ação maior com sua perna esquerda e pode fazer o tipo de jogada que mais lhe agrada.

É um atleta de velocidade, repertório vasto de dribles e agressividade ao conduzir a bola na direção da área. Força jogadas de 1x1 exatamente por isso. Funciona bem também em contra-ataques e atacando a profundidade nas costas da defesa rival.

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Recebendo bem aberto pela direita, situação em que se sente bem confortável
Imagem: Rodrigo Coutinho

Por ter a tendência a acelerar constantemente, precisa aprimorar sua leitura de jogadas nas proximidades da área, principalmente quando há a necessidade de cadenciar o ritmo para encontrar os espaços com mais paciência, algo que ganhará naturalmente com o tempo. Finaliza bem de média distância e auxilia na circulação da bola pela sua mobilidade e boa técnica de passes curtos.

No momento defensivo auxilia bastante ao retornar com intensidade em seu setor, pressionando a bola e fechando os espaços. Fisicamente tem se desenvolvido desde que subiu para aguentar o tranco com mais facilidade, mas ainda pode se aprimorar nisso. Em duelos mais ríspidos tem dificuldade.

Atualmente utilizado como ponta pela direita, Pec possui a missão de abrir o campo em determinados momentos, ficar bem aberto para ''alargar'' a defesa adversária quando a bola ainda não chegou ao seu setor. Com ela dominada, ou quando Léo Matos apoia, ganha liberdade para circular por dentro. Na primeira situação tem demonstrado mais eficiência.

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Quando o lateral pisa no campo de ataque apoiando ele flutua para o meio e se coloca para receber de costas, acaba apresentando um pouco mais de dificuldade assim
Imagem: Rodrigo Coutinho

Sequência de trabalho x Oscilações

Não só para Gabriel Pec, mas para os outros jovens recém-chegados aos profissionais, é fundamental ter sequência com a mesma comissão técnica. Desde que seja um trabalho bem-feito, logicamente, cria-se uma série de hábitos e padrões de comportamento no jogador. A partir daí ele se desenvolve mais naturalmente em todos os âmbitos, e tem segurança no processo que está vivenciando. O Vasco e todos os clubes precisam entender isso.

Mudanças constantes causam necessidade de recomeços e tudo o que está atrelado a isso. Se atletas mais experientes sofrem para se adaptar, o que dirá dos que ainda estão em fase de maturação profissional. Neste fenômeno muitos jogadores perdem rendimento e não se sabe exatamente o motivo. Cuidar disso é determinante para não atrapalhar a evolução natural de um jovem jogador.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL