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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

As quatro novas joias de Xerém

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

01/04/2021 04h00

Desde que passou a investir mais na base, com a construção de um centro de treinamentos específico para a garotada, contratação de profissionais especializados e uma boa rede de captação, o Fluminense começou a colher os frutos. Nas últimas duas décadas, foi um dos clubes que mais revelou em quantidade e qualidade. Quatro jogadores recém-saídos de Xerém podem chamar muito a atenção nos próximos meses. Conheça-os melhor.

01 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Gabriel Teixeira vem sendo pedido no time titular por uma parte da torcida tricolor
Imagem: Fonte: Opta

Certamente é o jogador entre os quatro que mais tem chamado a atenção dos tricolores neste início de temporada. Joga preferencialmente pelo lado esquerdo do campo e está no clube desde a categoria sub-11. É muito rápido e habilidoso, possui repertório vasto de drible com sua perna direita e é forte conduzindo a bola na direção da área, seja em fase ofensiva ou em transições rápidas. Lançado em profundidade funciona bastante.

O principal é que também sabe atuar em ataques mais pausados. Tem bom passe e capacidade de associação com os companheiros buscando o centro do campo em tabelas curtas e triangulações. Ataca bem a ''segunda trave'' em cruzamentos do lado contrário, mas precisa se concentrar um pouco mais diante da meta. Não finaliza mal, mas tem se afobado em chances recentes, provavelmente um reflexo do tempo ainda escasso entre os profissionais.

Outro detalhe que pode melhorar naturalmente é a tomada de decisão, a leitura de algumas jogadas, normal pela idade que tem. É bom cobrador de faltas de média distância. Bate forte e coloca efeito na bola. Também vai bem nas cobranças de pênaltis. Sem a bola, mostra interesse e intensidade para auxiliar no momento defensivo, é agressivo, mas pode ter um entendimento melhor do momento de dar o ''bote'' nos adversários. Por vezes se precipita nesse aspecto.

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Gabriel Teixeira com a bola dominada e arrancando em direção a área, jogada característica do atleta tricolor
Imagem: Rodrigo Coutinho

Gabriel subiu para os profissionais nesta temporada. Participou dos sete jogos da equipe até aqui, quatro deles como titular na equipe alternativa que vinha jogando, e outros três entrando no decorrer dos jogos. Em 2020, fez diversos jogos no time sub-23 do clube

03 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Kayky é um dos jogadores sub-20 mais badalados do futebol mundial hoje
Imagem: Fonte: Opta

Já negociado com o Manchester City, Kayky é um ponta com projeção enorme para os próximos anos. Canhoto, mas joga preferencialmente pela direita, exatamente para ter mais ângulo de ação com sua afiadíssima perna esquerda. Possui controle de bola e tomada de decisão acima da média para atletas da sua idade. Muito habilidoso, dribles curtos desconcertantes e qualidade para tabelar, triangular, e deixar companheiros na cara do gol com facilidade.

Dá dinâmica quando a bola chega a seu setor e tem o último passe apurado. Possui características de um ponta mais ''posicional'', mais restrito ao setor, mas influente quando a bola chega ali. Não é um jogador lento. Tem velocidade em deslocamentos curtos e no raciocínio, explosivo nos dribles e pequenas arrancadas, mas encontra dificuldades em distâncias maiores. A evolução física natural dos próximos anos pode ajudar nesse aspecto.

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Kayky com a bola na região em que mais se sente confortável. O que vai sair do pé dele é bem imprevisível
Imagem: Rodrigo Coutinho

Defensivamente também participa bem. Ligado nas transições e nos movimentos de pressão pós-perda. Disciplinado fechando os espaços, mesmo que não tenha tanta força no combate direto. O principal ponto de melhora em seu jogo é a finalização. Não o arremate em si, mas se colocar em condições de chutar a gol e atacar a área com mais eficiência. Se fizer mais gols se valorizará ainda mais.

A tendência é que Kayky desembarque no Manchester City em 2022. Ele fez parte da ''Geração dos Sonhos'' campeã brasileira no sub-17. Pulou a categoria sub-20 e se profissionalizou há dois meses. Foi relacionado para os sete jogos do Tricolor até aqui na temporada e entrou em seis deles. Participou diretamente de dois gols.

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Metinho nasceu no Congo, mas já foi convocado para as seleções de base do Brasil
Imagem: Fonte: Opta

Nascido no Congo, Metinho mora no Brasil desde que tinha um ano de idade. Chegou ao Fluminense no sub-11, depois de passagem pelo Madureira. É um volante de muita mobilidade e capacidade de mudança de direção em velocidade, por isso sustenta bem pressões ao receber a bola de costas em marcações adiantadas dos adversários. Rápido e dono de ótimo preparo físico. Possui um jogo de transições excelente. Muda rapidamente de atitude entre atacar e defender e vice-versa.

Precisa evoluir na construção do jogo através dos passes. Não possui uma leitura apurada de aceleração ou redução de ritmo quando a partida pede. Pode ganhar mais precisão neste sentido. Mas compensa se mexendo bastante, gerando linhas de passe, arrastando marcações e fazendo infiltrações. Dá bastante dinâmica ao meio-campo desta forma, acaba acrescentando ao jogo de passes curtos também.

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Giro em cima da marcação e velocidade para conduzir da defesa para o ataque, mesmo pressionado. Um dos pontos fortes de Metinho
Imagem: Rodrigo Coutinho

No momento defensivo apresenta um bom posicionamento na linha de meio-campo, além de força de marcação nos duelos individuais, capacidade de antecipação e coberturas. Exerce também forte liderança dentro de campo, foi assim nos times de base do Fluminense.

Se profissionalizou este ano e foi relacionado para duas partidas, entrando em uma delas e permanecendo em campo por 24 minutos diante da Portuguesa da Ilha. É mais um já negociado com o Grupo City e deve ir para o Troyes, da França, em 2022.

07 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
John Kennedy já foi titular até no clássico ''Vovô'' diante do Botafogo pelo Brasileirão
Imagem: Fonte: Opta

Dos quatro atletas é o mais ''experiente'', mesmo sendo mais jovem que Gabriel Teixeira. Subiu aos profissionais ainda na temporada 2020. A partir da 30ª rodada foi relacionado para todos os jogos. Iniciou como titular em dois deles e entrou em outros cinco. Marcou dois gols. Já em 2021, fez seis jogos, dois como titular, e balançou a rede uma vez. Atua melhor como centroavante, mas pode jogar pelo lado direito do ataque também.

Trata-se de um atacante de mobilidade. Mesmo jogando como camisa 9, não faz o perfil de homem de área, por mais que preserve uma atuação mais baseada na faixa central do campo, recua na intermediária, faz diagonais entre os zagueiros e entre zagueiros e laterais. Apesar de não ser um jogador alto, sabe trabalhar bem de costas, sustenta o contato e faz a ''parede'' para os companheiros.

Dois traços chamam a atenção no futebol de John Kennedy. Primeiro, a eficiência nas finalizações. Mesmo muito jovem, não costuma se desestabilizar na frente dos goleiros e tem técnica nos arremates. Em segundo lugar, o perfil ''batalhador''. É um atacante que incomoda bastante os zagueiros. Não se contenta ao ser desarmado, briga pela posse e auxilia nas transições defensivas.

Precisa evoluir no controle de bola para conseguir resolver mais rapidamente os lances, e no último passe, para ampliar sua capacidade de associação com os companheiros. Tem bom repertório de dribles e velocidade em espaços curtos. Usa bem a perna esquerda, a ''perna ruim'', o que é determinante para um atacante.

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Bom ''jogo de costas'' é uma das marcas de John Kennedy em campo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Atualização de Expectativas

Avaliar jovens jogadores é sempre um desafio pelo caráter imprevisível que a carreira de cada um deles pode ter. Uma escolha errada de transferência, uma lesão, ou problema pessoal podem influenciar de forma irreversível no desempenho deles. Há também a própria maturação física e psicológica ao tornarem-se adultos. Isso muda cenários. Por isso, é importante acompanharmos com atenção o desenvolvimento ou não. Cada passo nesta fase da carreira é decisivo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL