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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

''Novo Felipe Melo'' passa por importante adaptação tática de Abel Ferreira

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

09/03/2021 09h57

Felipe Melo parecia se encaminhar para o fim de sua história com a camisa do Palmeiras. Não vinha fazendo uma temporada do mesmo nível das outras e se lesionou gravemente em novembro de 2020. Menos de três meses depois, surpreendendo a todos, ele retornou aos gramados, e mostrou na final da Copa do Brasil que, com alguns ajustes que lhe servem muito bem, pode ser útil ao Verdão aos 37 anos de idade.

Dono de ótimo passe, liderança e visão de jogo, sabe-se que Felipe não possui a mesma mobilidade de alguns anos atrás. Chegou a ser escalado frequentemente como zagueiro por Vanderlei Luxemburgo justamente para ser preservado e poder atuar em uma faixa de campo menor, sem tanta exposição e com menos metros para percorrer.

Com a promoção e o destaque de Danilo, parecia fadado ao banco de reservas e um papel de coadjuvante no ótimo elenco alviverde. O jovem, porém, naturalmente oscilou após a conquista da Taça Libertadores e o técnico Abel Ferreira resolveu apostar na experiência de Felipe Melo de volta ao setor de meio-campo. Uma adaptação precisou ser feita para que a parte física não influenciasse no desempenho do volante.

O Palmeiras marca por encaixes e perseguições dentro do setor. Ou seja, o jogador ''encaixa'' no atleta adversário e o persegue por um espaço determinado do campo, sem se afastar tanto da sua região de origem. O atual Felipe Melo combina mais com uma marcação por zona, quando o atleta apenas defende o seu próprio setor, pressionando o adversário que tem a bola quando este entra ali.

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No 4-1-4-1 que o Palmeiras adota muita vezes em fase defensiva, este é o posicionamento de Felipe. Joga na frente da linha de zaga, atrás dos demais companheiros de meio-campo. O ''5''.
Imagem: Rodrigo Coutinho

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Essa é a região que precisa proteger
Imagem: Rodrigo Coutinho

A alternativa de Abel Ferreira foi fazer com que o camisa 30 resguardasse mais a sua zona. Ele até ''encaixava'' em quem entrasse em seu setor, mas não perseguia para longe dali. Se o meia ou o atacante adversário flutuasse para os lados ou recuasse muitos metros, Felipe não ia atrás. Se o Grêmio ''afundasse'' dois atacantes em cima da linha defensiva do Palmeiras, ele deixava os zagueiros ''encaixarem'' em cada um e se colocava entre os defensores, quase que fazendo uma ''sobra''.

Com Danilo o funcionamento é um pouco diferente e a sensação de maior segurança à frente da linha defensiva foi nítida. O jovem atleta também sabe fazer isso, mas Felipe provou nos dois jogos finais da Copa do Brasil que há uma disputa aberta pela função, e Abel Ferreira entendeu muito bem o que deveria fazer para adaptá-lo ao contexto.

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Destacados em amarelo, os zagueiros do Palmeiras fazem os encaixes nos atacantes gremistas. Felipe se coloca entre os defensores, protege o espaço e faz a ''sobra''
Imagem: Rodrigo Coutinho

Temperamental e problemático em muitos momentos da carreira, é inegável a hierarquia e a qualidade dadas por Felipe ao time do Palmeiras quando se concentra em jogar futebol. Se seguir a batida pode entrar ainda mais para a história do clube.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL