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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Inter e Lucas Ribeiro: um encontro que deve fazer bem a ambos

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

24/02/2021 04h00

Ele chegou sem alarde e aos poucos vai conquistando o seu espaço. Depois de apenas três jogos oficiais em um ano e meio no Hoffenheim, o zagueiro Lucas Ribeiro conseguiu sequência na zaga colorada, e mostra que pode ser muito útil em 2021, principalmente se Miguel Ángel Ramirez for de fato o novo treinador do clube.

Lucas surgiu muito bem no Vitória, em 2018. Estreou num Maracanã lotado por 50 mil pessoas diante do Flamengo, em agosto daquele ano, e não saiu mais do time que acabaria rebaixado no Brasileirão. Mesmo com o descenso, conseguiu se destacar a ponto de ser convocado para a Seleção Sub-20 e foi reserva no Sulamericano da categoria, em janeiro de 2019.

O Hoffenheim se interessou e o comprou por R$ 17 milhões, uma das maiores vendas da história do futebol nordestino. Acabou não conseguindo se adaptar devidamente ao futebol alemão e seu empréstimo vai até o final de 2021 com o clube gaúcho. Período em que pode seguir se destacando para voltar com moral para a Europa ou justificar um investimento brasileiro.

O defensor de 22 anos teve pouco tempo de trabalho na base. Chegou ao Vitória já na categoria Sub-20, mas rapidamente se destacou. Até por isso segue aprimorando fundamentos e se desenvolvendo nos profissionais. Ganhou espaço no time com a lesão de Rodrigo Moledo. Com Eduardo Coudet era apenas a quarta opção para o miolo de zaga no elenco, mas com Abel Braga ultrapassou Zé Gabriel na hierarquia e hoje é titular.

Ironia ou não, o modelo de jogo imposto pelo experiente treinador ao time acaba não oferecendo tanta margem de evolução ao zagueiro naquilo que sabe fazer de melhor: ser agressivo com a bola, auxiliar na construção ofensiva. Miguel Ángel Ramirez, provável comandante colorado em 2021, é bem diferente nesse aspecto. Usa os zagueiros basicamente como armadores, os motiva a criar e participar ativamente da iniciação das jogadas.

arte - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Lucas Ribeiro tem poucos jogos como profissional e o Inter pode oferecer essa margem de evolução a ele
Imagem: Fonte: Opta

Além da saída de bola com passes qualificados e verticais, demonstrando a coragem que possui, Lucas Ribeiro chama a atenção pela velocidade, mesmo sendo um atleta de 1,90m. Gosta de jogar quase sempre antecipando os atacantes em virtude dessa rapidez e da virilidade nos duelos individuais. Até por isso erra a leitura de alguns lances e se precipita, detalhe que precisa melhorar e pode ter sido determinante para a pouca rodagem na Alemanha.

Outro detalhe em que precisa melhorar é a bola aérea. Tem um aproveitamento muito baixo para um jogador da sua estatura. O posicionamento dentro da área, porém, é eficaz. Busca a referência do atacante em seu setor, mas protege o espaço com competência. Tem também bom controle de bola e usa constantemente a ''perna ruim'', por isso pode jogar com facilidade pelo lado esquerdo da defesa.

Dá pra prever uma boa briga por posição na zaga do Inter se o técnico espanhol realmente assinar contrato. Lucas Ribeiro possui um estilo que lhe agrada muito. Cuesta também se encaixa nisso. Zé Gabriel é outro defensor que acrescenta na criação de jogadas. Rodrigo Moledo oferecerá um contraponto quando se recuperar. Protege a área melhor que qualquer outro no plantel, mas talvez não se encaixe tanto no modelo que deverá ser adotado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL