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Rodrigo Coutinho

A Série B 2021 já deveria ter começado para o Botafogo

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

25/01/2021 07h21

Lanterna do campeonato, apenas quatro vitórias em 32 rodadas, segundo pior ataque, terceira pior defesa do Brasileirão, 13 pontos de distância para o primeiro clube fora do Z4. É preciso aceitar. O Botafogo já está rebaixado para a Série B 2021! O terceiro descenso da história do clube. Reconhecer e, mais do que isso, planejar corretamente a próxima temporada é o ponto de partida para a recuperação institucional.

Não bastasse a situação crítica matematicamente, olhar para o campo aumenta a ótica do desespero alvinegro. Já são dez jogos desde que Eduardo Barroca retornou ao clube. As nove derrotas são um retrato do que o time apresenta em desempenho. Problemas defensivos aos montes e um ataque inoperante, sem criatividade. Um verdadeiro desastre. Não há nada que se possa elogiar coletivamente.

Por mais que tenha a sua parcela, Barroca passa longe de ser o maior culpado. O que dizer de um clube que não paga salários em dia, aposta em medalhões de condição física questionável e altos vencimentos, jogadores sem nível para atuar em uma Série A, e tem cinco comissões técnicas diferentes ao longo de uma temporada? Aprender com os intermináveis erros recentes é mais do que necessário para o Glorioso.

Em primeiro lugar é preciso definir um teto de gastos. A diferença de arrecadação entre as Série A e B é cruel. A cota de TV, por exemplo, principal fonte de receita dos clubes brasileiros, cai em torno de 66%, um terço daquilo que o clube recebeu em 2020. Isso sem contar o menor interesse de patrocinadores devido a natural queda de exploração da marca longe da elite do futebol nacional. Entender, projetar corretamente e, principalmente, não desrespeitar esse orçamento, pode fazer o Botafogo sobreviver.

imagem - Vitor Silva/BFR - Vitor Silva/BFR
Keisuke Honda e Salomon Kalou retratos do péssimo planejamento do Botafogo em 2020
Imagem: Vitor Silva/BFR

Não haverá condições de montar um elenco com nomes conhecidos e atletas de valor. Garimpar o mercado com criatividade e critério é primordial neste momento. No próprio Rio de Janeiro, o Botafogo tem alguns bons exemplos em Fluminense e Vasco. Clubes com restrições orçamentárias, mas que conseguiram fazer boas apostas e até recuperar dinheiro com elas num segundo momento.

Antes de definir alvos, porém, é necessário pensar em um modelo de jogo. De que forma o Botafogo atuará na temporada 2021? Que estilo será adotado? A partir daí, resolver se Eduardo Barroca segue ou não é ponto-chave neste planejamento. Eduardo Freeland, novo diretor de futebol, e que trabalhou com o treinador na base alvinegra, precisa tomar o quanto antes essa decisão. Durcésio Mello, presidente recém-eleito, tem um grande desafio pela frente.

Já machucado por muitos anos de decepções, quedas e fugas do rebaixamento, o torcedor do Botafogo terá pela frente uma temporada de exercício de paciência e amor ao clube. Não dá pra esperar nem um Estadual muito competitivo. A temporada 2021 quatro dias depois do fim do atual Brasileirão. Humildade para mirar a quarta colocação na próxima Série B é vital para o clube da Estrela Solitária. Pés no chão e contas em dia são a única receita possível hoje.

Errata: o texto foi atualizado
Diferente do que foi informado, a arrecadação do Botafogo não caiu em 300%. O erro foi corrigido.