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Rodrigo Coutinho

Santos sabe produzir o melhor cenário contra o Boca

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

06/01/2021 04h00

Contrariando a grande maioria dos prognósticos o Santos é semifinalista da Libertadores 2020. E o mais curioso é que, mesmo diante de um Boca Juniors com elenco e investimento superiores, o Peixe conta com um encaixe de jogo interessante para superar o adversário. O time de Cuca tem ferramentas suficientes para chegar a mais uma final continental.

Os jogos contra o Grêmio nas quartas de final são um belo norte para o alvinegro. Repetir a intensidade e a concentração vistas nos encaixes de marcação é o ponto-chave para aproveitar um detalhe negativo do Boca. A equipe treinada por Miguel Ángel Russo possui dificuldades para criar espaços contra rivais que têm um bom trabalho defensivo.

Sabemos que o melhor cenário de desempenho do atual Santos é reagir aos estímulos do adversário. Diante de um Boca que circula a bola com lentidão em muitos momentos e possui um repertório de movimentação e jogadas ofensivas bem limitada, o Peixe pode encaixar sua marcação, fazer as perseguições da forma que gosta, e produzir bastante ao acelerar com Marinho, Soteldo e Lucas Braga.

O Boca alterna a sua forma de jogar de acordo com o adversário e o local da partida. Geralmente opta por uma postura mais reativa fora de casa, a não ser que o rival seja bem inferior tecnicamente. Dentro da Bombonera, porém, local do jogo de hoje, sempre toma a iniciativa de atacar.

Mesmo com os problemas coletivos para criar, o time conta com atletas acima da média no nível do futebol sulamericano. Villa e Salvio são pontas muito agudos e inventivos. Tévez, mesmo longe de sua melhor forma, segue sendo um atacante de qualidade nos metros finais do campo. Concentração e calma serão determinantes para o Santos diante de uma Bombonera vazia.

A parte física pode ser um diferencial a favor do Peixe também. Sem contar as características de cada equipe, já que o Santos é regularmente um time mais intenso e veloz, os Xeneizes chegarão ao quarto jogo nos últimos 16 dias. Já os brasileiros não atuam desde o dia 27 de dezembro, quando empataram com o Ceará por 1x1.

Com Jobson ainda ''meia-boca'' em virtude da recente inflamação no tornozelo, a opção de quatro atacantes de ofício, já escalada por Cuca em ocasiões recentes, pode ser uma alternativa interessante. Os volantes do Boca não produzem tantas infiltrações. Soteldo então teria poucos metros para ''acompanhar'' Capaldo ou Gonzáles. Pituca encaixaria no outro volante. De quebra o time ganharia ainda mais potencial de contragolpe.

Ao contrário do que muita gente pode imaginar, o Santos eliminar o Boca Juniors e alcançar a final da Libertadores não será exatamente uma surpresa.