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Rodrigo Coutinho

Descartável? Com Mancini, Gabriel recupera o desempenho no Corinthians

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

31/12/2020 04h00

A evolução do Corinthians como equipe auxilia no crescimento de um jogador bastante criticado pela Fiel há bem pouco tempo. O volante Gabriel vem sendo escalado como titular por Vagner Mancini há nove jogos consecutivos, já havia entrado em outros três, e neste período mostra um rendimento muito diferente do que vinha sendo realidade. Começa a lembrar o Gabriel de 2017 e do Botafogo no início da década.

No Timão há quatro temporadas, o camisa 5 teve momentos de destaque. Chegou ao clube após passagem pelo Palmeiras e foi campeão brasileiro com Fabio Carille. Titular naquela campanha, manteve-se com regularidade no time em 2018, e a partir da temporada seguinte perdeu espaço. Passou a ser corretamente questionado por um desempenho afobado e às vezes violento sem a bola, e por pouco acrescentar quando o time atacava.

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Números defensivos de Gabriel sob o comando de Vagner Mancini
Imagem: Rodrigo Coutinho

Gabriel não é um volante exatamente criativo. Sua principal característica é a pegada na marcação, capacidade de antecipação e a velocidade nas transições defensivas, além do bom senso de coberturas que possui, mas vem mostrando que sempre pôde oferecer mais do que vinha fazendo.

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Números ofensivos de Gabriel sob o comando de Vagner Mancini
Imagem: Rodrigo Coutinho

Se não tira da cartola passes tão precisos e gere o jogo como outros atletas de sua posição, ao menos entrega dinâmica na circulação da bola, tem mobilidade para se desmarcar e abrir espaços para os companheiros na saída ou na zona de articulação das jogadas. Faz o ''feijão com arroz bem temperado'', sem grandes brilhos, mas contribuindo.

Precisa ter ao seu lado um volante mais criativo para não ficar sobrecarregado na iniciação dos ataques. Fabio Santos e Fágner, laterais de bom passe, também o auxiliam. Pode ser um bom coadjuvante neste momento, mas não o ''ator principal''. Nos últimos dois jogos formou dupla com Ramiro na ''volância'' e as coisas funcionaram, mas o companheiro de posição com quem mais atuou na ''Era Mancini'' e que oferece o melhor encaixe é o colombiano Cantillo, que possui visão de jogo apurada e qualidade no passe.

foto ataque - Rodrigo Coutinho - Rodrigo Coutinho
No campo de ataque tem sido mais eficiente, buscando quase sempre um jogo de aproximação
Imagem: Rodrigo Coutinho

Com o crescimento do time nos últimos jogos tem sido visto até mais a frente quando o Corinthians se estabelece no campo de ataque, buscando se aproximar dos companheiros na região da bola, gerar superioridade numérica e estabelecer mais uma linha de passe.

As estatísticas dele com Vagner Mancini confirmam a subida de produção ofensiva. A crescente no acerto das ações em campo, nos passes, o número de finalizações triplicado e até o fato de perder mais bolas por jogo explicam uma participação mais extensa com a posse. Defensivamente também houve melhora. Diminuiu drasticamente os cartões amarelos, passou a ganhar mais duelos defensivos e interceptar mais bolas.

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Gabriel fazendo uma cobertura no setor de Fabio Santos, uma das principais virtudes do volante corintiano
Imagem: Rodrigo Coutinho

De descartável há poucos dias, Gabriel passou a ser peça fundamental no Corinthians que começa a brigar por uma vaga na Libertadores. Um time organizado e o contexto correto para as características de determinados atletas provocam melhora considerável. O camisa 5 é só mais um exemplo.